
Review: Crimson Desert é o Zelda para adultos – mas não para todos
Após 120 horas de Crimson Desert, ele é um dos jogos mais “nova geração”, mas vai dividir opiniões; veja o review
Imagem: Pearl Abyss
uriosidade. Ou “farofa incrível”, como nossos amigos da bancada do Flow Games chamavam Crimson Desert. O jogo que prometia ter de tudo, que mostrou muito, que parecia ambicioso, mas que até agora poucos sabiam exatamente o que esperar, o que inclui eu, mesmo após ver um preview no ano passado.
Não estava com grandes expectativas para o jogo, apenas curioso. Essa era a grande palavra. Mas o que eu encontrei foi algo muito maior, mais denso, complexo, profundo e grandioso do que eu poderia imaginar. O que eu encontrei foi algo que me fisgou por 105 horas de campanha e, até o momento, mais de 120 horas de jogatina.
Nova geração? Esse termo nunca deslanchou e poucas vezes vimos títulos realmente ambiciosos. Contudo, Crimson Desert parece honrar esse termo e trouxe uma experiência muito além do que poderia imaginar, com exploração, puzzles, combate e camadas e camadas de sistemas que parecem nunca acabar.

Imagem: Flow Games/Vini Munhoz
Poucas vezes vi um jogo que após mais de 60 ou 70 horas ainda me apresentava coisas novas e divertidas, que ainda me entretinha e me divertia, o tipo de jogabilidade que convida a desviar da rota principal e passar horas fazendo atividades aleatórias – que quase me causaram uma intervenção, porque precisava terminar a campanha.
Porém, entre muitas novidades, desbravamentos e maravilhas técnicas diversas, Crimson Desert ainda é um estreante da Pearl Abyss no universo AAA single player. E o que isso significa? Que há uma somatória de pequenos problemas, de alguns bugs a melhorias de gameplay, que truncam um pouco a experiência. E saiba: não será um jogo para todos os públicos.
E antes de você conferir nosso review completo de Crimson Desert, alguns alertas: cada experiência é individual e EU tive a sorte de não encontrar muitos bugs. Além disso, joguei a versão de PC e não tenho ideia de como está a experiência nos consoles. Não quero repetir uma história de Cyberpunk aqui, ok? Tudo nos conformes? Então bora para análise.
História morna e pano de fundo do mais básico possível
Eu nem vou me estender muito sobre a trama de Crimson Desert. Primeiro, para não dar spoilers e segundo porque, honestamente, nem tem muito o que falar. O mundo de Pywell é bem legal, apresentação fantástica (como falarei em breve) e um pano de fundo que poderia ser muito frutífero para colher excelentes narrativas, sejam principais ou secundárias.
Na prática? É difícil até tentar resumir, porque a história do jogo é bem, bem fraquinha e de longe o ponto mais negativo, ou talvez menos positivo, do jogo. Basicamente, seguimos Kliff, dos Jubas Cinzentas, que sofre uma grande perda após a luta contra os Ursos Negros, clã que tem planos malignos de dominação no continente.
A partir daí, seguimos o protagonista de Crimson Desert tentando recuperar seus companheiros espalhados aos quatro ventos, entender como sobreviveu à batalha e o que é o Abismo, misterioso plano celeste que parece ter alguma ligação com tudo à la Zelda e suas ilhas no céu, além de entender as tramoias políticas e místicas por trás de tudo isso.

Imagem: Flow Games/Vini Munhoz
Entretanto, a campanha é bem espaçada, confusa e, muitas vezes, parece até que faltou coisa entre missões. De repente estamos indo atrás de um lugar ou uma pessoa sabe-se lá por que, seguimos elementos nunca antes mencionados e participamos de batalhas que nem sabemos o motivo.
Personagens que deviam voltar nunca mais aparecem, regras criadas pelo universo são quebradas e há uma grande confusão do que realmente acontece ao decorrer de 12 capítulos. Não é algo confuso ou complexo demais de entender, apenas algo que parece faltar grandes lacunas para preencher o vazio entre missões.
Existem personagens legais em Crimson Desert e existem sidequests interessantes, só parece que tudo isso… é mal aproveitado, sabe? Especialmente quando paramos para fazer algo no caminho, coisa que você vai fazer muito, tudo é muito desconectado.

Imagem: Flow Games/Vini Munhoz
Realmente a história é, de longe, o que mais deixa a desejar. Se você só joga por uma boa trama, passe longe. Ela não é ruim, não é ofensiva, mas é quase um nada. Em contrapartida, em termos de gameplay há muito o que brilhar.
Mundo aberto que não via desde Red Dead 2 e Zelda Breath of the Wild
Se eu contar a quantidade de vezes que marquei um objetivo no mapa e me deparei com horas e horas de outras atividades, acho que alguém faria uma intervenção por mim. Pode parecer algo protocolar de um mundo aberto, mas não se engane: pelo menos para mim, eu não via algo desse nível de qualidade desde Red Dead Redemption 2 e Zelda Breath of the Wild.
O mundo de Pywell é grande, mas honestamente? Talvez haja mundos abertos maiores. O que assusta é a densidade, pois em todo lugar há algo para fazer: um NPC chamando a sua atenção, um ponto de viagem rápida, um baú de tesouro, pontos de minério, cavalos selvagens para domar, animais para documentar, puzzles e muito mais.

Imagem: Flow Games/Vini Munhoz
Mas isso são as atividades e a exploração é mais do que isso. É se aventurar em Crimson Desert e achar um circo itinerante, com direito a brinquedos interativos e quests que nem imaginei que poderia encontrar. É ir aos confins do mundo e achar atividades estranhas que eu nem sei como e quando terei como explorar.
É encontrar uma vila bizarra com moradores estranhamento felizes com suas máscaras, é ver o vasto horizonte e encontrar uma torre suspeita que pode guardar um segredo. É achar um acampamento de bandidos que, entre o loot, tinha um mapa de tesouro mostrando alguma cachoeira misteriosa do mapa.
Ou que tal explorar o Abismo, as ilhas do céu? De repente, sequências de puzzles complexas são introduzidas para quebrar a cabeça e nos dar recompensas muito legais. E quando eu estava minerando e um passarinho pousou no meu ombro com uma carta para uma quest?

Imagem: Flow Games/Vini Munhoz
Ou que tal quando liberei um acampamento inimigo na pedreira e operei um guindaste, revelando uma passagem secreta com um item muito importante? Ou quando me aventurei nas terras de Pedreludita e encontrei uma cidade que posso pesquisar uma árvore de tecnologia própria? Ou encontrar sinos pelo mundo que mostram mais do mapa e avançam a quest das crianças mágicas?
Esses encontros e surpresas de Crimson Desert me encantaram rápido, me divertiram horrores com 60 horas e mesmo agora, 120 horas depois, continuam a me surpreender constantemente. Crimson Desert é realmente massivo, mas não comete o pecado capital de sobrecarregar o jogador.
Eu realmente senti uma vibe de Zelda realista, mas com a cadência e complexidade de algo mais próximo da Rockstar. Crimson Desert não é um RPG, ele é um jogo de aventura em mundo aberto e não tem progressão por níveis – então nada de ficar ganhando experiência.

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Sério, é tão Zelda que Crimson Desert tem até uma espécie de Ultrahand, chamada de Força Axiom, que você pode pegar objetos específicos de puzzle parra montar (e ela é usada até em combate).
Te garanto que mesmo depois de tanto tempo, não paro de encontrar novos tipos de inimigos, chefões secundários, criaturas estranhas e segredos pelo mapa. Há até 7 bestas lendárias que, acredite, eu só vi de relance uma. Tudo isso sem falar nas atividades registradas para buscar – e há muito, muito para fazer.
Muitas, mas muitas (MUITAS) atividades no mapa – e exalam criatividade
É difícil até listar tudo o que podemos fazer durante as aventuras de Crimson Desert. A lista é tão extensa que talvez seria mais fácil falar até o que não dá para fazer, mas vamos lá. Sidequests é o mínimo de se esperar, mas elas variam bastante em objetivos – e também em qualidade.
Muitas das missões secundárias são divertidas e até trazem um pouco de historinha, mas a parte realmente legal é enfrentar chefes diferentes, desbloquear novos recursos na jornada, equipamentos legais e muito mais. Para dar uma noção, há 667 quests em Crimson Desert e mesmo gastando bem mais de 30 horas dedicado ao conteúdo secundário, completei apenas 159 delas.
Capturar bandidos pelo mapa, limpar acampamentos, resolver puzzles, terminar os desafios do Abismo, encontrar animais lendários e muito, muito mais. Como disse, sequer fiz os desafios dos animais lendários, tenho apenas 3 das muitas montarias e nem encontrei as demais bruxas do mapa, que dão recompensas poderosas.

Imagem: Flow Games/Vini Munhoz
Não progredi a quest das crianças da floresta com sua ambientação enigmática, não explorei grande parte do norte do mapa. E pode ter certeza de que cada cantinho de Pywell tem NPCs misteriosos com novidades para você. E mais: progredir em missões liberam mais delas nas regiões.
Sim, há muitas das famosas fetch quests em Crimson Desert, o leva e traz de itens. Mas como são rápidas e as recompensas são boas, não me incomodei. Além disso, a ida e vinda pelo mapa sempre trouxe novidades para além da missão, além de avançar a progressão da área e que me garantia novos equipamentos e melhorias para o meu acampamento.
Acampamento esse que nem citei até agora. Crimson Desert tem um sistema de gerenciamento de base e mercenários, possibilitando enviá-los em missões para você, como construir edifícios, fazendas, pastos ou até mesmo limpar acampamentos adversários.

Imagem: Flow Games/Vini Munhoz
É algo bem opcional, mas acabei gostando de gastar um tempo para coletar recursos por lá. Aliás, quase tudo é opcional, quase tudo é bem aberto para a hora que você quiser. De certa forma, você faz o seu ritmo e a sua progressão em Crimson Desert, seja procurar por pontos de viagem rápida, encontrar seres místicos ou desbloquear novas regiões.
Quer jogar o poker de Crimson Desert? Só vai (inclusive, você pode pegar trapaceiros no pulo). Jokenpô com crianças? Divirta-se. Que tal roubar cabras e carroças para contrabandear no mercado negro? Manda ver. Resolver enigmas super elaborados do mundo aberto? Se joga. Minerar? Cortar madeira? Caçar? Pegar recursos? Fique à vontade.
Missões de carroças, pescaria, cozinhar, missões para encontrar soluções no mapa, desafios de gameplay, treinar mascotes, diversos tipos de pesquisa? Pode ter certeza. E achar novas montarias, montar em dragões, pilotar mechas e mais? Sim! Sério, eu achei que fiz muito, mas parece que eu ainda vi muito pouco de tudo que há.
São exemplos, mas poderia oferecer mais de uma dezena aqui e não vou me estender. Há uma quantidade colossal de coisas para fazer e atividades diversas, todas muito diferentes, especialmente nos puzzles. É legal que toda vez que pensei se algo era possível, eu consegui fazer – como, por exemplo, vale citar que todo o maquinário do mapa inteiro é interativo.

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Não espere que Crimson Desert segure sua mão (para bem e para mal)
Crimson Desert é muito minucioso em detalhes, níveis realmente que se você testar, provavelmente vai conseguir. A física de madeiras que você quebrou é muito realista e elas serão levadas por um barranco ou pela correnteza de um rio. O ornitorrinco que eu peguei e soltei no rio? Ele saiu nadando com uma animação somente para a água.
Grande parte do cenário de Crimson Desert é destrutível durante as batalhas, causando dano nos inimigos ou até soltando partes, como colunas, que você pode pegar e usar nos embates. Há tantas coisas interativas que é difícil elencar, como sistemas aos montes: temperatura corporal, locais que você só entra com a roupa certa, disfarces de inimigos, escutar conversas em segredo etc.

Imagem: Flow Games/Vini Munhoz
E eu falei que quase todos os NPCs de Crimson Desert podem conversar com você e às vezes até dar dicas do mundo? E que praticamente todas, sim, TODAS as casas podem ser abertas e exploradas? Vira e mexe encontraremos receitas culinárias, livros e mais para aprimorar a jornada. E se uma porta estiver trancada, você pode usar chaves, escalar pela lateral e abrir a janela ou algo do tipo.
Contudo, fica o alerta que pode ser um ponto divisivo para alguns. Embora a planta do que esperar é algo mais próximo de um Zelda realista, a cadência, como disse, está mais próxima de algo da Rockstar. Você vai roubar um carneiro para vender? Terá que levar em um longo caminho a cavalo. Vai escalar uma montanha? As animações são realistas e cadenciadas, não é um Assassin’s Creed.
Vai empurrar pedras em um puzzle? Terá que empurrá-las na velocidade do jogo, que é bem “pesado” em física e movimentação carregada, para resolver o enigma. Tudo é lento, tudo é demorado, tudo é “realista” e isso pode afastar certos perfis.
Não é algo tão complexo e demorado quanto um Kingdom Come Deliverance, por exemplo, mas está muito mais perto disso do que da simplicidade elegante de um Zelda. Não espere um The Witcher 3, não espere um Assassin’s Creed, ele é algo único e experimental.

Imagem: Flow Games/Vini Munhoz
Com mais de 60 horas de jogatina, Crimson Desert ainda me apresentava sistemas inteiros. Para realizar algumas coisas simples, você vai fazer tarefas maiores. Por exemplo? Aprender a construir escudos, arcos e mais requer que você ache livros e leia, segurando o LB, para aprender algo. Para bem e para mal, essa característica é uma espada de dois gumes. Eu particularmente me acostumei rápido e amei, mas é algo a se ponderar.
Crimson Desert até tem alguns tutoriais, mas eles são básicos e muita coisa não é intuitiva. Não é o tipo de jogo que segura na mão do jogador e muitas vezes vamos nos deparar com novidades que não sabemos o que fazer, necessitando criatividade e tentativa e erro. Para algumas coisas bem complexas, isso pode ser uma dor de cabeça.
Sendo franco, isso me incomodou por muitas vezes no começo, mas acho que é um tipo diferente de progresso do que estamos habituados. Com cerca de 30 horas, eu havia me contextualizado e imerso na experiência e mais de 90% das picuinhas que vi no começo sumiram, mas sei que para alguns isso não vai desaparecer.
A mecânica de segurar o lampião e ver brilhos no mapa que são pontos de viagem rápida, por exemplo, poderia ser explicada. A possibilidade de ultrapassar entradas travadas por vinhas e precisam ser queimadas, por exemplo, é explicada apenas com flechas de fogo, mas não com a mecânica de coletar luz na espada.

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Muita coisa que eu aprendi e dominei em Crimson Desert foi de curiosidade e, principalmente, pelo “senso de comunidade”. Parece que similar a Zelda, é esperado que haja uma troca social de figurinhas. Por ser muitas vezes um sandbox, jogadores devem compartilhar diferentes descobertas – o que é MUITO legal.
Contudo, é inegável que pelo menos em algumas coisas Crimson Desert deveria ser mais claro. Em alguns sistemas, a Pearl Abyss poderia mostrar com mais clareza para nos ensinar toda a complexidade do que é possível aqui.

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Combate: legal superficialmente, quase um Tekken para aficionados
Se a exploração e atividades de Crimson Desert são complexas e densas, o combate dependerá do quanto você se dedicar. Se você quiser fazer o arroz com feijão, ataques leves, pesados e socos fazem parte do seu arsenal, assim como uma variedade de armas diferentes, como espada, escudo, espada de duas mãos, lanças, machados e mais, cada uma delas com golpes especiais e moveset diferente.
Contudo, o sistema de luta de Crimson Desert pode ser bem mais complexo do que isso e se aproximar bastante do que vemos, por exemplo, em um jogo de luta. Parries, contagem de frames entre golpes e animações, instâncias diferentes, mais de 5 tipos de agarrões distintos, esquivas perfeitas, ataques precisos logo antes de um golpe adversário e por aí vai.

Imagem: Flow Games/Vini Munhoz
Há golpes elementais poderosos que, por exemplo, eu sequer vi durante minha campanha. Como foquei em zerar e não fiz uma rota convencional, estou vendo muitas novidades somente agora. E, quanto mais fuçamos, mais tem.
O grande brilho na evolução das armas de Crimson Desert está nos encaixes de joias do Abismo, que dão atributos adicionais e habilidades novas – e isso é uma seara inteiramente densa e cheia de coisas para fuçar.

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E uma coisa curiosa: não se engane, Crimson Desert tem um combate acessível e fácil de entender, mas batalhas contra dezenas de inimigos e especialmente chefões são bem difíceis. Bem difíceis mesmo. Alguns chefões me deram trabalho de horas para concluir.
Eu achei muito legal essa surpresa e esperava algo mais simplificado, mas investir pontos de habilidade, builds e entender padrões de ataque fazem muita diferença. Achou que acaba aí? Não, não. Tudo é recheado por aqui. Há outros dois personagens jogáveis, cada um com sua árvore de habilidades, jogabilidade e que podem ser invocados em batalhas, e skills que só podem ser aprendidas “na prática”.

Imagem: Flow Games/Vini Munhoz
Diversos inimigos vão realizar golpes especiais durante o combate e, caso você veja por duas ou três vezes, vai aprender naturalmente. Em alguns casos, isso salva gastar pontos de habilidade, em outros é a única forma de aprender skills únicas.
Até a Força de Axiom, para puzzles, pode ser usada como o braço de Nero em Devil May Cry para puxar inimigos ou ir até eles. Quer mais? O L3 é a sua mão esquerda e o L3 é sua mão direita, o que adiciona aos combos. Quanto mais você se dedicar, mais ele entrega.

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E os bugs? Tive sorte, mas fique atento
Cada experiência é individual e nem tudo é replicável, então entenda o que vier a seguir como algo muito, muito relativo. Eu acho que tive sorte com Crimson Desert e realmente vi poucos bugs. Se tivesse que chutar um número em 120 horas, diria que 20 seria um número arredondado para cima.
Porém, vi outras pessoas com alguns problemas de progressão e eu mesmo tive alguns poucos que me empacaram em atividades paralelas, mas nada que recarregar o save ou em um ponto de viagem rápida para recarregar a área não resolvessem. Não me entenda mal, deveria ser um total de zero, mas os que tive foram muito tranquilos e os poucos mais “severos” foram rápidos e fáceis de resolver.
Alguns outros envolveram animações erráticas em raros casos, problemas de sincronia labial, cabelo desaparecendo, vozes diferentes no mesmo personagem e coisas do tipo. Contudo, eu também vi pessoas com bugs de progressão na campanha principal, coisa que não tive, e possíveis soft lock, ou seja, entraves de progressão, em algumas quests.

Imagem: Flow Games/Vini Munhoz
Outro bug que tive, esse mais severo e que prometeram arrumar, vou minha árvore de habilidades. Além de dar respec (redefinir pontos de habilidade) ocorrer em travamentos do jogo, agora há duas skills que não consigo aprender. Não são significativas, mas ainda assim me incomodou.
A equipe prometeu consertar muito disso no patch de lançamento e talvez você nem encontre problemas. Ou talvez encontre mais. Eu realmente não sei e não coloco a mão no fogo. E, mais uma vez, reforço: não vi Crimson Desert rodando nos consoles e não sei como a experiência está por lá.

Imagem: Flow Games/Vini Munhoz
Há anos não me divertia tanto, mas há uma somatória de pequenos problemas
Se você não percebeu, eu realmente gostei de Crimson Desert. Muito, mas muito mesmo. E mesmo com os problemas que vou relatar aqui, saiba que a minha experiência continua espetacular, mas é inegável que a equipe precisa aparar arestas e não estou falando de bugs.
Alguns sistemas realmente precisam de ajustes pontuais. Lembra que falei de pontos superlegais de ver no mapa e ir atrás? Você precisa tentar adivinhar no seu mapa do menu para onde precisa ir, pois não há o “binóculo do Zelda” para ver e marcar. Ter um sistema de GPS também não seria ruim, algo que está em falta.

Imagem: Flow Games/Vini Munhoz
Gostaria de ver Crimson Desert adicionando um rastreador de itens para craft. Como eu disse, tudo é cadenciado e complexo, às vezes precisava de uma borboleta específica e, 10 horas depois, nem lembrava qual era. O que me leva a outro ponto: não basta guardar tudo no inventário?
Não. O inventário é um grande ponto de atenção para mim. Ele é limitado e você precisa realizar quests para aumentá-lo. Porém, vira e mexe ele é um impeditivo para coletar coisas e não há um baú para guardar equipamentos. Esse espaço limitado acabou sendo contornado, mas mesmo no fim ainda incomodou.
E o inventário é compartilhado com os personagens secundários, só para deixar claro. Alguns itens-chave de Crimson Desert também não desaparecem. Será que posso descartá-lo? Será que as receitas podem ser vendidas? Isso entra, novamente, na parte de que faltam alguns tutoriais. Muito disso seria resolvido com um simples baú. A equipe prometeu trazer algo do tipo no futuro, mas não espere na estreia.
Outros pequenos problemas de Crimson Desert envolvem algumas ações só serem possíveis de realizadas se você estiver posicionado no lugar certo e no ângulo correto, o que incomoda. Além disso, a tradução em português do Brasil precisa ser revista com atenção.


Ela não é ruim, mas claramente está em uma versão diferente do jogo. Em alguns momentos, os Jubas Cinzentas são chamados de Jubapratas. Pelo em ovo, certo? O problema é que algumas quests, como você vê aqui, trazem objetivos vagos em PT-BR, mas não em inglês.
Por fim, alguns sistemas de puzzles também precisam ser aprimorados. Sabe quando em Zelda uma esfera cai no abismo e ressurge na sua frente para você continuar? Em Crimson Desert, caso algum elemento importante caia no abismo, ele só desaparece.
Isso é realmente ruim e não dá para esperar que o jogador saiba que precisa recarregar um save para algo simples (ou pontos de viagem rápida que seja). Outro ponto é que certos puzzles requerem precisão milimétrica: você solucionou, mas não em precisão perfeita. São ajustes fáceis e que melhorariam muito a experiência.

Imagem: Flow Games/Vini Munhoz
Um espetáculo visual e uma aula de otimização
A Pearl Abyss realmente foi uma artesã de sua arte com Crimson Desert. Em terra de Unreal Engine 5, quem tem motor gráfico próprio é rei mesmo. A Black Space Engine não só é majestosa em visuais, como também entrega uma aula de otimização. A direção de Crimson Desert é fantástica e entrega a escala e o realismo idealizados pela equipe.

Imagem: Flow Games/Vini Munhoz
Já entro no assunto direção de arte, mas primeiro sobre otimização. Com tudo no Ultra, Ray Tracing e 1440p, uma GeForce RTX 5090 atingiu média de 110 a 120 fps. Parece normal para algo high end, certo? Bom, tem um detalhe: isso SEM usar o DLSS ou qualquer outro upscaler.
Que, por sinal, estão aqui: DLSS 4, DLSS 4.5, DLSS 4.5 L, você escolhe. FSR também dá as caras. Aí, a performance salta. Usando framgen em X2, passei facilmente dos 200 fps. Os maiores pontos de estresse envolvem dezenas de NPCs em tela, o que fez a performance pairar entre 70 e 80 fps sem DLSS. Pois é.

Imagem: Flow Games/Vini Munhoz
Crimson Desert é um deleite aos olhos. É quase mágica como algo tão grandioso, mas que ainda traz detalhes no micro, consegue rodar bem, parecer bom e entregar tudo. Efeitos climáticos, folhagens extremamente densas e até sombras renderizadas muito ao longe. O ray tracing faz um trabalho fantástico aqui.
O mundo se transforma à noite Crimson Desert muda de tom. Noites claras ainda trazem desafios, mas chuvas torrenciais noturnas criam um verdadeiro breu. Todos os interiores são minuciosamente detalhados, tudo têm efeitos de física realista, tudo é interativo, toda a folhagem se mexe com o vento ou o personagem.
As partículas, como as fumaças, criam sombras. Todos os objetivos ficam no cenário, a física da água e a renderização de corpos d’água é de outro nível. Tudo isso rodando bem. Então não há problemas?

Imagem: Flow Games/Vini Munhoz
Bom, Crimson Desert exibe alguns bugs visuais aqui e ali vindos das técnicas que utiliza, incluindo o denoiser de ray tracing (mesmo com o Ray Reconstruction da NVIDIA). E, além disso, ainda tem um pop-in de elementos meio agressivo e próximo da câmera, então espere ver coisas brotando perto de você em altas velocidades.
Mas, no geral, Crimson Desert é uma maravilha técnica em audiovisual. A trilha sonora é igualmente fantástica e acompanha perfeitamente o senso de aventura, escala e proporções épicas. Esse jogo vai servir de aula para o que vier pela frente.

Imagem: Flow Games/Vini Munhoz
Crimson Desert vale a pena? SIM! Mas não vai ser para todo mundo…
Eu não estava esperando nada de Crimson Desert. O jogo estava no meu radar de curiosidade, assim como outros que não sabia o que esperar. A reação não é de hype exagerado ou uma expectativa forçada, é uma genuína surpresa. Eu, que sou o defensor de que “nem todo jogo precisa ser mundo aberto e ter mais de 100 horas” me peguei completamente viciado.
Com mais de 120 horas até o momento, creio que se eu jogar mais 100 ainda não terei feito 100% do que Crimson Desert tem a oferecer. O mais legal é que mesmo neste ponto, ainda continuo a receber surpresas e conteúdo legal – eu acabei de descobrir que existem leões e alguns animais lendários que possivelmente podem virar montaria e obviamente vou atrás disso.
Há muitos anos um mundo aberto não me conquistava tanto como Crimson Desert fez. O refinamento, a atenção aos detalhes, o senso de aventura e descoberta, o mapa recheado de conteúdo sem exaurir o jogador, o combate refinadíssimo e puzzles elaborados sequestraram o meu tempo. É tanta coisa que até organizar esse roteiro foi desafiador.

Imagem: Flow Games/Vini Munhoz
Contudo, essa é a primeira tentativa da Pearl Abyss em um AAA single player e há arestas para aparar. A história é bem fraca, mas acreditem: se o gameplay estivesse afiado e 100% redondo em absolutamente tudo, esse jogo teria ganhado uma nota 10 minha. Dito isso, há alguns problemas para resolver.
Grande parte deles é pequeno, ajustes menores, algumas traduções, correções pontuais em mecânicas e alguns bugs (ou muitos, não sei se outras pessoas tiveram mais do que eu). Honestamente, não me surpreenderia se em algumas semanas ou até nos próximos meses ele não esteja muito redondo, mas… nesse momento, não vou colocar fichas no incerto.
De qualquer forma, Crimson Desert é um jogaço. Mais do que isso, talvez a experiência mais nova geração, com folga, que vi nos últimos 6 anos. Ambicioso, profundo, denso e complexo. Mas não é para todo mundo e nem todos vão apreciar o ritmo cadenciado e a estrutura muitas vezes de sandbox e liberdade total.

Imagem: Flow Games/Vini Munhoz
Você deve ter notado que citei muitos problemas e parece destoante o elogio excessivo, mas a realidade é que grande parte dos problemas foram dissolvidos ou acostumados com o tempo, além de serem pequenos ajustes fáceis de resolver. Eu sou uma pessoa que gameplay vem sempre em primeiro lugar e a história fraca pode ser compensada, mas não mecânicas ruins.
Se você ama mundos abertos e realizar tudo o que pode fazer no mapa, se perder entre objetivos, se deleitar entre surpresas espalhadas por aí, há um potencial GOTY sem disputa – caso GTA 6 não concorra. Mas vamos ver, porque acredito que a recepção vai ser mista. Nesse momento, nada disso importa: só quero ligar o jogo novamente e explorar os mais de 70% das coisas que não fiz.
Crimson Desert foi gentilmente cedido pela Pearl Abyss para a realização desta análise.

Crimson Desert
Publisher: Pearl Abyss
Desenvolvedora: Pearl Abyss
Plataformas: PC, PS5 e Xbox Series
Lançamento: 19/03/2026
Tempo de review: 120 horas
Crimson Desert é um dos jogos mais ambiciosos da geração. Ponto. Mas é divisivo e tem arestas para aparar.
Prós
- Mundo aberto mais incrível desde Zelda e Red Dead 2
- Mapa recheado de muitas, MUITAS, atividades
- Diversos sistemas, minigames e conteúdo divertidíssimo
- Combate extremamente denso e refinado
- Novidades aparecem mesmo depois de dezenas de horas
- Um espetáculo visual e extremamente bem-otimizado
Contras
- História bem fraca e mal explorada
- Diversos sistemas precisam de ajustes pequenos
- Há bugs para polir (e alguns podem ser graves)











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