
Review: Monster Hunter Stories 3 salta MUITO na qualidade
Monster Hunter Stories 3 é mais do que uma sequência e aprimora TUDO dos anteriores; confira nosso review completo
Imagem: Capcom
que começou como um monster tamer, uma alternativa a Pokémon, se tornou um JRPG de peso. Monster Hunter Stories 3 é uma daquelas sequências que mantém a estrutura dos títulos anteriores, mas aprimora tanto todos os aspectos da série que se transforma para algo de outro patamar.
Monster Hunter Stories 3 é um ótimo monster tamer e traz familiaridade para quem gosta da subfranquia da Capcom, mas o valor de orçamento e escopo aumentaram tanto que ele foge dessa jaula de rótulo, se transformando em um grande título para fãs de RPG ocidental.
Caso fosse melhor em alguns aspectos, ele entraria facilmente no hall dos melhores JRPGs que temos por aí. Ficou curioso? Venha conferir nossa análise completa de Monster Hunter Stories 3 abaixo!

Imagem: Capcom
Adeus protagonista mudo, olá história mais séria
A série Monster Hunter Stories era famosa por ser divertida, mas certamente não por trazer um enredo cativante que nos enganchava até o fim. Na realidade, tudo não passava de uma história bem básica, muitas vezes bem infantil, para unir as mecânicas e ter algum senso de progressão. Mas isso mudou em Monster Hunter Stories 3.
Não espere nenhum tipo de roteiro capaz de ser indicado no melhor da categoria durante a The Game Awards, mas a Capcom claramente colocou mais identidade e definiu um novo público. Na trama, seguimos de perto a princesa/príncipe de Azúria (você monta o seu personagem) e as tramoias políticas e ambientais desse universo.

Imagem: Vini Munhoz/Flow Games
Antes de seguir para os detalhes da campanha, vale mencionar algo antes. Pela primeira vez, Monster Hunter Stories 3 retira o conceito de protagonista mudo e o inclui com muito mais peso nos eventos, algo que achei muito positivo e que adiciona bastante para a experiência.
Além disso, adorei que a fórmula não se repetiu aqui. Em vez de novamente ter um novato no papel principal que precisa passar pelo Ritual de Iniciação, o protagonista já é um capitão experiente e já até possui cartas na manga, acelerando bastante o início da aventura.
Resumidamente, o reino está enfrentando os efeitos da Crostalização, um fenômeno que transforma tudo em cristais, destrói a fauna local e reduz drasticamente os recursos naturais para a sobrevivência do povo. Contudo, o reino de Vermeil, vizinho de Azúria, está sofrendo em estágios bem mais avançados.

Imagem: Vini Munhoz/Flow Games
Por conta disso, o país ao lado pretende invadir Azúria pelo bem do próprio povo, criando intrigas políticas. E, em meio a tudo isso, 10 anos antes Rathalos gêmeos nasceram, um mau agouro no universo, e a rainha de Azúria sumiu da noite para o dia. Cabe ao nosso protagonista se aventurar além do Meridiano, uma terra proibida, para encontrar respostas para tudo isso.
O ritmo da campanha de Monster Hunter Stories 3 é bem agradável e traz cerca de 35 a 40 horas de conteúdo (zerei com 37 horas e há facilmente pelo menos mais 20 ou 30 de conteúdo secundário). Realmente gostei da história, dos personagens secundários e do universo bem-aproveitado de Monster Hunter, sempre trazendo temas como ecologia e balanço natural.
Os personagens são outro destaque de Monster Hunter Stories 3. Eles não possuem grande participação na trama principal, mas trazem arcos secundários bem divertidos de completar. Eles são divididos entre os capítulos da campanha e sempre aprofundam mais no pano de fundo de cada um deles.

Imagem: Vini Munhoz/Flow Games
Há o sistema tradicional de sidequests também, que é mais simples, e elas adicionam mais conteúdo, mas não espere o mesmo nível de qualidade. A parte mais legal delas é a força motriz para explorar mais do mapa, descobrir novos monstros e mais.
Mecanicamente familiar, mas aprimorado
Se você já jogou algum outro spin-off da série no passado, deve saber que Monster Hunter Stories 3 utiliza um sistema de pedra, papel e tesoura com ataques rápidos, técnicos e fortes, e uma estrutura de dano elemental similar ao que vemos na franquia principal, mas em um combate por turnos. Então o que temos de novidade aqui?
Esse alicerce se mantém e, embora simples e não muito diferente do que vimos lá no Nintendo 3DS em 2016, o terceiro game traz algumas camadas extras legais – algumas recorrentes da sequência de 2021 e outras novas. Entre elas está a expansão de atacar partes dos monstros.

Imagem: Vini Munhoz/Flow Games
Essa mecânica existe desde o primeiro jogo, mas aqui ganha um peso estratégico maior. Além de quebrar cada parte dar bônus de dano, materiais extras e até mesmo esgotar a barra de alma de serpe, uma espécie de barra de vigor que retira a agressividade do adversário, ela também é atrelada a um sistema de risco e recompensa.
Com os novos monstros invasores da história, há partes cristalizadas que, se quebradas, removem alguns ataques muito poderosos dos monstros. Contudo, existe uma hora certa para isso: caso você ataque uma serpe durante sua fúria, ela vai ter uma ação extra de retaliação, então é necessário ter cautela. Essas novidades são bem positivas e trazem uma dinâmica maior.
Outra adição de Monster Hunter Stories 3 é a Espada Longa como uma nova arma viável, garantindo um novo sistema de gameplay. É possível ter até 3 armas diferentes com você durante as lutas (Espadão, Espada Longa, Martelo, Berrante de Caça, Arco ou Lançarma) e você pode trocá-las para cada situação, seja para dano elemental ou tipo de dano diferente, como concussivo, cortante ou perfurante.

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Eu gostei bastante da Espada Longa e ela é uma excelente adição que requer um planejamento da barra espiritual, oferecendo ataques fora de turno de acordo com as ações dos seus companheiros.
Porém, quanto mais jogamos, mais camadas aparecem. Uma das novidades de Monster Hunter Stories 3 é o ataque sincronizado, quase como um All Out Attack de Persona 5, que todos os personagens atacam em conjunto quando um monstro cai de fadiga, causando uma boa dose de dano extra – e recompensando quem foca nas partes de cada criatura e causa fadiga da barra de alma.
A Capcom também melhorou alguns aspectos da qualidade de vida, como a possibilidade de trocar rapidamente as armas, os monstros e mais durante as batalhas – sem contar que, caso você queira, todas as animações podem ser puladas e há a possibilidade de acelerar em 2X todas as batalhas do jogo.

Imagem: Vini Munhoz/Flow Games
Há realmente muitas camadas de complexidade em Monster Hunter Stories 3, mas a experiência nunca foi sobrecarregada. Achei tudo muito satisfatório, as animações dos golpes são extremamente bem-dirigidas e legais de ver na tela, e há muitas habilidades, armaduras e armas diferentes para conquistar.
Há até mesmo especiais para cada monstro e especiais combinados com os seus companheiros. Que, por falar neles, a variedade é enorme e há até mesmo subespécies que desbloqueamos ao cumprir certos requisitos, cada uma com suas peculiaridades.
Mas mesmo nesse aspecto, Monster Hunter Stories 3 tem mecânicas. O Ritual do Legado permite passar genes de monstros de um para outro. Ou, em outras palavras, podemos criar um monstro perfeito e com o golpe que quisermos, o que deixa tudo ainda mais flexível.

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Há incentivo para buscarmos ovos, melhorarmos o rank de ecossistema para conseguir criaturas de um nível maior e até desbloquear algumas criaturas inéditas. A exploração e combate andam de mãos juntas e amei aumentar a minha Monstropédia.
E não se engane: você provavelmente não vai conseguir correr com a campanha de Monster Hunter Stories 3. Embora não seja nenhum jogo extremamente difícil, a dificuldade e o nivelamento das regiões cobram seu preço: você vai precisar fazer missões, capturar e lutar contra monstros para ganhar leveis – e o legal é que monstros novos ganham níveis bem rápido, então o grind não fica cansativo.
Realmente fiquei surpreso com o nível de qualidade técnica. O que começou como um monster tamer da série Monster Hunter se transformou em um grande e robusto JRPG capaz de deixar muitos títulos famosos no chinelo.

Imagem: Vini Munhoz/Flow Games
Mudanças e coisas não tão boas
Monster Hunter Stories 3 poderia entrar facilmente nos melhores JRPGs que já joguei. Não só melhora todos os aspectos técnicos e mecânicos dos anteriores, como também traz sistemas robustos e muito divertidos. Entretanto, algumas pequenas coisas ofuscam parte desse brilho.
Uma das coisas que a Capcom não mudou em Monster Hunter Stories 3 é a possibilidade de controlar os companheiros. Não me entenda mal, eles são bem bons como IA e há até opções extras, como trocar as armas e monstros deles, mas ainda gostaria de controlá-los em situações específicas.

Imagem: Vini Munhoz/Flow Games
De vez em quando, eu sei qual ataque o inimigo vai usar e vejo qual o meu companheiro vai usar – e sei também que ele vai perder no sistema jokenpô. Eu realmente gostaria de emitir comandos ou, até quem sabe, poder trocá-los no meio de uma batalha também.
Além disso, senti que houve uma mudança específica em Monster Hunter Stories 3 que não ficou legal: a duração das batalhas. Os monstros são muito esponja de dano e as batalhas podem durar um tanto, mesmo com a batalha acelerada em 2X. Porém, o que mais me pegou foi a barra de montaria.
Diferente do primeiro e segundo jogo, a barra de montaria (ou afinidade) carrega em uma velocidade bem mais lenta e senti que isso fere um pouco o ritmo da campanha. É um recurso muito bom e poderoso, mas não sinto que poder usá-lo mais vezes desbalancearia a experiência – e realmente senti falta de usar mais.

Imagem: Vini Munhoz/Flow Games
Qualidades de vida bem-vindas
Em contrapartida, embora haja problemas, a Capcom realmente melhorou muito os demais aspectos de Monster Hunter Stories 3. De exploração a combate, quase tudo foi reformulado, melhorado e aprimorado.
Me perdoem por tecer comparações novamente a títulos anteriores, mas me parece algo necessário para o terceiro jogo da série. Se você jogou algum dos títulos anteriores, sabe que algumas ações básicas, como trocar de monsties para explorar o ambiente ou roubar ovos, poderiam ser algo penoso, lento e burocrático, mas isso foi corrigido.

Imagem: Vini Munhoz/Flow Games
Desde o começo, já temos ao nosso dispor o mundo aberto (na verdade, regiões abertas) para aventurar e a exploração foi melhorada exponencialmente. Uma das novidades, por exemplo, é a opção de trocar em tempo real o seu monstie através de um menu radial.
Isso permite, por exemplo, voar com um Rathalos e cair com um Plesioth para nadar nos lagos em uma fração de segundos. Isso parece bobeira, mas incentivou muito a navegação do mapa, que foi aumentada em doses cavalares e possui bem menos barreiras naturais. Tudo é mais fluido, gostoso e divertido – e confesso que explorei por um tempo bem maior do que deveria por essa única melhoria.
O Ritual de Legado, que permite fundir genes de monsties, também foi aprimorado e não mais solta o monstro na natureza. Roubar ovos? Agora é mais fácil, mais rápido e com um limite maior, permitindo que você tenha uma evolução menos descomplicada.

Imagem: Vini Munhoz/Flow Games
E para que acumular tantos monstros em Monster Hunter Stories 3? Porque agora temos um sistema chamado de Restauração de Ecologia, que resolve desbalanceamentos no ecossistema. Ou, traduzindo, aumentamos o nível dos monstros que surgem no mapa, garantindo criaturas ainda mais fortes para a party se você se dedicar.
A viagem rápida de Monster Hunter Stories 3 fica ao alcance de um botão para facilitar a travessia pelo mapa, há torres de observação para você mesmo colocar pontos de interesse para visitar, diversas tocas de monstros para roubar ovos e muito mais. Até mesmo as sidequests são mais fáceis de ver onde podem ser aceitas e onde estão os objetivos.
Além disso, outra adição muito legal de Monster Hunter Stories 3 é algo que vimos em Metaphor e outros JRPGs: ao atacar monstros de nível baixo no mapa, a luta é resolvida antes mesmo de começar e só coletamos os espólios. Isso ajuda a contornar o grind e as batalhas longas que comentei acima. Sem dúvidas, todos esses elementos elevam bastante a experiência e adorei.

Imagem: Flow Games/Vini Munhoz
Que apresentação visual é essa?
Não tem como dizer de outra forma: Monster Hunter Stories 3 é um deleite visual. É a combinação perfeita de gráficos mais modernos com um estilo anime que brilha os olhos, tornando, novamente, o salto gráfico entre o título anterior gigantesco.
Agora, a Capcom optou pela RE Engine para impulsionar o game, deixando de lado a antiga MT Framework e resultando em algo mais fluido, bonito e com cara de nova geração – mas também mais pesado, mesmo que até o preset Baixo seja muito bonito. Contudo, belos visuais e uma boa parte técnica são apenas ferramentas para criar uma experiência agradável e a Capcom soube dirigir tudo com maestria.

Imagem: Vini Munhoz/Flow Games
Se você jogar 10 minutos da demonstração de Monster Hunter Stories 3 vai saber exatamente do que estou falando. O mundo aberto é convidativo e vistoso, as batalhas possuem animações de outro patamar para cada ataque e golpe especial, as cutscenes são muito bem-feitas e gritam alto orçamento.
Se comparado com qualquer Pokémon moderno, Monster Hunter Stories 3 faz com que eles se pareçam jogos mobile de baixo valor. Para ser justo, o nível é tão alto aqui que até mesmo bons JRPGs parecem algo barato em comparação.
A apresentação visual e bons gráficos não fazem um jogo excelente por si só, mas como tudo aqui é positivo, certamente esse deslumbre ajuda a alavancar a experiência e nos cativar a continuar.

Imagem: Flow Games/Vini Munhoz
E, só para não passar batido, Monster Hunter Stories 3 roda muito bem no PC. No meu setup high end, com uma GeForce RTX 5090 e um i7 13700K, passar dos 200 fps é muito fácil com tudo no Ultra e DLAA, mas há muitas opções gráficas, como DLSS e presets diferentes.
Em um hardware mais modesto, como o ROG Xbox Ally X (que é forte, mas muito menos parrudo que um notebook gamer ou um desktop), consegui uma taxa de 70 fps com tudo no Baixo e escala de resolução em 70% (e mesmo assim a qualidade visual ainda era muito boa).

Imagem: Flow Games/Vini Munhoz
Monster Hunter Stories 3 vale a pena?
Monster Hunter Stories 3 evoluiu igual aos monstros que possui. O que era uma alternativa de monster tamer de Pokémon se transformou em um colosso maior do que o gênero que entrou, virando um JRPG realmente grandioso para qualquer fã – e não necessariamente de Monster Hunter.
Antes, eu recomendaria facilmente para jogadores da franquia. Hoje? Eu recomendo para qualquer um que goste do gênero. É muito gritante a diferença de orçamento para os concorrentes e há um carinho enorme em criar algo especial.

Imagem: Vini Munhoz/Flow Games
Se não fossem as ressalvas que senti, como batalhas longas demais e alguns pontos de melhoria, Monster Hunter Stories 3 poderia facilmente entrar no hall da fama de JRPGs. Qualidades de vida, animações incríveis e sistema de combate fluido? Tô dentro.
Monster Hunter Stories 3 foi gentilmente cedido pela Capcom para a realização desta análise.

Monster Hunter Stories 3
Publisher: Capcom
Desenvolvedora: Capcom
Plataformas: PC, PS5, Xbox Series e Nintendo Switch 2
Lançamento: 13/03/2026
Tempo de review: 40 horas
Monster Hunter Stories 3 aprimora TUDO do anterior e faz bonito em uma sequência de alto orçamento. Para ser melhor, bastava ajustes no ritmo e progressão.
Prós
- História bem mais séria e protagonista com diálogos
- Sistema de combate foi expandido e ficou ainda melhor
- Variedade enorme de monstros para capturar
- Qualidades de vida extremamente bem-vindas
- Apresentação visual fora de série
- Simplesmente muito divertido
Contras
- Batalhas duram demais e têm aspecto "esponja de dano"
- Barra de montaria está demorando muito mais para encher
- Ainda faz falta não controlar os companheiros











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