
Review: Control Resonant exala criatividade e DNA da ██████
Zeramos Control Resonant e contamos se a sequência é realmente mais ambiciosa em nosso review
Imagem: Remedy
ontrol talvez seja um dos jogos que mais subestimei na vida e fico feliz de ter dado uma segunda chance a ele. Após Alan Wake 2 avançar os eventos do Remedyverse, Control Resonant chega não só como uma sequência, mas também como um título em um gênero estreante para a ██████ – desenvolvedora que tem espaço de sobra para criatividade.
Por isso e muito mais, as expectativas com Control Resonant eram altas. Porém, a campanha certamente foi uma jornada crescente: o que começou tedioso e bem raso, acabou se tornando em mais um jogaço após minhas 32 horas de jogatina, com um combate que evoluiu bastante e algumas das sidequests mais inventivas que temos por aí.
Se você também está curioso por Control Resonant e quer saber se a Remedy cozinhou mais um título imperdível, confira a nossa análise completa.
Apertem os cintos, a diretora █████ e o █████ está solto
Se você jogou o primeiro Control e até acompanhou os eventos de Alan Wake 2, sabe que a Antiga Casa, local onde está localizado o Departamento Federal de Controle, está em lockdown após o ataque do Ruído, uma entidade paranatural de uma outra dimensão. Control Resonant atua como uma sequência e retoma a partir daí e dá continuação nesse universo.
Se tudo pareceu muito confuso e de outro universo (praticamente de forma literal) é porque realmente temos uma linha narrativa em andamento. Por conta disso, talvez uma pergunta surja de cara: é necessário jogar o primeiro para entender Control Resonant?

Imagem: Steam
A Remedy diz que não e que se trata de um jogo no universo da série que qualquer um pode aproveitar. No menu principal, inclusive, há uma recapitulação dos eventos do primeiro jogo. Minha opinião? Saber o mínimo dos eventos passados é legal para aproveitar melhor, mas não absolutamente necessário.
Inclusive, até como ponto positivo, não há tantos elementos conectados do Remedyverse aqui. Temos uma experiência bem mais contida e que não vai assustar novatos nesse mundo, mas que certamente vai instigar a conhecer mais posteriormente. Por mais que eu quisesse ver o universo “andar”, acho que a decisão é certa para não criar uma sensação à la MCU em que tudo é necessário para apreciar uma história única.
Não vou dar spoilers sobre os eventos de Control Resonant, mas em resumo controlamos Dylan Faden, irmão de Jesse, e que era um dos antagonistas do primeiro game. Ele recebe a arma Aberrante de sua irmã antes de partir da Antiga Casa, que agora teve a quarentena violada e o Ruído está solto em Nova York.

Imagem: Vini Munhoz/Flow Games
Como tudo no universo Remedy, as coisas não são tão simples quanto parecem. O Ruído se encontrou com uma nova entidade, chamada de Padronagem, que contém seu avanço, assim como criou uma contenção fora da realidade na ilha de Manhattan. Agora, cabe a Dylan descobrir o que está acontecendo e resolver a situação ao lado do FBC.
O enredo de Control Resonant é incrível e de longe o maior ponto forte do jogo. O ritmo é muito acertado, há novidades a cada capítulo e uma criatividade exacerbada em cada nova missão da campanha. É inacreditável o quanto a Remedy consegue criar uma arte tão artesanal quando se trata de construir histórias.
Os personagens são extremamente cativantes e os arcos construídos em Control Resonant se pagam, mas são as experiências fora da caixa que criam uma campanha muito memorável. Sim, o objetivo é saber onde está Jesse e por que ela desapareceu, além de como resolver a situação paranatural do novo EMA (Evento de Mundo Alterado), mas o que marca são os eventos do caminho.

Imagem: Vini Munhoz/Flow Games
Toda a jornada do Sumidouro, um evento muito bizarro que mistura uma espécie de mergulho às profundezas do oceano com algo visto no filme “Origem”, exala criatividade, sempre trazendo a experiência em forma de gameplay, não de cutscene – e espere por momentos musicais.
E sem falar muito, não sei como descrever todo o trecho que joguei na Subpassagem. Control Resonant brinca com o conceito de espaço e tempo de uma maneira que nunca vi nem de perto em outro jogo (ou até mídia, para ser honesto). Sem spoilers, mas sério: genial.
E nem comentei sobre a seção do meio para o fim. Praticamente literalmente o jogo se transforma em outra coisa e se você jogou títulos anteriores da Remedy sabe mais ou menos o que eu quero falar, mas obviamente vou evitar por spoilers.

Imagem: Vini Munhoz/Flow Games
Ah, e eu mencionei que Control Resonant não só tem legendas em português do Brasil, mas também dublagem em nosso idioma? Eu testei a dublagem por algumas horas e adorei o resultado, mas a equipe ainda estava corrigindo falas ausentes em nosso idioma, algo que me fez optar por jogar grande parte do jogo em inglês.
A Remedy continua a acertar em cativar os jogadores a descobrir esse universo tão único que construiu. De maneira proposital, informações são retidas do jogador, inserindo cada vez uma coceirinha de curiosidade para explorar cada arquivo de texto e gravação opcional do mundo.
Nos instigar a importar e ansiar pela mecânica e decisão de game design mais tediosa de videogames é realmente um feito, mas espero que assim como eu, você se sinta empolgado para vasculhar cada cantinho de Manhattan por informações. E, por falar no mapa…

Imagem: Vini Munhoz/Flow Games
Mundo aberto: a ██████ acertou mais uma vez
Enquanto Control era uma espécie de metroidvania em um edifício fechado, Alan Wake 2 era mais um Resident Evil com um pouco mais de liberdade para explorar. Control Resonant muda completamente o estilo da Remedy e oferece um mundo aberto realmente grande para explorar e encontrar atividades paralelas.
E eu talvez tenha me equivocado ao dizer que a trama de Control Resonant seja o maior brilho do jogo, porque acho que o mundo criado por aqui talvez seja – ou no mínimo divide o pódio de primeiro lugar.
Cada canto de Manhattan tem algo para fazer, mas não é apenas uma lista de tarefas, embora elas também existam. Cada atividade paralela do jogo é uma história e uma sequência narrativa muito legal e, principalmente, interessante de acompanhar.

Imagem: Vini Munhoz/Flow Games
É simplesmente muito divertido fazer as missões secundárias de Control Resonant. Enquanto você se aventura pelas ruas de Manhattan, objetos estranhos vão destruir algum lugar e você logo vai descobrir um inimigo farsante escondido em algum canto.
Ou que tal uma quest em que um gato que é possivelmente uma entidade paranatural o ajuda a perseguir uma antiga vizinha de condomínio que se transformou em um monstro? Ou as irmãs gêmeas que foram separadas e uma delas pode ter comido o Mofo, uma entidade alienígena de outro universo que pode transformá-la? Ou o táxi que nos leva a um Limiar bizarríssimo?
Ou que tal o cachorrinho que sempre perde seu brinquedo e tem algum mistério por trás? Há puzzles bem criativos também, sempre escondendo alguma passagem para um posto do DFC e uma história gostosa de consumir. Ah, e os Objetos de Poder? Pode esperar várias quests com eles, incluindo um karaokê maligno que faz as pessoas dançarem até a morte.

Imagem: Vini Munhoz/Flow Games
Essas experiências são sempre criativas e até têm algumas mecânicas únicas aqui e ali. O mundo de Control Resonant parece vivo e aprende um fator crucial que, embora óbvio, muitos jogos parecem esquecer: conteúdo opcional não é para inflar, é para cativar e instigar, para nos convidar a mergulhar nesse universo.
O mais legal é que Control Resonant não traz a escolha de game design convencional de mundo aberto: nada de dezenas de pontos no mapa para fazer 100%. É sobre aproveitar a experiência no seu ritmo. Vá até algum local, receba uma chamada de rádio sobre algum evento misterioso e logo você terá mais uma quest divertidíssima para desfrutar.
Falei tanto do que há para fazer no mapa de Control Resonant que acabei até esquecendo sobre o cenário em si. Em vez de um único mapa aberto, temos seções conectadas que funcionam como biomas distintos, como a área central de Manhattan, o Parque que contém o Mofo e outros desafios, a Área de Evacuação com mais perigo, a Subpassagem e muitas outras.

Imagem: Vini Munhoz/Flow Games
Eu adorei a variedade desses segmentos e sempre há novas histórias, desafios e até quests de múltiplas etapas que requerem buscar pelo mesmo elemento no mapa, como o táxi e o cachorro. Como extra, todos esses cenários possuem níveis: quanto mais você aumenta o level do segmento, mais o mapa pode mudar e trazer novidades.
E a cereja do bolo é a forma como a Remedy nos permite explorar todas essas atividades. Dylan também possui poderes de forma similar aos de Jesse, mas há uma diferença: a desenvolvedora fez questão de nos dar praticamente todas as ferramentas logo no início da campanha.
Flutuar, realizar pulos duplos, avanços no ar e mais são ofertados logo no começo da aventura para nos dar a liberdade de fazer o que quiser, algo que acho uma excelente escolha. Isso não quer dizer, no entanto, que não haja mecânicas para desbloquear e dar um senso de progressão, o que é sempre bem-vindo.

Imagem: Vini Munhoz/Flow Games
Existem chefes opcionais para ganhar habilidades de combate e já vou comentar sobre isso, mas há também as Falhas Dimensionais onde perseguimos a linha narrativa de Jesse. Além de nos recompensar com pedaços importantes e até emocionantes da história, há novas ferramentas de locomoção para aprender também.
Isso inclui, inclusive, uma mecânica em que alteramos a gravidade do mundo, criando verdadeiras confusões mentais muito divertidas ao explorar o cenário de ponta-cabeça ou de lado. O mundo aberto de Control Resonant é realmente algo muito bem-feito e criativo. Eu levei 32h para zerar, mas ainda há muito para fazer (estimo que umas 50h seja uma expectativa correta para completar 100%).
Claro, há problemas e algumas repetições, além de tarefas bem protocolares que não agregam tanto à experiência, especialmente alguns pedidos bem mundanos aqui e ali, mas eles podem ser ignorados se você quiser. No geral, a Remedy criou um sistema muito elegante.

Imagem: Vini Munhoz/Flow Games
Combate começa medíocre, mas cresce muito e se torna █████
Assim como o mapa aberto, a Remedy também estreia com algo bem fora da sua zona de conforto: o sistema de luta. Max Payne, Quantum Break, Control e Alan Wake tem todos um elemento em comum: todos eles eram jogos de tiro. Control Resonant é um RPG de ação com mecânicas de hack and slash.
Para ser brutalmente honesto, de início eu achei que a desenvolvedora errou a mão. O combate começa muito, mas muito tedioso. Dylan tem a Aberrante, uma arma bem única que pode se transformar em diferentes tipos de armas brancas, como machados, martelos, foices e espadas, mas, inicialmente, esse conceito é bem pouco aproveitado.

Imagem: Remedy Entertainment
Por algumas horas, você terá um combo básico de três ataques com sua arma de escolha. Depois de um pouco mais de tempo, vai liberar o ataque pesado para variar um pouco, algo que vai evoluir para um finalizador de combo. Além de protocolar, senti que faltava peso, variedade e diversão, tornando a experiência de enfrentar inimigos bem tediosa – que vale reforçar, também tem uma variedade de monstros bem pequena no começo.
Não vou negar, as primeiras horas de Control Resonant foram bem maçantes. Mesmo com algumas habilidades novas de luta, que você sempre escolhe entre algumas opções, ainda faltava algo. Esse sentimento vai desaparecendo com o tempo conforme chefões, novos inimigos e poderes surgem, mas ainda pode ser um processo lento e cadenciado demais.
Contudo, em algum momento as coisas se encaixam. Você ganha novas formas de criar Abalo, a maneira de esgotar a barra de vigor inimiga, e executá-los com mais facilidade, lembrando muito o fluxo que seguimos nos Doom modernos. Habilidades trazem combos de efeitos que interagem entre si, há golpes mais variados que podem ser desbloqueados na árvore de habilidades e por aí vai.

Imagem: Vini Munhoz/Flow Games
Do meio para frente da campanha, Control Resonant realmente clicou comigo no seu sistema de luta, algo que no começo era quase um elemento que eu evitava. Dá para coroar as mecânicas como excelentes e extremamente bem-feitas? Talvez seja exagero, mas elas são bem competentes e divertidas para preencher o gameplay de forma prazerosa, especialmente pelo nível de dificuldade bem-acertado.
Eu só gostaria que houvesse mais variedade e opções. Temos três tipos de armas base, três tipos de armas pesadas e três finalizadores, todos podem ser combinados e criar combos distintos: mas apenas no menu do jogo. Se houvesse uma maneira de trocar entre setups durante as batalhas, teríamos algo bem mais legal em mãos.
Isso porque alguns adversários de Control Resonant são fracos contra fogo, outros contra dano cortante e até contra dano contundente, mas trocar de build é algo penoso (e isso pode se agravar quando esses inimigos surgem juntos). Para um jogo que se vende como um RPG de ação, eu gostaria de poder utilizar somente as habilidades ou armas se quisesse, criando algo mais personalizável.

Imagem: Vini Munhoz/Flow Games
Outro elemento que não gostei tanto é que cada vez que ganhamos uma skill, temos duas ou três opções de escolha, mas elas são relativamente permanentes: pegou o escudo em vez da telecinese ou esfera de energia? Você não tem acesso às outras duas pelo resto da campanha.
Bom, de certa forma. Ainda é possível fazer o famoso respec e mudar a sua build, mas é algo bem burocrático e limitado. Há elementos no fim de jogo que permitem ganhar as “skills deixadas para trás” de Control Resonant, mas é algo bem para frente e de endgame.
De certa forma, Dylan parece mais fraco que a Jesse em uma parte da campanha e não aproveita suas próprias qualidades de vez em quando. Mas, felizmente, se você der uma chance a Control Resonant, ele tem muito espaço para crescer, evoluir e entregar uma jogatina bem divertida.

Imagem: Vini Munhoz/Flow Games
Direção de arte brilha novamente e é ██████████
Esse argumento pode ser subjetivo, mas para mim a Remedy nunca errou em uma direção de arte em seus jogos. Todos trazem inspirações cinematográficas requintadas e exalam o que a desenvolvedora tem de melhor: criatividade. Control Resonant não foge à regra e entrega novamente um nível altíssimo.
O primeiro Control se inspirou bastante na estética brutalista de concreto na Antiga Casa, mas Control Resonant expande esse escopo de formas bem mais criativas e diferentes, com efeitos de surrealismo com seus caleidoscópios e entidades paranaturais que moldam o mundo. Sim, a selva de pedra de Manhattan ainda traz uma familiaridade, mas há muito mais.

Imagem: Vini Munhoz/Flow Games
Cada segmento do mundo aberto é muito diferente do outro, como o Parque com o mofo ou o Desconhecido com as suas loucuras de física, cada um com uma hora do dia e estilo completamente diferentes que me agradou bastante. E, além disso, o jogo é muito competente tecnicamente.
Por utilizar a Northlight Engine, motor gráfico proprietário da Remedy, Control Resonant esquiva dos problemas técnicos de games modernos enquanto entrega ótimos visuais. Rodei tudo em 1440p, com DLAA, tudo no Ultra e Path Tracing ativado e mesmo assim tive bons números de performance.
Em uma GeForce RTX 5090, minha média foi de 80 a 90 fps, mas esse número poderia subir com upscalings melhores do DLSS (ou o uso de geração de quadros). Se limitarmos o path tracing, que é de longe a tecnologia mais pesada, a performance sobe muito mais, então o jogo certamente vai escalar bem com hardwares menos parrudos.

Imagem: Vini Munhoz/Flow Games
Há algumas expressões faciais estranhas e algumas repetições de cenários aqui e ali, mas dado o escopo de Control Resonant, creio que são elementos que passam batidos, assim como os pouquíssimos bugs que encontrei. Realmente temos um jogo bem polido em mãos.
Control Resonant vale a pena? ███
Control Resonant é o tipo de jogo que chamaríamos de “slow burn”: ele começa devagar, sem muitas novidades e ferramentas. Eu honestamente achei que o início da campanha pode ser digno de uma nota 6.5 para algumas pessoas. Mas logo isso sobe para 7, depois 8, e mais e mais.
A jornada é extremamente recompensadora e há novidades a cada momento. Quando achamos que o auge chega na metade, novos cenários, mecânicas e habilidade surgem, sempre entregando algo melhor do que já tínhamos.

Imagem: Vini Munhoz/Flow Games
Aproveitar tudo isso em uma história fantástica e em um mundo aberto divertido de explorar e recheado de histórias paralelas de altíssima qualidade é tudo que eu queria. Se você gosta de algo diferente, criativo e muito fora da caixa, Control Resonant é algo para ter no radar, especialmente com o apoio da Remedy ao Brasil com legendas e dublagem em PT-BR e preço localizado bem abaixo do que vemos por aí.
Control Resonant foi gentilmente cedido pela Remedy para a realização desta análise.

Control Resonant
Publisher: Remedy
Desenvolvedora: Remedy
Plataformas: PC, PS5 e Xbox Series
Lançamento: 24/09/2026
Tempo de review: 35 horas
Control Resonant prova que a Remedy sabe sair da zona de conforto e esbanjar criatividade: é o Toque de Midas em história em um jogo, mesmo que o combate não seja excepcional.
Prós
- História muito interessante de acompanhar
- Mundo aberto ótimo e sidequests MUITO criativas
- Travessia do mapa é boa e presente desde o começo
- Direção de arte fantástica
- Legendas e dublagem em PT-BR
- Em certo momento, combate é bem satisfatório...
Contras
- ...mas começa bem lento e limitado
- Algumas atividades paralelas são monótonas
- Alguns bugs aqui e ali











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