
Review: Fatal Frame 2 Remake não reinventa, mas traz bom terror
Jogamos Fatal Frame 2 Remake, mas fica a dúvida: ele está à altura do original e de remakes modernos? Veja o review
Imagem: Koei Tecmo
os anos 2000, o sinônimo de terror poderia ter alguns nomes, como Silent Hill, Forbidden Siren, Rule of Rose e outros, mas nenhum se comparava a Fatal Frame. Agora, o segundo game ressurge como Fatal Frame 2 Remake e pode ser a nova porta de entrada para uma geração inédita.
Mas, com tantos anos de distância e muitas mudanças nos paradigmas do que podemos considerar assustador, será que a reimaginação de um clássico consegue se modernizar para atender os padrões contemporâneos ou será que algo pode ter sido perdido ao tentar registrar novamente a experiência em uma nova fotografia?
Os resultados variam e, no geral, Fatal Frame 2 Remake consegue entreter e trazer a tensão constante do original, mas pode ser um pouco inconsistente até mesmo entre seus pontos positivos. Venha ver nossa análise completa!

Imagem: Flow Games/Vini Munhoz
História macabra, múltiplos finais e tramas paralelas novas
Antes de começar, não, você não perde nada por começar no segundo game da série, mesmo que Fatal Frame 2 Remake seja, como o nome diz, uma reimaginação. Todos os jogos são relativamente independentes e não há problemas começar pelo segundo (que, inclusive, é o segundo remake também, já que tivemos Project Zero 2 no Japão e Europa).
A trama de Fatal Frame 2 Remake, assim como no original, é um dos pontos altos da jogatina. No enredo, controlamos Mio, irmã gêmea de Mayu, que acaba adentrando um vilarejo macabro, esquecido no tempo, com uma atmosfera que exala ameaça em cada canto.

Imagem: Flow Games/Vini Munhoz
A campanha assustadora e enigmática é retrabalhada de forma excelente, recriando os eventos do original e adicionando tempero à fórmula que adiciona bastante para modernizar a experiência. É tudo muito intrigante e você vai ser fisgado em poucos minutos.
Afinal, a história de Fatal Frame 2 Remake é cativante e os eventos são desdobrados rapidamente: duas irmãs adentram uma vila parada no tempo, de forma literal e figurativa, que é sempre noite, e há espíritos rondando cada esquina. Tudo remonta a um bizarro ritual de purificação envolvendo crianças gêmeas e ficamos com a pergunta: como Mio e Mayu se encaixam nisso?
Não é à toa que Fatal Frame 2 está no hall da fama dos jogos de terror e você pode esperar um enredo bem pesado, excelente atmosfera japonesa rural e um dos melhores games de horror espiritual que há por aí. Fatal Frame 2 Remake honra esse legado e expande alguns conceitos.

Imagem: Flow Games/Vini Munhoz
Entre eles estão as histórias paralelas de pessoas que acabaram perdida no vilarejo da mesma forma que Mio e Mayu. Essas tramas secundárias já existiam no original, mas o remake aproveitou para criar um formato de “sidequests”, com expansão e aprofundamento para deixar tudo mais atrativo para novos jogadores.
Realmente gostei da maneira que essa expansão funciona por aqui. Elas são totalmente opcionais e contam tramas muito intrigantes que não só são legais por si só, mas como também adicionam bastante contexto à história principal. E, caso queira fazer todos os finais, elas são bem importantes.
Eu finalizei a minha primeira campanha com 11 horas e fiz apenas algumas das missões paralelas de Fatal Frame 2 Remake, mas há pelo menos mais uma ou duas dezenas de horas para ver tudo, adicionando ao fator replay.

Imagem: Flow Games/Vini Munhoz
Gameplay é muito modernizado, mas… talvez até demais?
Se você jogou o original, sabe que Fatal Frame 2 era inteligente ao utilizar suas próprias limitações a seu favor para criar tensão: a movimentação lenta, as animações mais travadas e as câmeras fixas não só se tornaram funcionalidades de game design, como também elevaram o terror. Mas como isso funciona em um remake?
Fatal Frame 2 Remake traz modificações que você pode imaginar: câmera sobre o ombro, movimentação mais livre, puzzles reformulados e mecânicas modernas de combate. E, honestamente, muitas das adições são positivas e menos burocráticas, mas há uma sensação de troca, não necessariamente adição.
Na maior parte, gostei do que o remake traz. O combate do original sempre foi um dos elos fracos, enquanto sempre senti que o vilarejo tinha mais a oferecer. O remake ajuda bastante a nos dar um playground maior, o que inclui expandir áreas antigas ou até adicionar algumas inéditas.

Imagem: Flow Games/Vini Munhoz
Fatal Frame 2 Remake também adiciona um sistema de filtros de câmera (mas nada de orelhas de cachorrinho) com poderes diferentes para a Camera Obscura, o grande astro por trás da franquia. Os filtros ajudam a ultrapassar desafios de ambiente e também no combate.
Essa nova mecânica ajuda a modernizar a campanha e trazer um gostinho novo muito bom. Há até um sistema de furtividade, caso queira utilizar, além de expansão dos upgrades da câmera ou equipamentos para ganhar efeitos adicionais.
No papel, tudo isso é bem positivo em Fatal Frame 2 Remake. E, honestamente, é. Mas existe também uma outra ótica mais prática, especialmente de um fã do original: de certa forma, o jogo tira o charme e características do jogo de PS2 que não há substitutos por aqui.

Imagem: Flow Games/Vini Munhoz
Quando você aprender a usar os filtros corretos e entender os sistemas de Fatal Frame 2 Remake, você pode se tornar bem poderoso em pouco tempo e não correr perigo algum em qualquer momento. A campanha na dificuldade padrão já não é desafiadora, mas as adições, em algum momento, fazem com que eu não me sinta preso com fantasmas macabros, mas sim que eles estão presos comigo.
As lutas em si são bacanas, especialmente contra chefes, e acho que, em parte, foi o caminho correto a seguir, mas por outro lado achei que as mudanças criam uma experiência mais arcade, mais leviana, do que o terror truncado e tenso do original.
A ideia de modernização de Fatal Frame 2 Remake nasce boa, mas a execução é um pouco inconsistente. Eu não achei o game ruim, longe disso, mas longe de uma obra-prima também. Algo foi perdido na tradução e faltaram ajustes finos para traduzir a experiência. O problema não é a câmera, é o fotógrafo.

Imagem: Flow Games/Vini Munhoz
Em suma, a câmera fixa (ou semi-fixa), os combates mais truncados e rápidos e outros elementos foram modernizados, mas parte do charme é perdido. Cenas de fantasmas aparecendo em cantos improváveis, o filtro sujo de uma vila abandonada e o terror do desamparo dão lugar a novas mecânicas e sistemas que, embora modernas, não necessariamente são melhores.
E convenhamos: o sistema de vagarosamente coletar um item ou abrir uma porta esperando um susto já deu. Assim como o quarto e quinto game, Fatal Frame 2 Remake, novamente aposta na antecipação de fazer tarefas básicas para causar tensão em um possível jumpscare, mas isso já está batido.

Imagem: Flow Games/Vini Munhoz
Ao menos os puzzles são divertidos e há uma pequena dose de desafio por aqui, além de pequenos trechos com inimigos perseguidores que dão uma apimentada. Porém, há tropeços aqui e ali e nem tudo é tão bem-executado.
Diferente de alguns Resident Evil ou o próprio Silent Hill 2 Remake, Fatal Frame 2 Remake não é tão acertado, tão ajustado, tão preciso em trazer a ideia e sentimentos de maneira intacta ou elevada. Porém, isso ainda não tira o mérito de que qualidades de vida foram bem-vindas.

Imagem: Flow Games/Vini Munhoz
Visuais elevam a experiência, mas há impasses técnicos e conceituais
Fatal Frame 2 Remake é bem bonito e acho que é o que muitos fãs esperam. E, de fato, a Koei Tecmo entrega bem na apresentação: visuais bem elegantes que ajudam a criar uma atmosfera macabra para a experiência. Os novos cenários são caprichados e a atmosfera do vilarejo rural japonês brilha em gráficos contemporâneos.
Honestamente, ainda sinto falta da estética pastel e mais rudimentar do PS2 (ou até do Wii, no primeiro remake), mas é algo subjetivo. É inegável que a direção de arte de Fatal Frame 2 Remake é bem boa e há praticamente só pontos positivos para realçar.

Imagem: Flow Games/Vini Munhoz
Além disso, o game roda surpreendentemente bem no PC. Por não usar alguma engine proprietária, a otimização parece bem boa e em um computador high end com uma GeForce RTX 5090, é fácil atingir 60 fps com DLAA (nem precisei usar DLSS em presets menores). No ROG Xbox Ally X, ter tudo no Mínimo me rendeu cerca de 40 a 50 fps – e o game também tem uma versão para Switch 2.
Porém, há alguns detalhes que merecem atenção. Notou que falei 60 fps em vez de citar um benchmark? O jogo tem um limite de 60 quadros por segundo, independente do seu hardware. Além disso, aparentemente os consoles, como o PS5, rodam em apenas 30 fps.
Além disso, há um filtro granulado para emular a sensação “à la VHS” do original que, sendo bem honesto, é horrível. Eu gosto de efeito granulado e há o uso em games atuais, como o próprio Resident Evil Requiem, mas o uso em Fatal Frame 2 Remake é bem, bem, ruim. Ao menos ele é opcional no PC, mas não sei como isso é feito nos consoles.

Imagem: Flow Games/Vini Munhoz
Visualmente, há arestas para aparar, mas no computador não foi um grande impeditivo. A parte de sonoplastia também é muito boa, as faixas musicais ajudam a aclimatar ainda mais o terror e os efeitos sonoros são muito bem-feitos. O que Fatal Frame 2 Remake peca, e muito, é na localização.
Embora Fatal Frame 2 tenha áudio em inglês e japonês, legendas são somente em inglês. Nada de tradução para português do Brasil. Por ser um jogo com muita ênfase em narrativa, esse é um pecado bem grave. Ele não afeta o game em si, que existe de maneira tangencial ao idioma, mas ele pode impactar na experiência.
Há muitos textos e tramas paralelas bem recheados de informações, então espere muita leitura. Até para quem sabe inglês, isso pode ser um problema, já que a leitura é mais carregada. Portanto, fica o aviso.

Imagem: Flow Games/Vini Munhoz
Fatal Frame 2 Remake vale a pena?
Fatal Frame 2 Remake é uma boa modernização de um clássico. Boa, mas não essencial ou espetacular. Pode ser uma ótima maneira de atrair um novo público ao jogo mais famoso da franquia e apresentar um tipo de terror espiritual que, convenhamos, está bem em falta hoje em dia.
Ele faz o melhor trabalho possível? Não. Difícil dizer se por ser fã do original e conhecer o charme da experiência que colocou a franquia no mapa ou se por decisões erradas no game design, mas é inegável que ele não é tão refinado quanto outros títulos de terror do mercado que tomaram a mesma decisão.

Imagem: Flow Games/Vini Munhoz
Ainda assim, Fatal Frame 2 Remake tem uma ótima trama, expande a narrativa de conteúdo secundário, tem áreas inéditas, novos finais, mecânicas interessantes e visuais que ajudam a modernizar toda a campanha. Talvez tudo não tenha sido feito da melhor maneira, mas ainda é a forma mais palatável de jogar um clássico.
Fatal Frame 2 Remake foi gentilmente cedido pela Koei Tecmo para a realização desta análise.

Fatal Frame 2 Remake
Publisher: Koei Tecmo
Desenvolvedora: Koei Tecmo
Plataformas: PC, PS5, Xbox Series
Lançamento: 11/03/2026
Tempo de review: 15 horas
Fatal Frame 2 Remake é uma boa reimaginação, mas às vezes peca pelo excesso de modernidade em detrimento do terror desconfortante.
Prós
- Diversas modernizações são bem-vindas
- Expansão de áreas antigas e locais inéditos
- História excelente que preserva o clima tenso
- Combate foi reformulado e traz muitas novidades
- Sidequests foram expandidas e agregam bastante
Contras
- Algumas mecânicas diminuem o terror
- Sistema de antecipação de jumpscare já cansou
- Certas mudanças retiram a atmosfera ótima do original
- Travado em 60 fps e filtro ruim de ruído de filme











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