
Review: Nioh 3 é mais visceral e evolui folclore da série
Mudanças estruturais na exploração e novo estilo de combate marcam os saltos de Nioh 3
Imagem: Koei Tecmo
uando o soulslike não era tão popular quanto nos dias contemporâneos, um humilde Nioh, lá em 2017, buscava seu lugar ao sol. Primeiramente demonstrado apenas a veículos japoneses, o título, lançado em parceria com a Sony, logo conquistou o mundo com suas garras de hack’n’slash, que deixa o ritmo mais frenético do que o típico esquema cadenciado de outros títulos do gênero.
Pouco tempo depois, em 2020, Nioh 2 deu continuidade a esse trabalho, mudando o tom da história e adicionando algumas nuances ao combate. E agora, seis anos depois, em 2026, Nioh 3 vem para coroar essa jornada, com a bagagem de aprendizado da Team Ninja e as influências decorrentes de games dessa categoria, incluindo um certo Jogo do Ano de 2022.
Ter migrado para o mundo aberto – na verdade, a Team Ninja chama de “campos abertos” – foi uma decisão certeira da equipe? Que incrementos o combate, que já é consolidado, recebeu? Como isso afeta a exploração e o ritmo da aventura? Vamos ao review.
Nioh 3: no embalo dos campos abertos
As entradas anteriores da franquia utilizavam uma estrutura típica dos idos da década de 2000, com fases separadas num grande mapa que o jogador usava para selecioná-las, incluindo missões secundárias.
O primeiro Nioh apresentou uma história mais centrada num protagonista, William, navegador britânico que vai até o Japão para desvendar a Amrita, um tipo de pedra preciosa que dá poder a quem a possui. Numa saudável mesclagem de fantasia e realidade, com direito a muito folclore e célebres figuras históricas, entre elas Oda Nobunaga e Hattori Hanzo, o título embarcou numa onda que viria a ser o frisson da indústria dos games – o soulslike – e buscou mudanças na continuação, que abriu mão de um protagonista pré-definido para deixar essa criação na mão dos jogadores.
Nioh 3 segue a mesma premissa, mas volta a concentrar esforços no pano de fundo histórico do Japão, especialmente os períodos Sengoku e Edo, embutindo camadas de profundidade aos diálogos e às cinemáticas, bem como a ideia de viagem temporal. Tais momentos representam uma transformação radical na Terra do Sol Nascente, marcada pela brutalidade e a conquista de territórios, com subsequente estabilidade cultural. Em suas veias, Nioh 3 carrega esse importante DNA.

Imagem: Team Ninja
À procura de mudanças em relação aos antecessores, o game se arrisca a uma grande alteração estrutural: a adesão ao mundo aberto, que aqui, conforme mencionado, se classifica como “campos abertos”. Embora seja difícil “chocar” qualquer jogador veterano com essa decisão por conta da homérica quantidade de jogos disponíveis nos últimos anos, Nioh 3 assume identidade própria em dois pilares fundamentais: exploração e combate.
Tudo se mostra convidativo em suas caminhadas pelos campos abertos: sempre há entradinhas que revelam uma caverna escondida, folhagens que ocultam um esconderijo de inimigos, rochas que induzem o jogador a saltar por elas e por aí vai. Há um botão dedicado ao pulo em Nioh 3, outra bem-vinda adição para imprimir mais fôlego à exploração
Caminhar pelos campos de batalha do antigo Japão traz uma brisa diferente quando você tem os Yokai à espreita, criaturas maléficas ou amigáveis que enriquecem o folclore tão característico dessa franquia. Cavernas, pântanos, florestas, montanhas verdejantes e colinas encobertas de neve buscam saltear os biomas de Nioh 3 para tornar a exploração mais agradável conforme você descobre novas regiões.
Os caminhos tortuosos vão fazer você serpentear sua caminhada o tempo todo, pois tudo se mostra bem convidativo: sempre há entradinhas que revelam uma caverna escondida, folhagens que ocultam um esconderijo de inimigos, rochas que induzem o jogador a saltar por elas e por aí vai. Aliás, sim, há um botão dedicado ao pulo em Nioh 3, outra bem-vinda adição que não ocorreu à toa e se justifica pela exploração adicional.

Imagem: Team Ninja
Absolutamente tudo reserva uma farta recompensa, já que o game, só lembrando, dá ênfase ao loot coletado, então prepare-se para um arco-íris de itens brotando de oponentes derrubados e baús resultantes da sua curiosidade em explorar. Quase nunca há ponto sem só enquanto você se desloca pelos cenários.
Duas novidades fundamentais no gameplay e um “déjà vu”
O combate segue a rota dos demais títulos da franquia, com opções de posturas alta, média e baixa, cada qual oferecendo diferentes combinações de golpes. Nioh 3, no entanto, cavalgou para além dessa margem ao trazer uma inédita mecânica de dualidade, em que, ao alcance do botão R2, você alterna entre dois estilos de combate: Samurai e Ninja.
Samurai é o jeitão tradicional de se jogar Nioh, tal qual os anteriores, em que você pode alternar entre as posturas mencionadas para encontrar variantes que funcionem nas lutas. Há mais atributos em defesa e peso, deixando a movimentação mais cadenciada em prol de um boneco mais forte.
O Ninja, por sua vez, é capaz de se deslocar com mais agilidade, mas isso também ocorre em detrimento de força. O equipamento é mais leve – logo, mais fraco. Porém, o Ninja brilha em sua coreografia hábil e, dependendo das armas que você empunha, pode ser letal para prensar inimigos num canto e impedi-los de reagir.

Imagem: Koei Tecmo
Nioh 3, portanto, traz uma “build dupla” para o jogador administrar, e isso também acarreta em mais tempo gasto no gerenciamento de inventário/equipamento. Você até pode escolher apenas um estilo para investir esforços, mas o jogo não exatamente deseja que isso aconteça, já que incessantemente apresenta incentivos e armas que se encaixam ao conceito de dualidade. Talvez os menus pudessem ser um pouco mais amigáveis para essas duas formas.
Por ser ambientado em campos abertos, Nioh 3 oferece mais possibilidades para qualquer jogador subir de nível facilmente, criando o seu próprio “modo fácil”
A outra novidade é justamente o botão de salto (com direito a pulo duplo, sim). É visível que o game design de Nioh 3 pensou nisso de forma calculada, inserindo obstáculos que obrigam o jogador a usar o comando e, assim, ter um refresco do combate com seções de pura plataforma.
Esses trechos acrobáticos também servem como colírio aos olhos para sanar alguns elementos reciclados de títulos anteriores, facilmente perceptíveis pelos veteranos de plantão. Em Nioh 3, inimigos, chefes, armas, objetos, cenários e animações são um “déjà vu” dos demais games, o que reforça a identidade visual da cartilha da franquia suficiente para agradar fãs puritanos – mas, ao mesmo tempo, bate um sentimento de repeteco. É a busca pelo oásis compartilhado entre gregos e troianos, certo?

Imagem: PlayStation
Veredito
Nioh 3 faz o que uma continuação precisa cumprir: ele obedece piamente aos alicerces da franquia enquanto tenta levá-la a um lugar novo em prol da evolução. Os esforços pela manutenção de um sistema que funciona sempre devem ser combinados a tentativas inéditas, junção poderosa para uma sequência obter êxito.
Se você jogou qualquer um dos anteriores, vai se sentir em casa. Se é um marinheiro de primeira viagem, Nioh 3 pode ser a melhor porta de entrada possível, já que o game, por ser ambientado em campos abertos, oferece mais possibilidades para qualquer jogador subir de nível facilmente, criando o seu próprio “modo fácil”. E pode ficar tranquilo que você não vai se sentir perdido no enredo. Nos menus de Nioh 3, há uma enciclopédia de conteúdo a respeito dos anteriores.
O desenvolvimento deste título foi iniciado logo após o lançamento de Nioh 2, segundo a Team Ninja. O extenso período de produção de Nioh 3 se reflete num produto visivelmente mais ambicioso, mantendo os ânimos dos fãs acalorados com os rumos dessa franquia, que encontrou seu lugar ao sol e conseguiu se estabelecer num mercado saturado de opções.
Testado no PS5 Pro.
Para a realização desta análise, um código de Nioh 3 foi gentilmente disponibilizado pelo time de PR da Koei Tecmo e da Team Ninja para o Brasil.
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Nioh 3
Publisher: Koei Tecmo
Desenvolvedora: Team Ninja
Plataformas: PS5 e PC
Lançamento: 06/02/2026
Tempo de review: 40 horas
O longo desenvolvimento de Nioh 3 se reflete num jogo visivelmente mais ambicioso, seguindo a fórmula dos anteriores enquanto tenta levar a franquia a um lugar novo
Prós
- Combate visceral com a dualidade Samurai e Ninja
- Exploração agradável pelos campos abertos
- Botão de pulo não existe à toa e dá respiro ao combate
- Rico contexto histórico e muito folclore
Contras
- Elementos reciclados dos anteriores
- Build dupla poderia ter melhor separação no menu











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