
Review: Dragon Quest Heroes: Torneko‘s Mystery Dungeon é um patrimônio
Dragon Quest Heroes: Torneko‘s Mystery Dungeon é clássico dos anos 90 que deu vida a subgênero dos rogues
um tempo em que o termo roguelike era pouco ou quase nunca mencionado nos videogames, acredite, o gênero já se mostrava influente no início dos anos 1990. O que ninguém imaginava, no entanto, é que a fórmula de perder e recomeçar do zero passaria a ser uma das mais prolíficas passadas três décadas, ao ponto de até começar a saturar.
Quando roguelike ainda era novidade, aliar uma dinâmica de jogo pouco comum a uma das maiores franquias do Japão foi uma sacada de mestre por não só provar que a franquia de Yuji Horii tinha potencial para render ótimos spin-offs, tão bons quanto os títulos numerados, mas também por consolidar uma receita muito peculiar de fazer videogame.
Lançado como Torneko no Daibōken Fushigi no Dungeon para o Super Famicom, o título foi um marco por consolidar o que hoje conhecemos como Mystery Dungeon, um patrimônio japonês que chegou a render spin-offs de Pokémon anos mais tarde. O game, enfim, chega ao Ocidente como Dragon Quest Heroes: Torneko’s Mystery Dungeon – Classic HD para lembrar o porquê de ser tão relevante.
Dragon Quest Heroes: Torneko’s Mystery Dungeon: um jeito único de fazer roguelike
Se você está por fora do que é Mystery Dungeon, não tem problema, o tio explica. Trata-se de um estilo no qual exploramos masmorras procedurais, separadas por andares, com uma movimentação “em grade” que remete a um jogo de xadrez. Isso significa que o mundo só se move a cada turno, isto é, depois que você executa uma ação, seja dar um passo, usar um item ou atacar.
Parte do apelo da proposta reside na gestão de recursos: é preciso se alimentar, evoluir equipamentos e administrar o espaço do inventário, na intenção de manter somente o que será útil para sobreviver até o final da jornada. Jogar sob a tensão constante de ficar no aperto, sem suprimentos, é uma das coisas mais legais que esse dungeon crawler tático tem a oferecer.
Explorar, portanto, é um elemento fundamental aqui, tanto de Dragon Quest Heroes: Torneko‘s Mystery Dungeon, pioneiro no que se propõe a fazer, quanto de outros games do gênero. A busca por itens, contudo, deve ser feita com parcimônia, já que o excesso pode esgotar seus consumíveis rapidamente. O segredo está no equilíbrio entre desbravar cada canto do mapa e progredir.

Imagem: Flow Games/Victor Teixeira
Como em todo roguelike que se preze, morrer custa caro. Além de a jornada recomeçar do zero, o layout do mundo é alterado para que seja impossível o jogador decorar as posições dos suprimentos, dos monstros e das escadas que usamos para avançar. Para piorar, sua barra de experiência volta para o nível inicial e todo o seu equipamento vai direto para a vala.
Em Torneko‘s Mystery Dungeon, como controlamos o mercador Taloon, figura central de um dos capítulos de Dragon Quest IV: Chapters of the Chosen, a progressão permanente, se é que dá para chamar assim, gira justamente em torno de seu comércio. Você pode expandir a loja, o que, por consequência, amplia a capacidade do inventário e libera novos insumos.
À frente de seu tempo
Até o momento, você deve ter percebido que eu dei uma boa contextualizada do que é Mystery Dungeon, mas todas essas características de gameplay também servem para descrever o derivado de Dragon Quest. Afinal, não dá para esquecer que Dragon Quest Heroes: Torneko‘s Mystery Dungeon foi o responsável por fundar e consolidar esse subgênero dos roguelikes.

Imagem: Flow Games/Victor Teixeira
Olhando agora para a versão revisada em si, os gráficos pixelados do Super Famicom foram preservados, então o que se vê é um bem-vindo, mas ainda modesto salto de resolução, além de cenários adaptados para o 3D. Não é demérito algum que a identidade visual tenha sido conservada, aliás, pelo contrário: os sprites dos carismáticos personagens de Akira Toriyama honram o legado que o mestre deixou nos videogames.
Por ser um roguelike dos anos 1990, o elevado grau de punição faz parte do seu DNA, um aspecto que pode fazer jogadores mais novos de Dragon Quest, diria até que de RPGs no geral, torcerem o nariz. Nem tudo é questão de habilidade: o fator sorte também conta. Em certas partidas, inclusive, fica nítido que o acaso resolveu implicar com você, tornando o recomeço a melhor opção.
Apesar de tudo, há como calibrar o desafio na versão HD. Os facilitadores, entretanto, quando habilitados, desativam os troféus. Por isso, vale a pena pensar duas vezes se compensa, por exemplo, aumentar drasticamente o ganho de pontos de experiência em troca de bloquear as conquistas no perfil. Cada escolha acaba sendo uma renúncia.

Imagem: Flow Games/Victor Teixeira
Por último, mas não menos importante, não posso omitir o fato de que a interface no geral, das fontes de texto às caixas dos menus, poderia ter sido revisada. Torneko‘s Mystery Dungeon não chega a ter aquele aspecto genérico de jogo antigo de celular como muitos produtos da Square Enix, mas dava para melhorar, sobretudo para agilizar a navegação pelos itens. Fica a dica para a próxima.
Veredito
À frente de seu tempo, Dragon Quest Heroes: Torneko‘s Mystery Dungeon também foi fundamental na concepção dos roguelikes e fundou um subgênero para chamar de seu, hoje expandido para diversas franquias, incluindo Pokémon. Ter a oportunidade de revisitar um clássico desse porte, finalmente com localização em inglês (ainda que sem textos em português), é algo que eu jamais imaginei testemunhar. É um presente imperdível para quem é fã e deseja compreender mais a fundo o pioneirismo do Japão no game design.
Analisado no PS5 Pro.
Um código de Dragon Quest Heroes: Torneko‘s Mystery Dungeon foi fornecido pela Square Enix para a realização desta análise.
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Dragon Quest Heroes: Torneko's Mystery Dungeon – Classic HD
Publisher: Square Enix
Desenvolvedora: Square Enix
Plataformas: Nintendo Switch, Nintendo Switch 2, PlayStation 5, Xbox Series X|S e PC
Lançamento: 09/09/2026
Tempo de review: 15 horas
Com boas adições, Dragon Quest Heroes: Torneko‘s Mystery Dungeon debuta no Ocidente após três décadas
Prós
- Concebeu uma fórmula à prova do tempo
- Três décadas depois, continua charmoso
- Melhorias gráficas sutis, mas bem-vindas
- Recursos de acessibilidade, ainda que travem os troféus
Contras
- Sem textos em português
- Interface antiquada e pouco funcional
- Picos de dificuldade acima do normal











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