
Review: Castlevania Belmont’s Curse honra o nome da série
Já terminamos Castlevania Belmont’s Curse, primeiro metroidvania da série em 18 anos, e você vê nosso review aqui
Imagem: Konami
er um fã de Castlevania, ou da Konami no geral, foi penoso na última década: a empresa focou em outras áreas e diversas franquias ficaram de lado. E é justamente por isso que Castlevania Belmont’s Curse traz empolgação e até uma expectativa alta por parte de muitos jogadores.
Após Silent Hill retornar de forma triunfal e até Metal Gear Solid ganhar um remake, será que essa é a hora de Castlevania brilhar? E como um novo metroidvania funciona em uma era pós-Silksong? Há muitos pesos e anseios que a Evil Empire, desenvolvedora de Dead Cells e agora de Castlevania Belmont’s Curse, precisou encarar.
E, após mais de 30 horas para fazer 100%, Castlevania Belmont’s Curse pode não ser o maior metroidvania ou até o melhor jogo da série, mas certamente abriu precedente para mostrar que a franquia tem fôlego de sobra nesta geração e para ideias diferentes, mas sem desonrar o legado icônico.
Confira o nosso review completo de Castlevania Belmont’s Curse!
História simples, mas com elementos que fãs vão adorar
Há exceções, como Castlevania Dawn of Sorrow e até Castlevania Lords of Shadow (e a animação, se quiser inclui-la), mas a franquia nunca teve um grande foco narrativo – embora tenha um universo riquíssimo e muito legal de acompanhar. Castlevania Belmont’s Curse está no meio do caminho, mas com alguns temperinhos bem interessantes.
Na trama, seguimos Trevor Belmont e sua filha Rose, fruto do casamento com Sypha Belnades, para livrar Paris de uma noite eterna que assola a cidade – mas, que em um primeiro momento, não há relação com Drácula.

Imagem: Flow Games/Vini Munhoz
A história se passa 23 anos após Castlevania 3 (no qual a animação foi inspirada) e 20 anos após os eventos de Curse o Darkness, mostrando um Trevor mais velho e uma Rose novata. Esse é o alicerce narrativo, mas há outras subtramas em paralelo.
Rose está tentando se provar uma herdeira digna da família Belmont e receber a passagem de bastão (ou seria de chicote?), mas ainda precisa ter suas provações e conquistar a maestria sobre sua própria escuridão: a maldição de Drácula, que matou sua mãe e se manifesta em seu braço. Caso perca o controle de sua calma, a condição pode matá-la ou transformá-la em uma lacaia da noite.
Como você deve imaginar, Drácula retornou de alguma forma e cabe aos Belmonts vivos impedirem seu retorno definitivo. É o clássico bem contra o mal maniqueísta que a série é famosa, sem as nuances que vimos na animação, e com algo bem direto e reto. Contudo, isso não significa que Castlevania Belmont’s Curse não traga algumas surpresinhas.
Entre elas, Rose conta com um recurso: cartas de Tarô que Sypha fez antes de morrer e que podem capturar os Arcanos, entidades enviadas por Drácula, que se tornam tanto habilidades de Rose quanto uma espécie de companheiros da protagonista.

Imagem: Flow Games/Vini Munhoz
Esses Arcanos possuem alguns diálogos bem legais e Castlevania Belmont’s Curse até traz alguns arcos desses personagens, que vão evoluindo conforme a jornada avança.
Não vou comentar nada para evitar spoilers, mas fãs de longa data vão ficar contentes não só com as referências, mas retorno de algumas figuras lendárias. Castlevania Belmont’s Curse pode ter sua simplicidade, mas prova que conhece o universo e sabe inserir elementos muito legais.
Há múltiplos finais para fazer e isso pode ditar bastante o quanto você vai aproveitar Castlevania Belmont’s Curse. Similar a Symphony of the Night, existe um curto, que me levou cerca de 4h30 para terminar, um normal, que me levou cerca de 17 horas para concluir com muitos opcionais, enquanto outro que me tomou quase 27 horas.

Imagem: Flow Games/Vini Munhoz
A grande sacada é que Castlevania Belmont’s Curse é um jogo de camadas: quanto mais você se dedicar, mais legal ele fica, mas se você se manter na superfície talvez não se empolgue. Isso vale para a histórias e seus diálogos, mas também para o sistema de combate e exploração.
Jogabilidade que honra o gênero, mas com pitadas originais
Por algum motivo, a Konami e a Evil Empire evitaram a todo custo o termo “metroidvania” no marketing de Castlevania Belmont’s Curse, talvez pelo “metroid” e direitos autorais, mas não se engane ou tenha dúvidas: o jogo é um metroidvania do começo ao fim, com todas suas características e elementos.
Temos a cidade de Paris para explorar com suas áreas distintas, mas também o próprio castelo de Drácula, trazendo uma variedade bem interessante de cenários. E o melhor de tudo e o que não podia faltar em um bom título da franquia: um ótimo level design.

Imagem: Flow Games/Vini Munhoz
Temos muitas áreas bloqueadas por habilidades e equipamentos, além de segredos bem legais e engenhosos por parte da Evil Empire, que comentarei em breve. Mas o que brilha de verdade é o uso do chicote de Rose para a locomoção, que se tornou um dos fatores mais divertidos para a exploração.
Em Castlevania Belmont’s Curse, Rose ainda não herdou o lendário Vampire Killer, mas tem seu próprio chicote que é usado para a travessia e até combate. Todo o jogo é sobre movimentação de momentum: os movimentos são levemente cadenciados e carregam o peso da protagonista em suas ações.
Se Hollow Knight é sobre precisão e movimentos “apertados”, Castlevania Belmont’s Curse é mais sobre fluxo. Eu realmente gostei de explorar cada canto do mapa, que traz uma quantia surpreendentemente grande de desafios de plataforma, algo que tem feito falta atualmente, tanto no gênero quanto na indústria.

Imagem: Flow Games/Vini Munhoz
É simplesmente divertido se balançar com o chicote, encontrar áreas novas e até mecânicas diferentes, como quadros que podem ser usados como avanço, plataformas temporárias, espinhos e mais, o que inclui até alguns puzzles e desafios únicos.
Contudo, vale um aviso: Castlevania Belmont’s Curse tem um começo lento e muitas das habilidades de travessia e de desbloqueio de mapa são, por incrível que pareça, opcionais em grande parte. Esse é um jogo de camadas e quanto mais você se dedicar, mais vai encontrar, mas é totalmente possível terminar o jogo sem ver muitos de seus melhores momentos e mecânicas.
As coisas começam para valer quando o castelo de Drácula surge e há enigmas e desafios aos montes para desbravar, desde mais pistas sobre o paradeiro dos Arcanos, que podem ser capturados por Rose em suas cartas de tarô, até segredos bem legais para fazer os 100%, que comentarei em outro trecho.

Imagem: Flow Games/Vini Munhoz
Há diversas novas habilidades de travessia para desbloquear: pulo duplo, dash no ar, a possibilidade de quebrar pedras e muito mais, mas diversas delas podem ser perdidas se você não vasculhar o mapa. Até mesmo o segundo sistema de viagem rápida, pelos espelhos, pode nunca ser visto.
Fast travel, por sinal, que é uma faca de dois gumes. O level design é bom, mas os pontos de viagem rápida de Castlevania Belmont’s Curse podem ser bem distantes entre si, especialmente se você não terminar a missão do Arcano da Sábia.
Chega a ser estranho a quantidade de coisas legais que o jogo oferece e os jogadores podem passar batido, sendo possível zerar a campanha em pouco tempo se você não se atentar – e, mesmo fazendo tudo, ele não é tão longo também. Sem dúvidas, poderia ser melhor nesse aspecto, mas o jogo ainda é bem satisfatório.

Imagem: Flow Games/Vini Munhoz
Mas é impossível não comparar Castlevania Belmont’s Curse com uma nova leva de metroidvanias, como Hollow Knight, que se tornou um ápice do gênero. E ele é tão bom quanto, tão diverso e recheado? Não. Ele poderia ser um jogo mais ambicioso, com maior duração, com mais áreas e chefes? Sim.
Honestamente? Castlevania Belmont’s Curse é um excelente retorno da franquia e uma ode ao gênero que ela mesma criou. Sem dúvidas, o jogo não faz feio e como fã fiquei extremamente satisfeito em retornar a esse universo incrível.
Combate é muito prazeroso e variado, mas não espere um RPG
O “metroid” de metroidvania claramente é a progressão, mas o “vania” talvez tenha vindo dos muitos elementos de RPG, como atributos, níveis e equipamentos que Castlevania Symphony of the Night cunhou em um gênero que perdura até hoje e que foi perpetuado em diversos outros títulos da série, como Aria e Dawn of Sorrow, Order of Ecclesia e outros.
Castlevania Belmont’s Curse não é um novo Symphony of the Night. Embora tenha uma variedade de equipamentos e até um sistema de nível, eles são bem simplificados, trazendo uma jogabilidade que parece estar no meio termo entre a ação e aventura dos “classicvanias” e a robustez dos “metroidvanias”.

Imagem: Flow Games/Vini Munhoz
Mas isso não quer dizer que não haja valor e algo único aqui. Os golpes dos sete diferentes tipos de armas são bem legais e variados, trazendo características únicas. A espada, por exemplo, possui golpes evasivos poderosos e são ótimas em DPS, enquanto o chicote tem o maior dano, mas só na distância máxima de seu alcance.
Luvas que podem lançar inimigos no ar, espada e escudo que podem bloquear ataques e magias frontais, espadas de duas mãos poderosas, lanças que servem à longa distância também, espadas duplas rápidas que possuem combos e mais: tudo é bem legal e todas possuem versões lendárias e combinações com o chicote de travessia.
Veja, o chicote de Rose para a exploração não é uma arma, mas uma ferramenta: você usa para se balançar, mas também para se aproximar de inimigos, gerando golpes únicos – e sim, você pode usar o chicote equipável de arma em conjunto com o chicote de travessia.

Imagem: Flow Games/Vini Munhoz
Tudo isso sequer leva em conta as magias: cada carta de tarô de Rose é um Arcano e, consequentemente, uma habilidade especial que você pode usar. Elas funcionam bem como substitutas das armas secundárias dos classicvanias e trazem combos poderosos, que vão desde lançar armas a incendiar a tela inteira.
Castlevania Belmont’s Curse ainda tem elementos mais modernos, como uma esquiva simples e outra mais complexa e longa, um parry proveniente da habilidade de Joanna D’arc e até uma poção de cura, que requer um tempo maior para ser usada e balanceia a dificuldade.
Além disso, armas lendárias trazem habilidades distintas e todas as magias podem ser aprimoradas ao realizar desafios e missões de cada Arcano, trazendo ainda mais atividades para realizar no mapa e recompensando o jogador. Tudo isso é alinhado a um sistema de nível simples e até Relíquias que trazem benefícios especiais.

Imagem: Flow Games/Vini Munhoz
Há uma combinação bem legal de combos em Castlevania Belmont’s Curse e adorei o sistema de luta implementado, trazendo um certo nível de desafio e uma jogabilidade extremamente proveitosa. Por mais que matar os inimigos providencie experiência, eu acabei fazendo mais pela diversão. Isso porque diversos adversários clássicos dão as caras, mas todos são redesenhados, seja visualmente ou até em seus padrões de ataque.
O que começa simples, sem muitas opções e com diversas limitações, se torna algo bem mais robusto, divertido e bem vistoso. Adorei os combates do jogo e as lutas contra chefões são igualmente legais, especialmente as secretas, opcionais e as mais avançadas, que trazem sequências e mecânicas bem interessantes e criativas.

Imagem: Flow Games/Vini Munhoz
Muitos enigmas BEM legais (por favor, não veja guias)
A franquia Castlevania sempre teve sua dose de segredos no mapa e eu tinha receios de Castlevania Belmont’s Curse ser mais linear ou pouco convidativo à exploração, especialmente porque vi alguns objetivos sendo marcados no mapa no começo. Mas rapaz, eu estava errado.

Imagem: Flow Games/Vini Munhoz
Como disse, Castlevania Belmont’s Curse tem múltiplos finais e você não terá problema algum em passar pelos mais simples, mas caso queira se aventurar e realmente ter uma experiência completa, a Evil Empire manufaturou um mapa extremamente legal, cheio de esconderijos, áreas secretas, passagens novas e até enigmas muito engenhosos.
Eu faço apelo: se você jogar e gostar do que tem em mãos, evite procurar guias. A Konami tem respeitado seus jogadores e não tem se acanhado perante puzzles, algo que também está presente aqui. As batalhas têm seus desafios, mas a exploração também não menospreza a inteligência do usuário.

Imagem: Flow Games/Vini Munhoz
Eu gastei algumas horas tentando descobrir o enigma de Notre Dame, algo que se repetiu no labirinto de espelhos e para pegar as luvas lendárias; até encontrar áreas do mapa que havia algo foi divertido de fazer, me obrigando a testar minhas ferramentas e exercitar o meu cérebro.
Castlevania Belmont’s Curse traz um sistema de pistas, algo que a trama até se alinha, e tudo que você precisa saber está escrito em algum lugar, basta juntar as evidências e pensar. Confie em mim: é muito, mas muito divertido caçar pelas áreas e itens secretos nesse jogo.

Imagem: Flow Games/Vini Munhoz
Direção de arte fantástica, mas tecnicamente simples
Ayami Kojima talvez seja uma das minhas artistas prediletas e a direção de arte da franquia sempre foi soberba. E como Castlevania Belmont’s Curse se comporta nesse segmento? Felizmente, é outra pedrada da série, muito com base na linha visual de Katsuya Terada, mas há diferenças entre execução técnica e a direção criativa.
As grandes áreas do game parecem um quadro pintado à mão, com belíssimas paisagens de Paris em chamas, corredores elegantes do castelo de Drácula e muito mais. Adorei a retratação dos cenários e os efeitos parallax, assim com o design de personagens e inimigos – que como citei, estão levemente redesenhados e harmonizam bem com o estilo visual.
A direção de arte de Castlevania Belmont’s Curse é realmente impressionante e captura perfeitamente a essência da franquia. Contudo, a parte técnica deixa um pouco a desejar: nada sério, mas há alguns problemas.

Imagem: Flow Games/Vini Munhoz
Tecnicamente, Castlevania Belmont’s Curse tem sua cota de serrilhados, especialmente quando há cenas de zoom nos personagens, e não entrega nada muito ambicioso. Essas mesmas cenas, inclusive, travam as animações em 30 fps.
As principais cutscenes do jogo também possuem ótima direção de arte, mas todas são slides com alguns poucos elementos dinâmicos, algo que poderia ter um capricho maior. Não é nada que quebre a imersão, mas certamente poderia ser melhor.
E por fim, tive alguns bugs, principalmente envolvendo a câmera. Eles foram raros, mas vez ou outra a câmera não mexia dinamicamente e me impedia de ver a parte de cima ou de baixo do cenário, tornando os desafios de plataforma mais difíceis (mas entrar e sair da área resolveu).

Imagem: Flow Games/Vini Munhoz
Trilha sonora: boa e tem serventia, mas sem a genialidade e diversidade
Não vou mentir: Castlevania Belmont’s Curse não tem a trilha sonora mais empolgante da série e passa um pouco longe de grandes obras-primas, como Symphony of the Night e Rondo of Blood. A música também é a alma da série, mas essa entrada fica devendo um pouco neste departamento.
Com exceção de Bloody Tears, que tem uma remixagem moderna e bem legal, todas as outras músicas são… apenas legais. Você tem algumas exceções, como na área dos espelhos e as faixas finais, mas elas passam uma vibe diferente, às vezes até lo-fi, e não chegam ao nível de maestria do passado.
Além disso, senti que faltou variedade. Há praticamente uma única faixa para cada grande área do jogo e algumas adicionais aqui e ali, bem diferente das dezenas de músicas dos jogos passados – e todas de altíssima qualidade. Castlevania Belmont’s Curse não é ruim, mas, nesse quesito, não corresponde tanto às expectativas.

Imagem: Flow Games/Vini Munhoz
Castlevania Belmont’s Curse vale a pena?
Castlevania Belmont’s Curse foi uma grata surpresa e que me satisfez como fã: não só muito das raízes da franquia retornam, como há elementos próprios que criam um jogo muito proveitoso para uma nova entrada depois de quase duas décadas. Ele é perfeito? Não, mas está no caminho corretíssimo para onde a série pode rumar.
A direção de arte é excepcional, a história é bem divertida, especialmente com os múltiplos finais e personagens surpresa que dão as caras, o combate é extremamente satisfatório e a exploração sabe combinar ótimas mecânicas de travessia com enigmas bem engenhosos.
Há alguns aspectos que Castlevania Belmont’s Curse poderia fazer melhor, como uma duração maior, mais conteúdo e até um sistema de fast travel mais refinado, mas não é nada tire o brilho da diversão.
Na prática, fãs de Silksong e afins talvez não encontrem o mesmo nível de maestria, mas como fã de carteirinha de Castlevania, Castlevania Belmont’s Curse me deixou muito bem-servido e animado pelo futuro.
Castlevania Belmont’s Curse foi gentilmente cedido pela Konami para a realização desta análise.

Castlevania Belmont’s Curse
Publisher: Konami
Desenvolvedora: Evil Empire
Plataformas: PC, PS5, Xbox Series e Nintendo Switch
Lançamento: 15/10/2056
Tempo de review: 35 horas
Castlevania Belmont's Curse é um excelente retorno à franquia após 18 anos e mostra que a série tem fôlego de sobra nas mãos certas
Prós
- História simples, mas que aproveita o universo rico
- Um metroidvania competente e muito divertido
- Exploração e travessia são muito recompensadoras
- Combate começa lento, mas se torna muito satisfatório
- Enigmas aos montes que são muito bem-feitos
- Direção de arte soberba
Contras
- Trilha sonora tímida e sem variedade
- Visuais tecnicamente simples e com alguns bugs
- Poderia ter um pouco mais de conteúdo











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