
Review: 007 First Light é uma surpresa muito positiva em 2026
Nós já zeramos 007 First Light e você pode conferir em nosso review se o novo jogo vale a pena
Imagem: IO Interactive
inha infância foi marcada por 007, desde o filme GoldenEye ao jogo homônimo para o Nintendo 64 – e as noites maldormidas em companhia de Sean Connery no Corujão das madrugadas na Globo. Por isso e muito mais, 007 First Light estava no meu radar: além de ser o retorno de uma grande franquia aos games, também é um novo produto da IO, desenvolvedora de Hitman, outra série que me encanta.
A IO Interactive parecia uma das escolhas que encaixam perfeitamente para o papel e, felizmente, posso dizer que temos em mãos uma excelente adaptação que consegue capturar a essência da espionagem, da franquia e até em alguns momentos a galhofada e tom cafajeste que um bom 007 deve ter.
E, se você estava preocupado em falta de ação ou ser “Hitman demais”, fique tranquilo: o DNA da IO pode estar aqui, mas algo único foi criado e mal posso esperar por uma sequência. Da mesma forma que o Vodka Martini de Bond, 007 First Light é batido, não mexido.

Imagem: IO Interactive A/S
História de origem que mescla o clássico com o moderno
A IP 007 está no meio de uma entressafra nesse momento. Enquanto o passado mais exacerbado e quase cômico parece ter saído de cena, a era Daniel Craig também acabou e ainda aguardamos para ver o novo projeto de Denis Villeneuve. E o que isso significa para 007 First Light? Basicamente, uma boa dose de liberdade criativa.
007 First Light nos apresenta a história de um jovem James Bond ainda não iniciado no programa 00 do MI6, serviço de inteligência britânico, nos apresentando uma história de origem que bebe dos romances originais de Ian Fleming, mas traz sua própria dose de originalidade.

Imagem: IO Interactive
Durante a campanha, que me levou cerca de 17 horas para concluir, não vemos apenas um novo 007 em ação, mas James Bond se tornando o icônico personagem. Dessa maneira, vemos um Bond mais imaturo, aprendendo o manual e refinando o seu charme, algo que achei bem legal e intrigante de acompanhar.
No enredo de 007 First Light, seguimos uma trilha de migalhas para encontrar o antigo agente 009, que se rebelou e busca vingança contra o MI6, mas nem tudo é o que parece nessa grande cortina de fumaça que traz grandes reviravoltas. Não vou entrar em detalhes, mas a campanha oferece grandes reviravoltas, vilões intrigantes com motivações críveis e um ritmo muito gostoso de aproveitar.
Além de ter uma história de origem que muito me agradou, 007 First Light também apresenta um elenco de suporte fenomenal. Adorei a grande parte dos personagens, como Moneypenny, M e Q, cada um deles com um tempero próprio e original, mas também gostei muito dos outros agentes em ascensão, como Monroe, Cressida e até o mentor Greenway, interpretado pelo ator Lennie James.
Há um excelente desenvolvimento de personagens e o jogo não se preocupa em dar um bom tempo de tela para cada um deles. É legal ver toda a etapa de treinamento de James Bond sem parecer um grande tutorial e é ainda mais legal ver a evolução pessoal de cada figura, já que há até mesmo momentos entre missões para conversar com seus aliados e descobrir mais sobre suas personalidades.

Imagem: Vini Munhoz/Flow Games
007 First Light acerta no principal quando o assunto é a franquia: toda a trama parece uma obra genuína de 007. Um pouco diferente, com seu próprio sabor, e maior do que um filme, parecendo uma série extremamente bem-produzida do agente secreto, mas ainda assim uma aventura do maior espião do mundo.
O estilo utilizado aqui também me pegou bastante, misturando um pouco do tom mais sóbrio da nova geração de Craig, mas com espaço para muitos usos de bugigangas, humor e algumas galhofas aqui e ali. Sem dúvidas, eu adoraria ver o James Bond de Patrick Gibson novamente – e provavelmente verei, já que o jogo deixa um belo gancho para uma sequência.
Se há uma única crítica aqui é que eu achei os cenários um pouco repetitivos, muitas vezes em ambientes urbanos e com multidões, característica da expertise da IO. Não é ruim, apenas gostaria de ver uma variedade um pouco maior.

Imagem: Vini Munhoz/Flow Games
Gameplay mistura Hitman, Uncharted e um charme próprio
Uma das preocupações dos fãs de 007 era justamente a desenvolvedora de 007 First Light: a IO Interactive. Ela já se provou com a trilogia World of Assassination de Hitman, mas talvez o problema fosse justamente esse. Hitman é extremamente bem-avaliado, mas, ao mesmo tempo, também um jogo mais nichado com seu playground aberto de missões.
Embora eu adore o último Hitman, felizmente 007 First Light não é um Hitman com outra skin. Bom, em partes. As impressões dos trailers de revelação e gameplay prévios foram confirmados e o novo jogo da IO é realmente uma mistura de Hitman com Uncharted, mas há um pouco mais do que isso para exemplificar a experiência.

Imagem: IO Interactive
Em grande parte, 007 First Light é um jogo de furtividade, infiltração e abordagens diferentes para um mesmo objetivo, mas tudo isso é calibrado para uma experiência single player e focada em narrativa, misturando seções de ação espalhafatosas e uma boa dose de trechos que podem ser os dois, mas depende das escolhas do jogador.
Bond tem um papel de infiltração diferente. Além de usar mecânicas de furtividade e acrobacias, o agente secreto tem algumas cartas na manga que o assassino da IO nunca teve: gadgets e puro charme. Q é mais do que um aliado e fornece ferramentas muito divertidas para brincarmos em cada missão.
Ao todo, 007 First Light possui 7 aparelhos especiais, desde dardos tranquilizantes no celular de Bond a um laser capaz de sabotar itens do cenário. É possível equipar até 3 dispositivos distintos em cada missão, além do relógio especial que consegue hackear dispositivos à distância, criando distrações e oportunidades bem diferentes de Hitman.

Imagem: Vini Munhoz/Flow Games
Basicamente, 007 First Light consegue elevar a “experiência Hitman”. Muitos jogadores acham que o título de assassino da IO muito complexo, aberto e dependente de tempos de execução preciso, enquanto 007 entrega algo similar e mais linear que nos faz ter a sensação de sermos bons no planejamento. É o game design feito certo, de guiar o jogador sem parecer que é ofertado de bandeja.
Além das bugigangas marcantes, James Bond tem um outro recurso: o agente secreto pode utilizar suas habilidades sociais e carisma para blefar, reunir dados de NPCs do ambiente e muito mais, permitindo que você encontre maneiras pacíficas de passar por desafios que vão desde encontrar uma informação crucial a se disfarçar ocasionalmente.
O game design é muito competente nesse aspecto e traz uma gama muito satisfatória de cursos de ação, seja por adotar uma abordagem de investigação, furtividade ou partir para a porradaria. E sim, a ação é uma das opções, já que não há nenhuma punição por deixar a furtividade de lado.
Inclusive, o combate corpo a corpo de 007 First Light é um destaque à parte. Além de oferecer um sistema competente de golpes, contra-ataques e agarrões, todos os ataques têm contato com o ambiente. Você vai amassar a cabeça de inimigos em impressoras, eletrocutar alguns em dispositivos elétricos e até empurrar adversários de parapeitos.

Imagem: Vini Munhoz/Flow Games
Os próprios gadgets servem para as lutas, como cegar inimigos com o laser, atirar um míssil através de uma caneta (que felizmente esteve presente), arremessar adversários com uma câmera fotográfica e mais. E nada disso fica devendo para o combate de armas de fogo.
Embora protocolar, 007 First Light tem um gameplay de tiro muito satisfatório. Trata-se de um combate em terceira pessoa padrão, mas com toques artesanais para elevar a experiência, como muitos objetos explosivos e uma forma de unir os golpes corpo a corpo de uma maneira muito fluida.
Ficou sem munição? Você pode jogar a sua arma no inimigo e executá-lo em uma finalização, que ainda de quebra deixa arma para você. E que tal atirar nas mãos do adversário para ele derrubá-la? Ou nas pernas para garantir um outro tipo de abate? Você ainda pode usar uma barra especial para focar e desacelerar o tempo e tornar a experiência ainda mais dinâmica.
Talvez um dos pontos negativos do combate e exploração de 007 First Light seja o nível da inteligência artificial, que é uma faca de dois gumes. Sabemos que a IO sabe entregar uma IA de alto nível por conta de Hitman, mas por aqui ela parece um pouco fraca, mais branda, e isso talvez seja proposital.

Imagem: Vini Munhoz/Flow Games
Os inimigos frequentemente não verão algumas atividades suspeitas próximo do personagem, não há estranheza em ser pego em algumas áreas de invasão e por aí vai. A IA é bem branda e releva bastante coisa, mas talvez seja em detrimento de ter uma campanha mais condizente com 007 e um pouco mais cinematográfica.
Há mais algumas mecânicas adicionais, como puzzles eventuais, mistérios para investigar e até mesmo QTE, ou Quick Time Events, dando a 007 First Light um toquezinho de jogo dos anos 2000 que eu acho muito charmoso. E claro, não dá para falar de 007 sem mencionar os carros.
Esse talvez seja um outro ponto fraco da campanha. Existem seções para guiar veículos, mas elas são escassas e na grande maioria das vezes algo apenas para apreciar a vista, sem grandes interações. A dirigibilidade também é bastante arcade e “solta”, não dando um peso legal para os segmentos.

Imagem: IO Interactive
A IO é famosa por adicionar conteúdo extra e já temos programado uma missão especial com um Aston Martin, mas gostaria de ter visto esse elemento mais bem explorado na campanha de 007 First Light.
Se Hitman é um playground de possibilidades, 007 First Light é mais um parquinho guiado, mas que acerta no principal aspecto: nos fazer sentir estar na pele de James Bond. Esse feito, por si só, não é pouca coisa, especialmente por estarmos falando de uma adaptação.
Fator replay tem um grande peso na campanha
Conforme mencionado, 007 First Light se destaca pelos diferentes tipos de abordagem para o mesmo objetivo. Similar a Hitman, as informações que você colhe ficam disponíveis para serem rastreadas e você escolhe qual abordagem vai adotar. É algo mais guiado, fácil e condizente com James Bond e não cria uma sensação sobrecarregada que vemos em Hitman, especialmente para novatos.
E por que isso é importante? Porque mesmo depois de zerar a campanha, é legal retornar e fazer as atividades diversas de todas as missões, seja realizando os objetivos de formas distintas ou realizando desafios especiais que podem passar despercebidos na primeira vez. Inclusive, há alguns easter eggs bem legais, além de diversos colecionáveis.

Imagem: Vini Munhoz/Flow Games
E, se mesmo assim você terminar tudo e quiser mais, 007 First Light traz o Simulador Tático, uma espécie de máquina de realidade virtual para realizar desafios específicos que não envolvem revisitar a campanha. Pense nas VR Missions de Metal Gear Solid e você vai entender mais ou menos.
Há diversas missões especiais e a IO já prometeu novidades por aqui, então o jogo deve ter um suporte de pós-lançamento com mais conteúdo. Inclusive, a próxima missão a chegar por lá é justamente uma exclusiva de carros, então será interessante ver como o jogo se comporta no médio e longo prazo.
Esses desafios de 007 First Light são legais, mas nada perto da qualidade da campanha. Pense como bônus para estender a vida do jogo: legal que existam, mas não espere nada incrível.
Nenhuma obra-prima gráfica, mas entrega o mais importante
Diferente de outros jogos do mercado, 007 First Light traz uma abordagem que tem se tornado cada vez mais rara: utilizar um motor gráfico proprietário, chamado por aqui de Glacier Engine. E, certamente, é interessante ver o salto gráfico desde Hitman, um game de outra geração e com foco em coisas bem diferentes.
Por ser um título bem mais focado em narrativa, a IO Interactive trouxe visuais bem mais refinados, expressões faciais melhoradas e uma apresentação bem bonita de se ver em tela. Os cenários, embora não muito variados, têm uma qualidade muito alta, desde objetos a NPCs genéricos.

Imagem: IO Interactive
A desenvolvedora aprimorou bastante o seu sistema de multidão, característico de Hitman, e oferece cenas mais dinâmicas, personagens que podem ter interações com Bond e uma apresentação visual elevada. Não é nada que vai chamar atenção entre os melhores gráficos da geração, mas certamente não faz feio.
Jogando no PC com uma GeForce RTX 5090, a taxa média de quadros passava facilmente dos 110/120 fps no DLSS Qualidade com tudo no Ultra (enquanto trechos mais pesados garantiram cerca de 90 fps). E claro, caso você queira utilizar o DLSS 4.5, é possível utilizar o framegen de X2 a X6, além de a opção dinâmica diretamente do menu do jogo.
O DLSS 4 funciona muito bem e me rendeu sempre a minha taxa de atualização do monitor em X2 ou X3, chegando ou ultrapassando os 240 fps. Há alguns artefatos de ghosting aqui e ali, mas nada que estrague a apresentação. O único ponto negativo é que o path tracing prometido pela IO não deve chegar agora em 007 First Light.
Mas e em setups mais modestos? Não tenho um “PC fraco” para testar, mas o ROG Xbox Ally X, embora seja um portátil potente, pode acabar servindo de parâmetro. Em cenas mais pesadas, com tudo no Baixo, FSR Qualidade e 1080p, tive resultados perto da casa dos 40 fps (e chegando a 60 em ambientes menores).


Portanto, parece que 007 First Light deve ser um jogo que escala bem em diferentes tipos de hardware, mas sem deixar cair a bola na apresentação visual.
E, por fim, mas não menos importante: a trilha sonora é muito boa, mas enalteço especialmente os pontos-chave da trama em que as músicas icônicas dão as caras, mostrando o progresso de James Bond rumo ao título de 00. Você praticamente espera por elas serem reproduzidas e o jogo parece ler a sua mente, criando momentos memoráveis.
007 First Light vale a pena?
Assim como o próprio James Bond em seu processo de amadurecimento, 007 First Light comete erros no caminho, mas constrói uma jornada memorável e traz uma dose cavalar de diversão. Similar a Indiana Jones, a IO Interactive soube mais do que apenas adaptar à obra aos videogames com uma história original, mas também capturar a essência.
Ter tanto do DNA de Hitman parecia estranho, mas a desenvolvedora soube concatenar ideias e fazer um ajuste fino que parece cair como um terno perfeito em James Bond. Além de ter uma história muito legal de acompanhar e mecânicas que funcionam muito bem, 007 First Light é uma ótima adaptação de James Bond – e potencialmente gostei mais do que outras que vimos no passado.

Imagem: Vini Munhoz/Flow Games
Há pontos de melhoria que certamente podem ser aprimorados no futuro, como a dirigibilidade e cenários mais variados, mas o que temos nas 17 horas de campanha é bem satisfatório, há bastante fator replay e um gameplay extremamente divertido de aproveitar. Mal posso esperar por uma sequência de 007 First Light!
007 First Light foi gentilmente cedido pela NVIDIA para a realização desta análise.

007 First Light
Publisher: IO Interactive
Desenvolvedora: IO Interactive
Plataformas: PC, PS5, Xbox Series e Switch 2
Lançamento: 27/05/2026
Tempo de review: 20 horas
007 First Light traz uma ótima campanha, boa adaptação da obra e um jogo cinematográfico de dar inveja.
Prós
- Ótima trama, muitas reviravoltas e figuras marcantes
- Captura a essência de 007 ao mesclar presente e passado
- Gameplay balanceia Hitman e Uncharted de forma incrível
- Muitas opções de abordagens e excelente fator replay
- Apresentação visual soberba e boa otimização
- Trilha sonora muito competente e nostálgica
Contras
- Poderia ter uma variedade maior de cenários
- IA é um tanto fraca algumas vezes
- Seções de veículos poderiam ser melhores











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