
Call of Duty: Modern Warfare 4: campanha marca retorno à boa forma
Modo campanha de Call of Duty: Modern Warfare 4 passa a régua no arco principal do Capitão Price e recoloca a franquia nos eixos
Imagem: Activision
maior alegria de quem ama videogame é ver uma franquia desgastada (e que parecia ter perdido o rumo) reencontrar a boa forma de outros tempos. Não se trata de mero apego ao passado, de nostalgia gratuita, mas de valorizar pilares sólidos e redescobrir o que tornou a série tão inesquecível em seu auge.
Eu estive aqui no portal, nesta mesma época, em 2025, para publicar minha análise de Call of Duty: Black Ops 7 com um gosto meio amargo na garganta. Não que Black Ops 7 tenha sido um desastre total. Afinal, o multiplayer apresentou alguns dos melhores mapas dos títulos recentes, além de ter entregue, potencialmente, o melhor modo zumbi já feito pela Treyarch.
A campanha com tom sobrenatural, em contraste com os demais componentes de Black Ops 7, foi um fracasso retumbante. Dá para classificá-la, sem peso na consciência, como a pior da saga desde o surgimento de CoD. A Infinity Ward captou o recado e soube que precisava entregar a experiência mais impactante em anos. E isso, meus amigos, foi exatamente o que ela fez em Call of Duty: Modern Warfare 4.
Call of Duty: Modern Warfare 4: conflitos asiáticos
CoDzeiros de plantão sabem que o rolê de Modern Warfare é diferente e fica um nível acima quando o assunto é campanha. Mais pé no chão, Modern Warfare sempre buscou retratar guerras nas quais a realidade flerta com a ficção, o tal do “e se”. E se, pensando alto, a Coreia do Norte invadisse a Coreia do Sul? É essa invasão em grande escala que dita a premissa de Call of Duty: Modern Warfare 4.
Tal como nos outros jogos de Modern Warfare, o conflito geopolítico é o grande protagonista, tendo como fio condutor o Capitão John Price, personagem icônico de CoD. Como é de praxe, o modo história alterna entre a jornada de Price, em sua caça ao Ministro da Defesa da Rússia, brilhantemente interpretado por Mads Mikkelsen, o Cliff de Death Stranding, e sequências protagonizadas por soldados asiáticos.
Em uma das missões, por exemplo, assumimos o controle de Ri Seung-ho, Líder Supremo da Coreia do Norte, em uma fuga desesperada em meio a um golpe de Estado orquestrado pela própria irmã. Em outra, invadimos um vilarejo na pele de um militar norte-coreano, cuja missão é descobrir o paradeiro de um desertor, recorrendo à tortura de civis para obter respostas.

Imagem: Flow Games/Victor Teixeira
Em ambas as narrativas paralelas, Call of Duty: Modern Warfare 4 cumpre um excelente papel ao “amarrar”, de maneira orgânica, os acontecimentos da jornada de Price aos embates na Península. Você fica vidrado desde o primeiro minuto para entender a real influência e, sobretudo, o impacto que Price pode ter nos acontecimentos do outro lado do planeta.
Brutalidade sem filtro
O que mais me surpreendeu, no entanto, muito pelo fator coragem, foi a ausência de filtros na representação da violência. A Infinity Ward teve carta branca para fazer o que bem entendesse e não poupou o jogador de acompanhar algumas das cenas mais sanguinolentas e traumatizantes de Call of Duty.
Mutilações e enforcamentos, por exemplo, são representados sem maquiagem, numa fidelidade visual que chega a assustar e que traduz a realidade nua e crua da rotina de conflitos armados. Prepare-se para rever seus conceitos se você achava que “No Russian” (a perturbadora missão de Modern Warfare 2 no aeroporto) era o ápice da violência explícita em jogos de tiro em primeira pessoa.
O estúdio teve carta branca para fazer o que bem entendesse e não poupou o jogador de acompanhar algumas das cenas mais sanguinolentas e traumatizantes de Call of Duty

Imagem: Flow Games/Victor Teixeira
A campanha de Call of Duty: Modern Warfare 4 pode durar de seis a oito horas, a depender do nível de dificuldade escolhido. É o tempo médio das histórias da franquia, então nada novo sob o sol nesse sentido, o que também não vejo como um defeito. O que a torna tão especial é a variedade impressionante de situações nas quais somos colocados. Fica nítido que a Infinity Ward se desdobrou para não reaproveitar ideias, mecânicas e localidades.
Cada capítulo tem a sua própria pegada: você vai dirigir em alta velocidade, conduzir armamentos pesados, agir sorrateiramente para invadir bases, perseguir terroristas, sair na mão com velhos companheiros e, é claro, “sentar o pipoco” em sequências de pura adrenalina. Tudo em uma intensidade que nenhum filme de Hollywood seria capaz de reproduzir.
Ter deixado o PlayStation 4 e o Xbox One para trás, por mais doloroso que seja para quem permaneceu na oitava geração de consoles, fez um bem enorme a Call of Duty: Modern Warfare 4. Existem trechos nos quais é quase impossível distinguir o jogo da realidade, como na missão em que exploramos uma loja de conveniência coreana com cada produto milimetricamente projetado nas prateleiras.

Imagem: Flow Games/Victor Teixeira
A iluminação, os modelos dos personagens e o nível de detalhes, em especial nos ambientes internos, demonstram uma clara evolução para o fotorrealismo que a série sempre almejou. Em particular, eu nunca fui muito o cara dos gráficos, mas Call of Duty: Modern Warfare 4 me fez querer ser o Digital Foundry. Quando tivermos o PlayStation 6 e o tal do Project Helix, presumo que esse nível de qualidade visual será o padrão da próxima geração.
O peso que faltava
De nada adianta todo esse refinamento se o gunplay não acompanhar o salto técnico. Call of Duty: Modern Warfare 4 não só tem um combate satisfatório e incrivelmente responsivo como também se desapega dos modernismos de Black Ops 7 que, convenhamos, ninguém pediu. Ainda é CoD em essência e você vai estar “em casa” se já jogou qualquer outro título, mas há nitidamente mais peso e cadência na movimentação.
Correr, apoiar-se nas quinas das paredes para firmar a arma e deslizar pelo chão parecem ações mais, digamos, humanas aqui, demonstrando um esforço maior do personagem para realizá-las. Ou seja, em nenhum momento você tem a impressão de estar com um jetpack nas costas ou algo do tipo. Abraçar a autenticidade e o realismo de Modern Warfare dos tempos de Xbox 360 e PS3 foi, a meu ver, a escolha mais acertada para a jogabilidade.
Correr, apoiar-se nas quinas das paredes para firmar a arma e deslizar pelo chão parecem ações mais, digamos, humanas aqui, demonstrando um esforço maior do personagem para realizá-las

Imagem: Flow Games/Victor Teixeira
Ainda assim, o ritmo frenético e característico de Call of Duty foi preservado, porque, bem, simplesmente funciona. Há pausas estratégicas para que você possa tomar fôlego até o próximo embate, mas elas ficam restritas às cutscenes. Quando o controle volta para a sua mão, o couro come solto como há muito tempo não acontecia (papo para jogar com a bombinha de asma do lado).
Goste ou não de Call of Duty, suas mecânicas de tiro em primeira pessoa continuam sendo a referência a ser batida no gênero. Atirar aqui é como terapia e proporciona uma satisfação magnética, cuja experiência tátil é amplificada pelos recursos dos gatilhos adaptáveis e do feedback háptico dos controles modernos.
Um aspecto pequeno, mas que me incomodou, sim, foi a omissão de um troféu de platina. Para os colecionistas que sempre buscaram fechar as campanhas de Call of Duty nas dificuldades mais altas, perder esse incentivo para encarar os desafios é desanimador. Note também que a sua coleção de Modern Warfare ficará com um buraco na prateleira virtual agora que o quarto episódio é tratado como DLC.

Imagem: Flow Games/Victor Teixeira
Veredito
Falando estritamente sobre a campanha, Call of Duty: Modern Warfare 4 passa a régua no arco principal do Capitão Price e recoloca a franquia nos eixos. Da história absolutamente cinematográfica aos ajustes finos de gameplay, o jogo tinha a responsabilidade de se redimir pelos momentos de vergonha alheia proporcionados por Black Ops 7 e, olha só, cumpriu com êxito sua missão. Atualizado, mas sem ser “modernoso” demais, Call of Duty enfim se reencontra com os fundamentos que o fizeram tão grande.
Analisado no PlayStation 5 Pro.
Um código de Call of Duty: Modern Warfare 4 foi gentilmente cedido pela Activision para o propósito de análise.
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Call of Duty: Modern Warfare 4
Publisher: Activision
Desenvolvedora: Infinity Ward
Plataformas: PS5, Xbox Series X|S, Nintendo Switch 2 e PC
Lançamento: 23/10/2026
Tempo de review: 11 horas
Atualizado, mas sem ser “modernoso” demais, Call of Duty: Modern Warfare 4 se reencontra com os fundamentos que fizeram a franquia tão grande
Prós
- Campanha com ritmo para jogar com bombinha de asma
- Variedade de mecânicas: reciclar foi proibido aqui
- Narrativa envolvente sobre conflito asiático
- Visual que flerta com a próxima geração
- Jogabilidade com mais peso e cadência
Contras
- Modo história incorporado como DLC











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