
Humor Disney
Disney Lorcana: O humor da Disney cabe em uma carta?
Descubra como Disney Lorcana transforma o humor dos filmes em ilustrações, nomes, habilidades e situações inesperadas durante as partidas.
Uma carta de Disney Lorcana precisa carregar bastante coisa.
Ela tem custo, atributos, habilidades, classificações, valor de lore, ilustração e, quando ainda sobra espaço, uma pequena frase. No meio de tanta informação, parece difícil imaginar que também exista lugar para uma piada.
Ainda mais quando pensamos no tipo de humor pelo qual a Disney ficou conhecida.
Nos filmes, a graça pode depender da voz, do movimento, da trilha sonora, da expressão do personagem e daquele segundo de silêncio antes da resposta. Uma carta não possui nenhum desses recursos. Ela fica parada na mesa, esperando que alguém compreenda o que está acontecendo.
Mesmo assim, algumas das cartas mais divertidas de Disney Lorcana provam que o humor cabe, sim, naquele pequeno espaço.
Talvez ele não apareça como uma piada completa. Às vezes, basta uma expressão, um nome muito bem escolhido ou uma habilidade que faz o personagem se comportar exatamente como esperaríamos.
O restante da graça fica por nossa conta.
Uma piada sem voz, movimento ou trilha sonora
Pense em personagens como Hades, Gênio, Kronk, Kuzco e Donald.
Boa parte do humor deles está na maneira como falam, reagem e ocupam a cena. Hades parece estar sempre tentando manter uma negociação minimamente profissional enquanto sua cabeça pega fogo. Donald pode transformar qualquer pequeno problema em uma guerra pessoal. Kronk consegue participar de um plano maligno e, ao mesmo tempo, parecer preocupado com o jantar.
Tudo isso é difícil de colocar em uma imagem estática.
A carta precisa escolher um único momento. Não existe preparação, pausa ou montagem. Ela não pode esperar alguns segundos antes de revelar o fechamento da piada.
É por isso que Disney Lorcana utiliza um recurso bastante poderoso: a nossa memória.
Quando reconhecemos determinada pose, expressão ou referência, lembramos automaticamente de como aquele personagem se movimenta e fala. A carta não precisa reproduzir a cena inteira porque o público completa o que está faltando.
É quase como se a voz do personagem aparecesse dentro da nossa cabeça.
O humor não está apenas no que foi impresso. Também está em tudo aquilo que lembramos ao olhar.
Algumas palavras já resolvem o trabalho
Os subtítulos das cartas possuem uma função importante em Disney Lorcana. Eles diferenciam as várias versões de um personagem, mas também podem servir como uma pequena piada.
HeiHei – Boat Snack é um ótimo exemplo.

O nome não tenta transformar o personagem em um grande herói. Ele lembra que, durante boa parte de Moana, HeiHei está mais perto de virar comida do que de salvar alguém.
O próprio texto de ambientação brinca com a ideia de que suas qualidades estão escondidas bem abaixo da superfície. Bem abaixo mesmo.
Dug – Good Boy também não precisa inventar nada muito complicado.

Sua habilidade se chama Fetch! e permite comprar uma carta quando ele entra em jogo caso exista um item na mesa. É uma maneira simples de transformar o comportamento de um cachorro em uma ação dentro da partida. Para completar, o texto de ambientação mostra Dug completamente empolgado ao encontrar uma bola.
Nenhuma dessas cartas conta uma piada longa. Elas apenas apresentam o personagem, lembram uma característica conhecida e saem de cena antes de estragar o momento.
E talvez esse seja um dos maiores segredos do humor em Disney Lorcana: saber parar.
A ilustração precisa encontrar o instante certo
A arte possui uma responsabilidade enorme nas cartas mais engraçadas.
Como não existe animação, o ilustrador precisa encontrar o momento exato em que a expressão, a postura e o cenário contam a história sozinhos.
É o mesmo princípio de uma boa fotografia cômica. Um segundo antes, talvez nada estivesse acontecendo. Um segundo depois, a graça já teria passado.
Donald funciona especialmente bem nesse formato porque praticamente qualquer situação pode parecer o início de uma explosão.
Donald Duck – Pie Slinger mostra o personagem utilizando tortas como armas. A habilidade Humble Pie faz o adversário perder lore quando Donald utiliza Shift, enquanto Raging Duck aumenta sua força quando o oponente já avançou na partida.

A carta transforma toda a personalidade de Donald em uma sequência bastante simples: alguém está ganhando, ele fica furioso e as tortas começam a voar.
É difícil imaginar algo mais Donald do que isso.
A graça não depende apenas da ilustração ou do texto. Ela aparece porque os dois contam a mesma história.
Quando a própria habilidade vira piada
Para mim, as cartas mais interessantes são aquelas em que o humor não termina na imagem.
A habilidade também participa.
Pot of Honey possui uma habilidade chamada I’m Stuck!. Quando o item é banido, um personagem exaurido pode ficar impedido de se preparar no início do próximo turno.

É uma referência clara ao Ursinho Pooh ficando preso por causa de seu amor completamente descontrolado por mel. O texto de ambientação ainda fecha com “Oh, bother. Not again… again.”
O divertido é que a piada também acontece durante a partida.
O personagem adversário realmente fica preso. Não importa se estamos falando de uma criatura pequena, de um herói poderoso ou de um dos grandes vilões da Disney. Alguém encostou no pote de mel e agora terá que lidar com as consequências.
Essa adaptação funciona porque a referência não está apenas decorando a carta. Ela interfere no jogo.
Você não precisa conhecer profundamente as regras para perceber a graça. O pote de mel prende alguém. É isso.
Nem toda carta engraçada precisa ter uma habilidade
No outro extremo está Winnie the Pooh – Hunny Wizard.

A carta não precisa de um grande texto para explicar a situação. Temos o Ursinho Pooh transformado em um feiticeiro do mel, com a classificação Dreamborn, Hero, Sorcerer e Hunny.
Só isso já funciona.
“Hunny Wizard” é uma ideia absurda na medida certa. Parece uma versão criada por alguém que perguntou o que aconteceria se Pooh recebesse poderes mágicos, mas continuasse pensando em absolutamente uma única coisa.
A resposta, claro, envolve mel.
Essa carta representa bem um tipo de humor que Disney Lorcana consegue explorar como poucos produtos da Disney: colocar personagens conhecidos em papéis completamente inesperados sem abandonar aquilo que os define.
Pooh pode virar mago. Só não espere que ele comece a estudar feitiços complexos ou a pensar nos grandes mistérios do universo. Provavelmente, toda a magia continuará sendo usada para encontrar o próximo pote.
Os Dreamborn permitem que Disney Lorcana fique estranho
As versões Dreamborn são um dos melhores espaços para o humor dentro do jogo.
Elas permitem que os artistas e designers imaginem profissões, roupas e situações que não aparecem nas histórias originais. Personagens podem virar detetives, inventores, cavaleiros, piratas ou qualquer outra coisa que faça sentido dentro daquela nova interpretação.
Ou que não faça sentido nenhum, desde que seja divertido.
Esse último ponto é importante.
Nem toda ideia precisa parecer parte de uma grande narrativa épica. Algumas cartas funcionam justamente porque assumem o absurdo.
Attack of the Vine! apresentou Posey – Vampire Potato, uma personagem capaz de utilizar Potato Shift sobre um item chamado simplesmente Potato.

Sim, existe uma batata. Existe uma batata vampira. E existe uma mecânica específica para colocar uma sobre a outra.
As próprias notas oficiais da coleção entram na brincadeira ao explicar todas as regras relacionadas à palavra “potato” e terminar repetindo o termo mais uma vez.
É uma escolha que mostra como Disney Lorcana não precisa se levar a sério o tempo inteiro.
O jogo pode apresentar ameaças, grandes conflitos e versões poderosas de personagens. Também pode olhar para uma batata e decidir que ela merece sua própria transformação especial.
Sinceramente, está correto.
O humor também aparece nos pequenos trocadilhos
Nem toda piada precisa ocupar o centro da carta.
Às vezes, ela fica escondida no nome de uma habilidade ou no texto de ambientação, esperando alguém prestar um pouco mais de atenção.
Abby Park – Over the Top possui uma habilidade chamada Rock the Mic e um texto que brinca com a expressão “power ballad”, colocando o “POW” dentro dela.

É um detalhe pequeno. A carta continuaria funcionando normalmente sem ele.
Mas esse tipo de cuidado ajuda a construir personalidade.
Disney Lorcana possui milhares de cartas. Nem todas podem apresentar uma grande cena ou uma ideia completamente nova. Os trocadilhos e pequenas referências impedem que os textos pareçam apenas instruções secas.
Eles também recompensam quem gosta de observar cada detalhe.
Algumas pessoas abrem uma carta e olham primeiro para a habilidade. Outras querem saber a raridade. Tem também quem pare para ler o texto de ambientação e descubra uma brincadeira que passou despercebida para todo o restante da mesa.
COPAG é a marca brasileira de jogos e baralhos que une pessoas de todas as comunidades e gerações e traz Disney Lorcana oficialmente para o Brasil. Na COPAG você encontra baralhos, jogos e TCG. Acesse o link e garanta o seu em https://www.copagloja.com.br/.
A melhor graça pode acontecer durante a partida
Existe ainda um tipo de humor que não está completamente impresso na carta.
Ele surge da mesa.
Disney Lorcana permite colocar personagens de filmes, épocas e estilos completamente diferentes dentro da mesma partida. Isso significa que situações bastante improváveis podem acontecer.
Um HeiHei fortalecido pode derrotar uma ameaça gigantesca. Um pote de mel pode atrasar um dos vilões mais perigosos da Disney. O Ursinho Pooh pode aparecer vestido como mago enquanto robôs, princesas, piratas e animais falantes disputam lore ao seu redor.
Esses encontros não foram escritos como cenas de um filme. Eles acontecem porque as regras colocam todos os personagens dentro do mesmo espaço.
E existe algo naturalmente engraçado nessa falta de proporção.
Nos filmes, sabemos mais ou menos quem enfrentará quem. Em Disney Lorcana, nada impede que uma galinha confusa se torne o grande problema de Jafar.
Talvez essa seja a forma de humor mais própria do jogo.
Não é apenas uma referência a algo que já aconteceu. É uma história engraçada criada pela partida.
Reconhecer a referência já provoca um sorriso
Também existe uma diferença entre rir de uma carta e gostar da brincadeira que ela apresenta.
Nem todo humor precisa provocar uma gargalhada.
Às vezes, encontramos uma expressão conhecida, lembramos de uma cena e soltamos apenas aquele pequeno sorriso de reconhecimento. Para um jogo de cartas, isso já é bastante valioso.
A Disney construiu personagens com comportamentos muito claros. Sabemos que Donald perderá a paciência, que Dug ficará animado com qualquer coisa, que HeiHei tomará a pior decisão possível e que Pooh encontrará alguma forma de envolver mel na situação.
Quando uma carta acerta essa personalidade, a graça parece natural.
Não temos a sensação de que alguém colocou uma frase engraçada por obrigação. Parece simplesmente que o personagem está sendo ele mesmo.
Uma referência não é automaticamente uma piada
Existe, porém, uma linha fina entre humor e repetição.
Reproduzir uma fala famosa pode ser divertido na primeira vez. Quando toda carta depende apenas de alguém reconhecer uma cena, a brincadeira começa a perder força.
Para funcionar, o humor precisa acrescentar alguma coisa.
Pode ser uma nova ilustração, uma habilidade que representa a situação ou uma versão inesperada do personagem. O importante é que a carta não pareça apenas apontar para o filme e dizer: “Lembra disso?”.
As melhores referências são aquelas que continuam funcionando mesmo quando a pessoa não conhece todos os detalhes.
Alguém que nunca assistiu a Up: Altas Aventuras talvez não reconheça todas as falas de Dug. Ainda assim, consegue entender a graça de um cachorro recebendo uma recompensa porque encontrou um item.
Da mesma forma, ninguém precisa estudar toda a história do Ursinho Pooh para compreender que um pote de mel pode causar problemas.
A referência ajuda. A carta precisa fazer o restante.
O humor muda de personagem para personagem
Outra qualidade de Disney Lorcana está em não tentar fazer todo mundo ser engraçado da mesma maneira.
Donald trabalha com exagero. Hades depende de sarcasmo e irritação. Pooh funciona pela inocência. HeiHei é o caos sem qualquer consciência do que está acontecendo. Dug encontra graça no entusiasmo.
Até os vilões possuem estilos diferentes.
Úrsula é teatral. Yzma mistura ameaça e absurdo. Gaston é engraçado porque sua confiança não possui qualquer contato com a realidade. Kronk, mesmo trabalhando para a vilã, parece estar vivendo uma história completamente diferente.
Uma boa carta precisa entender essa diferença.
Não basta desenhar uma expressão engraçada ou colocar um trocadilho no texto. O humor precisa parecer pertencente àquele personagem.
Quando isso acontece, a carta pode até apresentar uma situação completamente nova. Ainda assim, reconhecemos imediatamente quem está ali.
Então o humor da Disney cabe em uma carta?
Cabe, mas ele precisa mudar de formato.
Uma carta não consegue reproduzir todo o tempo cômico de uma animação. Não possui voz, movimento ou montagem. Em compensação, pode combinar imagem, nome, habilidade e memória de uma maneira muito rápida.
O público olha e completa a cena.
Em alguns casos, lembramos da voz do personagem. Em outros, a habilidade transforma a piada em uma ação. Também existem momentos nos quais a graça nasce apenas porque dois personagens que jamais deveriam se encontrar acabaram disputando a mesma partida.
Disney Lorcana funciona melhor quando entende que o humor da Disney não está somente nas falas engraçadas.
Ele está nas personalidades, nos exageros, nas expressões, nas relações e na capacidade de colocar alguém na pior situação possível pelo motivo mais bobo.
Pode ser Donald iniciando uma guerra de tortas. Pooh utilizando magia para procurar mel. Dug encontrando uma bola. Ou uma batata se transformando em uma batata vampira.
Se a carta consegue nos fazer imaginar o restante da cena, então a piada já funcionou.
E, considerando tudo o que cabe em um booster, talvez um pequeno sorriso ainda seja uma das melhores coisas que podemos encontrar.
Já conhecia o Disney Lorcana? Ficou interessado em querer jogar? Lembrando que você pode conferir seus primeiros boosters no site da Copag!
Para mais guias, análises e conteúdos sobre Disney Lorcana, continue acompanhando o Flow Games.












Comentários