
Review: Mina the Hollower nasce atemporal e é um JOGAÇO
Já temos o indie do ano? Mina the Hollower é um dos melhores indies que já vimos, confira nosso review
Imagem: Yacht Club Games
mbora não estivesse tão evidente no radar de lançamentos quanto outros indies, Mina the Hollower era um dos grandes lançamentos de 2026 e já vinha promissor: não só a demonstração criou uma expectativa enorme, como também é o novo projeto da Yatch Club, desenvolvedora de Hollow Knight.
E após tanta antecipação, eu achei o jogo… chato. Porém, tudo não passou de uma antecipação para uma grande montanha-russa de emoções e uma experiência que, honestamente, nasce atemporal e clássica: Mina the Hollower não só é um dos melhores jogos de 2026 como também será marcado na história como um dos grandes da história.
Após uma campanha com cerca de 20 horas, Mina the Hollower é uma experiência que cresce, cresce e cresce cada vez mais, oferecendo algo muito além de uma campanha besuntada em nostalgia, mas uma campanha única, refinada e original. Venha conferir o nosso review completo!
Uma história muito melhor do que você espera
Talvez até por sua natureza inspirada em jogos retrô como Zelda e pelo passado com Shovel Knight, eu esperava que a trama de Mina the Hollower fosse exatamente o que a aparência indicava: apenas um pano de fundo. Contudo, há temos interessantes, reviravoltas e um enredo repleto de sutilezas.
Na história, acompanhamos Mina, uma “hollower” (ou “escavadora”), uma espécie de cientista da guilda dos exploradores que realizou um feito impressionante há uma década: ela construiu geradores em uma ilha que mudou o panorama da região, trazendo qualidade de vida e prosperidade.

Imagem: Vini Munhoz/Flow Games
Porém, os geradores começaram a falhar após anos de implementação e ela deve retornar ao pedido de Lionel, o barão e líder da cidade, para resolver a situação. A ilha está mergulhada em caos, com criaturas assombrando a região e mais problemas. O culpado? Thorne, um antigo ajudante de Lionel.
O mais interessante é que Mina the Hollower traz temas como ecologia e o balanço entre tecnologia e natureza, com um “antagonista” (se é que podemos chamá-lo assim) com argumentos muito bons que nos fazem repensar quem realmente está certo.
Por ter uma temática melancólica, é notável que não há resposta correta e nos faz pensar se o que fazemos durante a campanha é a coisa certa. A história está recheada de bons diálogos, ideias interessantes e reviravoltas. Não é o jogo mais focado em narrativa por aí, mas ele entrega muito mais do que você imagina.

Imagem: Vini Munhoz/Flow Games
Um jogo muito aberto desde o começo (e não segura na sua mão)
Uma coisa que você vai notar a partir do primeiro trecho de Mina the Hollower é o quão aberto ele é. Há uma seção linear até chegar à primeira cidade, mas, a partir dali, o mundo é seu para explorar. E isso pode ser uma faca de dois gumes, especialmente no início da aventura.
Mina the Hollower é um jogo de sutilezas, dicas e pistas para seguir, não um “mundo aberto” convencional. Você pode consultar o jornal da cidade de Ossex para ter uma ideia para onde ir e conversar com NPCs para ter dicas de segredos pelo mapa, mas o resto é por sua conta e risco.

Imagem: Vini Munhoz/Flow Games
Não há marcadores, não há mapa ou viagens rápidas (ao menos no começo) e nem pistas de quais recursos, ferramentas e mecânicas você pode ter. Não há tutoriais na tela, sinalizações para onde ir ou até saber se é possível ir para qualquer canto.
Embora pareça frustrante e especialmente difícil de pegar o que Mina the Hollower propõe no começo (ao menos para mim), é incrível a sensação de liberdade e incentivo à exploração. Cada cantinho do cenário reserva segredos, lojas, atalhos, NPCs escondidos, linhas de quests para desbravar e muito mais.
No que parecia uma mistura de Dark Souls e seu mundo interconectado, com o passar das horas Mina the Hollower começa mais a se parecer com um Elden Ring miniatura 2D. O mundo é vivo, recheado de personagens e pequenas histórias para descobrir.

Imagem: Vini Munhoz/Flow Games
Contudo, é imperativo que você siga no seu ritmo e explore. Há sim um minimapa e dicas, há sim um sistema de viagem rápida e mais sistemas para descobrir, mas todos eles são dispostos em dicas sutis. O que pode ser um pouco frustrante e tedioso no começo vai se transformando em uma experiência recompensadora que coloca muitos jogos do gênero bem abaixo do que é entregue aqui.
Mistura de Zelda com soulslike é estranha, demora, mas entrega
Embora eu tenha jogado a demonstração de Mina the Hollower, não estava esperando que o DNA do jogo fosse tão misturado com outros gêneros além de Zelda. E o principal deles curiosamente é o soulslike. É claro que alguns elementos bebem diretamente da raiz do gênero mais contemporâneo e, com o tempo, se torna algo genial.
Na superfície, o combate é simples e rústico: é possível atacar em apenas 4 direções e executar ataques com pulos. Entretanto, há camadas e camadas sobre o alicerce sóbrio. Mina possui diferentes tipos de armas para escolher, upgrades de equipamentos, acessórios que garantem benefícios especiais, melhorias de recursos e mais.

Imagem: Vini Munhoz/Flow Games
Mina the Hollower começa parecendo mais com um Zelda, mas acaba flertando bastante com elementos soulslike em um molde de ação e aventura. Além da dificuldade elevada, chefões bem criativos e seções de plataforma muito engenhosas, há outros elementos que o game toma emprestado do gênero criado por Miyazaki.
Entre eles, há o sistema de cura e checkpoints. Similar às fogueiras de Dark Souls, Mina the Hollower tem as Laborotocas, uma espécie de ponto para recuperar os frascos de vida que fazem os inimigos reaparecerem no mapa, algo que pode tanto atrapalhar o progresso quanto servir de método para acumular ossos, o recurso principal da campanha.
Caso você morra, você perde a sua centelha que contém todos os seus ossos, o recurso que serve tanto para comprar itens quanto para aumentar de nível, e tem uma única chance de retornar até o local e recuperá-la, seja de um inimigo ou por cair no cenário. Caso não consiga, seus ossos são perdidos. Parece familiar?

Imagem: Vini Munhoz/Flow Games
Embora Mina the Hollower claramente se inspire no gênero, há modificações para servir ao propósito de algo inspirado em Zelda também. Cair no abismo não resulta em morte instantânea por exemplo, retornando a personagem para um ponto próximo.
A cura funciona de uma maneira diferente também: você não pode recuperar a vida perdida de forma convencional, já que é necessário bater nos inimigos para recuperar Plasma, uma barra temporária na barra de vida, para aí sim usar uma poção e recuperar pontos.
Porém, Mina the Hollower também constrói seu próprio estilo nos ombros de suas inspirações. Há diversas subarmas bem interessantes para apimentar o combate e não um sistema de esquiva ou parry: a única ferramenta disponível é a escavação. Você pode se enterrar para fugir de ataques ou pular para evitar golpes, mas é basicamente isso.

Imagem: Vini Munhoz/Flow Games
Algumas armas até possuem alguns recursos extras, como o escudo, trazendo variedade ao estilo de combate, o que é muito positivo. O mais interessante é que as armas distintas somadas aos equipamentos especiais criam uma variedade de builds surpreendentemente boa para um jogo que é construído sobre um estilo tão truncado.
Pode não parecer, mas Mina the Hollower tem uma variedade grande de opções. Você pode gastar os seus ossos não só para subir de nível, mas para aprimorar suas armas, comprar novos equipamentos, fazer upgrades (como ter uma centelha extra, mais espaço de equipamentos etc), modificando a forma com que você joga.

Imagem: Vini Munhoz/Flow Games
Esses recursos, inclusive, servem para comprar um mapa para compreender o layout global do cenário, adquirir um trem para viagem rápida e muito mais. Diversos dos problemas e frustrações que encontrei no início vão se ajustando e sendo melhorados, algo que me surpreendeu bastante e acabou me cativando a gastar mais horas e horas.
E, se ainda assim Mina the Hollower ainda parecer muito difícil ou muito fácil, há diversos modificadores para ativar: você pode facilitar a experiência com algumas opções, como remover dano de queda, diminuir o dano de inimigos e mais – ou, até quem sabe, aumentar a dificuldade. Só fique atento: fazer isso bloqueia os troféus.
Mina the Hollower é mais do que a soma de suas partes. Ele tem muitas inspirações de Zelda, soulslike e até Elden Ring até certo ponto, por mais estranho que seja falar isso de um jogo 2D, mas funciona. Talvez mais do que apenas “funciona”, é uma experiência realmente fora da curva, feita artesanalmente para atingir um nível de qualidade muito acima do esperado.

Imagem: Vini Munhoz/Flow Games
Há seções realmente criativas e que mudam bastante o que você faz no jogo, como desafios de plataformas e sistemas de cenário. Em uma das cidades, por exemplo, há um chefão perseguidor que altera drasticamente a sua forma de progredir e explorar.
Em outro momento, você deve lidar com um vento forte que atrapalha os seus pulos, enquanto em outra seção há trovões que podem acertá-lo durante a exploração. E se tudo isso fosse combinado para culminar em uma perseguição final contra um chefe?
As ideias que Mina the Hollower traz à mesa são sempre muito criativas e se concatenam em uma campanha realmente fora da curva. Cada nível é diferente, cada mapa tem algo novo e há sempre novidades para trazer uma nova dose de frescor à campanha.

Imagem: Vini Munhoz/Flow Games
O que encontramos aqui é uma experiência desafiadora, mas extremamente divertida. O level design do mundo funciona maravilhosamente bem e o combate, que parece um pouco truncado no começo, se transforma em algo realmente muito prazeroso. Pode demorar para clicar, mas quando clica, é fantástico.
O único ponto que para mim Mina the Hollower talvez não atinja seu ápice é justamente não pegar na mão do jogador para absolutamente nada. Embora isso seja o fator que realmente eleve a experiência, algumas quests e direções são sutis demais para deixar o jogador perdido. Para terminar o jogo, há uma dose de desafio, mas passa, já as atividades secundárias podem requerer guias.
Apresentação audiovisual incrível
Se você viu algum trecho de Mina the Hollower, certamente notou sua direção de arte claramente inspirada no estilo pixel art de 8 bits. Porém, a Yatch Club não segue à risca o estilo, expandindo a paleta de cores para algo mais próximo do Game Boy, oferecendo um estilo gráfico um pouco mais avançado do estilo original, similar ao que vimos em Shovel Knight.
Pode ser um fator repulsivo para alguns, mas há claramente toques modernos para tornar a experiência mais contemporânea. Os NPCs são muito bem-feitos, os retratos de personagens são lindos, os cenários são bem variados e usufruem de forma magnífica a direção de arte e até mesmo as “cutscenes” (se é que podemos chamá-las assim) são charmosas.

Imagem: Vini Munhoz/Flow Games
Embora funcione maravilhosamente bem na maior parte, a perspectiva levemente isométrica e o estilo visual às vezes atrapalham em um único ponto: inimigos voadores. Mina the Hollower possui um punhado de adversários e até chefões que voam ou invocam elementos aéreos e dependemos de uma sombra no cenário para identificar que estão voando.
O problema? Essa altura pode variar um tanto e é muito difícil distinguir em certas situações se é possível atacá-los ou não. Isso pode ser frustrante em alguns momentos e realmente atrapalhar as batalhas.
No restante, Mina the Hollower dá um show. A trilha sonora é muito original e abraça com um carinho toda a campanha com faixas realmente brilhantes. A sonoplastia é muito condizente e dá um toque especial à experiência.

Imagem: Vini Munhoz/Flow Games
Mina the Hollower vale a pena?
Eu não esperava tanta qualidade e não esperava jogar algo que, para mim, chega já como um clássico. Mina the Hollower é muito mais do que uma homenagem e muito mais do que a soma de suas inspirações. Temos aqui um jogo de aventura que entende todos os fundamentos, aprimora o que já tem e insere suas próprias ideias.
Há um nível de maturidade na campanha do game que exibe a expertise e o alto nível técnico da Yatch Club. Se Mina the Hollower fosse um jogo de Game Boy ou Super Nintendo, de onde tira suas maiores inspirações, ele seria hoje um dos jogos mais clássicos das páginas de história.

Imagem: Vini Munhoz/Flow Games
E acho que essa é a magia: Mina the Hollower chega já atemporal. Por não depender de mecânicas inovadoras ou gráficos de ponta, ele tem tudo para entrar nos anais da história e marcar tanto o gênero quanto o espaço independente, ele é mais do que a soma de suas partes.
Sim, ele é tudo isso mesmo: salvo alguns probleminhas, o título já desponta como um dos melhores do ano e certamente deve ser indicado ao GOTY. Porém, isso talvez seja um detalhe imediatista e de escopo limitado, pois ele será facilmente lembrado como um dos grandes jogos de nossa época.
Mina the Hollower foi gentilmente cedido pela Yatch Club para a realização desta análise.

Mina the Hollower
Publisher: Yatch Club
Desenvolvedora: Yatch Club
Plataformas: PC, PS5, PS4, Xbox Series, Xbox One, Switch e Switch 2
Lançamento: 29/05/2026
Tempo de review: 20 horas
Mina the Hollower é muito mais do que uma homenagem e muito mais do que a soma de suas inspirações, entregando uma campanha criativa e divertida.
Prós
- Narrativa surpreendentemente boa
- Mescla Zelda, soulslike e algo original de forma genial
- Mapa variado e recheado de sistemas únicos
- Combate muito simples, mas complexo e arrojado
- Exploração robusta com dezenas de atividades no mapa
- Apresentação audiovisual fora de série
Contras
- É demorado para clicar e pode ser confuso
- Estilo visual dificulta batalhas contra inimigos aéreos











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