
Review: Death Howl traz boa mistura de soulslike e cardgame
Uma das surpresas de 2025, Death Howl acerta em trazer uma combinação intrigante! Veja o review
Imagem: The Outer Zone
nunciado durante o Golden Joystick Awards 2025, Death Howl me chamou atenção: seguindo a tendência de soulslikes do mercado, o game pensou em uma maneira de ser diferente em não cair no esquecimento das cópias que inundam as lojas ao misturar mecânicas de cardgame.
E, felizmente, parece que a ideia não era atraente apenas na apresentação, mas também na campanha com mais de 20 horas. Embora traga algumas frustrações do fator aleatoriedade e uma dificuldade muito punitiva, Death Howl conseguiu entreter com combos engenhosos e um gerenciamento de recursos intrigante.
Ficou curioso? Veja o nosso review completo abaixo!

Imagem: The Outer Zone
Trama mistura melancolia e beleza
Desde o início, Death Howl é instigante por sua ambientação bem diferente. No enredo, controlamos Ro, uma mulher de uma pequena tribo que perdeu o filho recentemente. Contudo, Ro acredita que a morte não pode levar a melhor e tirar seu amado dela e parte para uma jornada espiritual para tentar trazer seu filho de volta.
No reino dos espíritos, a protagonista encontra figuras místicas que, em partes, tenta ajudá-la, enquanto outras se tornam antagônicas a seu progresso. Neste misto de criaturas mitológicas e perigos, a trama se entrelaça com um folclore muito cativante.

Imagem: The Outer Zone
Há diversas quests secundárias oferecidas por personagens enigmáticos que, de uma forma positiva, me lembram um pouco a atmosfera e nuances de filmes como “Peixe Grande e Suas Histórias Maravilhosas”. Há bastante conteúdo e a campanha pode passar facilmente das 30 horas.
De certa forma, a beleza e a melancolia do universo de Death Howl não se contrastam, mas sim se complementam. Boa parte da jornada é sobre enfrentar o luto e entender se é possível seguir adiante. E, ao mesmo tempo, reflete sobre a natureza destrutiva do luto, algo que combina perfeitamente com o gameplay.

Imagem: The Outer Zone
Death Howl tem um gameplay bem único e com pontos fortes
Desde os primeiros minutos de gameplay, você vai ver que a equipe de desenvolvimento da The Outer Zone não usou de forma leviana o termo “soulslike”. O combate de Death Howl é punitivo, brutal e requer pensamento estratégico em cada batalha.
Porém, se diferenciando do estilo de RPG de ação dos outros clones do mercado, Death Howl traz um sistema curioso que funciona surpreendentemente bem: deckbuilding. Em vez de aprender padrões de ataques em tempo real, você tem à sua disposição uma matriz para se movimentar e cartas para atacar ou ganhar recursos.
Entretanto, o seu baralho possui apenas 20 cartas e os recursos para utilizar nos combates são bem limitados – além de ter uma boa dose de aleatoriedade. Para contornar obstáculos, entra a parte de “building” do termo “deckbuilding”: você precisa construir um baralho que consiga trazer os recursos que você precisa, mitigando o fator aleatoriedade.

Imagem: The Outer Zone
Death Howl realmente tem um sistema de combate muito calibrado na maior parte do tempo. Quando funciona bem, ele é difícil, desafiador e muitas vezes brutal, mas não é injusto. Sim, a randomização das cartas pode prejudicar a sua progressão, mas você consegue ter uma certa agência sobre esses aspectos.
E parte de tudo isso funcionar em harmonia é porque Death Howl não é um roguelike, embora você vá morrer inúmeras vezes e recomeçar, mas nunca recomeçar do zero, e sim da sua última “fogueira”, representada aqui por locais de rituais.
Existem pontos no mapa para derrotar monstros e progredir, além de áreas secretas e sidequests únicas. Entre os elementos distintos do DNA de Death Howl estão também as cartas regionais: ao explorar um dos mapas, você pode construir cartas específicas da região.

Imagem: The Outer Zone
Outro aspecto interessante é que as recompensas que você ganha servem a dois propósitos: aumentar o seu nível e ganhar buffs ou construir cartas. Caso queira ambos, terá que grindar bastante (e se quiser as cartas da região, terá que grindar ainda mais). Essa rotina pode ser repetitiva em dado momento e não é o ponto alto da experiência.
Além disso, creio que Death Howl pode ser um pouco frustrante e punitivo demais em vez de desafiador. Você nunca sabe o padrão de um novo inimigo nem qual ataque ele vai realizar, algo que funciona bem em um RPG de ação, mas não tanto em um combate estratégico de turnos e com altíssimo fator aleatoriedade.
Into the Breach, outro jogo indie, traz um bom exemplo de como desafio e estratégia andam de mãos dadas. Faltam algumas qualidades de vida também, como poder desfazer movimentos, mesmo que de forma limitada, evitando algum comando errado que pode custar muito tempo de progressão.

Imagem: The Outer Zone
Essas pequenas coisinhas tornam Death Howl um pouco mais monótono e frustrante do que poderia ser, roubando um pouco da diversão. Ainda acho que é um ótimo sistema de luta e com ideias frescas para se diferenciar no gênero, mas há espaço para polimento.
Excelente apresentação audiovisual
Se você não sabe nada sobre Death Howl, mas se interessou, provavelmente foi por conta de algum trailer ou imagem. Até mesmo as fotos que você confere aqui neste review devem atiçar a sua curiosidade: isso porque cada cenário, batalha ou frame do jogo em suas caixas de diálogos têm um forte apelo visual.
E não é à toa. Death Howl não parece apenas escolher o pixel art como forma de representação do seu jogo, mas abraça e confecciona a experiência entorno disso. Toda a campanha parece um quadro feito à mão que cativa o jogador.

Imagem: The Outer Zone
A equipe da The Outer Zone também acertou em cheio na representação de sonoplastia. Você não vai encontrar nenhuma grande música memorável para ouvir no expediente de trabalho, mas a trilha sonora de ambientação casa perfeitamente com a experiência e eleva o gameplay.
Death Howl vale a pena?
Death Howl é, sem dúvidas, um ótimo deckbuilder com elementos de soulslike. Não só as mecânicas encaixam bem, como a apresentação audiovisual é chamativa e a história fisga a atenção desde o começo. Trata-se de um jogo com muito potencial e que atinge diversas qualidades muito boas.
Eu gostaria que a experiência fosse um pouco menos punitiva, dependente de fator sorte e de grinding das regiões. Quer seja essa uma intenção ou pontos de melhoria, só os devs poderiam dizer. Esses pontos não estragam a experiência, mas sem dúvidas qualidades de vida poderiam tornar a experiência menos frustrante.

Imagem: The Outer Zone
Death Howl é desafiador, com certeza, como o gênero demanda. Mas, às vezes, senti que ele pode ser mais punitivo e frustrante do que realmente difícil e com o melhor cenário de uma boa curva de aprendizagem. E, ainda assim, temos uma ótima campanha.

Death Howl
Publisher: 11 bit Studio
Desenvolvedora: The Outer Zone
Plataformas: PC, PS5, Xbox Series e Nintendo Switch
Lançamento: 09/12/2025
Tempo de review: 15 horas
Death Howl não é perfeito, mas acerta bastante em sua trama emocionante, apresentação e combate singular
Prós
- Trama minimalista, mas cativante e emocionante
- Sistema de combate bem único e desafiador
- Mecânicas de deckbuilding muito boas
- Excelente apresentação audiovisual
Contras
- Pode ser mais frustrante e punitivo do que desafiador
- O excesso de grinding o afasta de um ritmo ideal











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