
Review: Pragmata é uma surpresa e um combo de qualidades Capcom
Após esperar muita coisa, Pragmata me fisgou em um loop para buscar os 100%; veja nosso review completo
Imagem: Capcom
m um ano fortíssimo da Capcom com Resident Evil Requiem, Monster Hunter Stories 3 e até Onimusha Way of the Sword, confesso que Pragmata, uma nova IP, não era exatamente algo que estava no meu radar. Embora tenha testado a demonstração e até gostado, eu estava relativamente neutro com a novidade.
Após 16 horas de campanha que mistura ficção científica, relações paternais e até uma trama superficialmente clichê de IA, Pragmata não só me surpreendeu como se tornou um dos jogos mais divertidos, cativantes e charmosos de toda a Capcom.
O que começou despretensioso, terminou comigo querendo ser pai de menina. Pragmata é mais do que uma nova IP, é uma experiência cativante, com gameplay puro e divertido, além de personagens extremamente agradáveis (mas também há pontos negativos. Confira nossa análise completa!

Imagem: Capcom
Trama parece clichê, mas é formosa (quero ser pai de menina)
A história não é exatamente o ponto alto no começo da campanha de Pragmata, justamente por trazer um enredo que, em um primeiro olhar, não traz nada de novo. Controlamos Hugh, um funcionário enviado pela Terra para averiguar que problemas a estação da Lua, controlada pela companhia Delphi, está passando.
Como você deve ter visto por trailers e materiais de divulgação, tudo se resume à inteligência artificial da base. Não vou dar spoilers sobre a trama, mas, curiosamente, a resolução pode surpreender e fugir dos clichês. Não é nada revolucionário, mas o que importa é outra coisa: Diana.

Imagem: Flow Games/Vini Munhoz
O maior charme de Pragmata é a relação de Hugh com Diana, uma “pragmata” (um androide muito similar a um humano) de última geração que ronda a estação lunar. Diana ajuda Hugh no começo da aventura após um terremoto e logo ambos se tornam inseparáveis.
O grande ponto alto da história é como Hugh começa a ver Diana. Uma das primeiras coisas que descobrimos sobre o protagonista é ele não querer filhos, mas lentamente vai se encantando com a androide. Embora ela seja uma IA, Diana é uma fonte de luz que traz um clima leve ao caos da estação lunar.
Ela se comporta igualzinha a uma criança de 8 anos e aos poucos vai cativando com sua personalidade curiosa. Ela faz desenhos das aventuras com o protagonista, se diverte com cada missão, fica encantada com as descobertas da Terra e sempre pergunta sobre a vida de Hugh, forma como conhecemos melhor o personagem.

Imagem: Flow Games/Vini Munhoz
É possível conversar com a pragmata, brincar de esconde-esconde e até presentear Diana com “cenas recriadas da Terra”, feitas com um material chamado de lunafilamento, uma espécie de mineral lunar que atua como matéria de construção de impressoras 3D avançadas.
Obviamente não vou revelar spoilers sobre como todo o desfecho de Pragmata é amarrado, mas acho que você provavelmente vai se surpreender e se encantar igual a mim ao longo da campanha – que, por aqui, levou cerca de 16 horas para ser concluída, mas me tomaram 21 horas para fazer 100%.
Eu só senti falta de Pragmata resolver algumas pontas soltas aqui e ali, mas nada grave. A história acaba crescendo e se tornando algo emocionante, mas sinto que alguns pontos ficaram corridos – e, como você verá mais abaixo, ritmo é algo que o jogo poderia ter um pouco melhor.

Imagem: Flow Games/Vini Munhoz
Gameplay traz um “best of” de toda a Capcom
Se você estava sem saber o que esperar da jogabilidade de Pragmata assim como eu, sem problemas: há uma forma fácil de explicar o que você pode encontrar por aqui. É difícil tecer alguma comparação com outro título, mas é fácil descrever como uma amálgama de grandes sistemas e mecânicas da Capcom que funcionam perfeitamente em harmonia.
Pragmata é gameplay puro: nada de grandes seções de andança e diálogos (embora elas existam), o maior trunfo da campanha são os combates e desafios de plataforma. As lutas do game são especialmente interessantes por oferecem uma experiência distinta e bem única.

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Diferente do que vemos em um Resident Evil ou qualquer outro título de ação, não há um foco único nas ações do protagonista e adversários: existem dois sistemas para ficar atento. Seria o equivalente a tocar piano, com cada “mão” em um ritmo e melodia.
Ou, traduzindo tudo isso, Hugh precisa atirar e se esquivar de inimigos de uma maneira convencional, mas também precisamos nos atentar em uma tela diferente para Diana hackear os sistemas dos robôs hostis. Sem os hacks, praticamente não exercemos dano nos adversários – e ficar um tempo sem hackear faz com que os robôs “se fechem” e não exponham partes fracas.
São duas coisas completamente diferentes, com comandos muito distintos, e é possível ficar um pouco sobrecarregado para entender como jogar, mas a experiência de Pragmata vai ficando gradualmente mais difícil, dando espaço para aprender. A curva de aprendizagem é realmente muito boa e, no fim, extremamente satisfatória.

Imagem: Flow Games/Vini Munhoz
Há nódulos de hack diferentes, equipamentos muito distintos para explorar fraquezas dos inimigos, acessórios para serem equipados que mudam a dinâmica do combate e muito mais. Você pode sobrecarregar adversários, realizar execuções críticas, hackear diversos inimigos de uma só vez, tornar um robô antagonista como aliado e muito mais. A progressão e gerenciamento de recursos é ótima e tudo é realmente muito bem-feito.
O esqueleto de Pragmata pode ser visto como um Resident Evil sem o fator terror, com robôs operários similares a zumbis e outros androides mais poderosos similares às criaturas da Umbrella. Mas há chefões e sistemas de partes fracas parecidas com Monster Hunter, exploração similar a um Devil May Cry e desafios de plataforma que lembram um Mega Man 3D.
A progressão de plataforma éo muito divertidas e demandam comandos precisos, um desafio bem legal e que é muito bem-feito (utilizando até a “escola Nintendo” para indicar locais que podem ser explorados). Em termos de level design, Pragmata dá um show, mas há pontos que não ficam muito claros se podem ser utilizados como cenário explorável.

Imagem: Flow Games/Vini Munhoz
Hugh pode ficar “preso” em certos lugares e nem tudo o que você vê no mapa pode ser alcançado, tornando algumas seções estranhas. Há plataformas idênticas que podem ser escaladas e outras que não. Não é nada preocupante, mas achei um pouco confuso de vez em quando.
Pragmata é um deleite para jogar e extremamente satisfatório de buscar os 100%. Há dezenas de inimigos diferentes, incluindo algumas variantes, chefões bem legais e criativos, novas armas, habilidades, modificadores de hacks e muito mais que vão sendo desbloqueados quanto mais você busca conteúdo opcional.

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Exploração e rejogabilidade no endgame, mas…
Aproveitando o gancho, a exploração é um dos alicerces de Pragmata. Você pode passar a campanha inteira resolvendo alguns bloqueios de caminho padrões, mas também pode se aventurar pelos mapas e encontrar recursos adicionais, sejam colecionáveis ou para batalha. E aqui reside um dos pontos positivos mais divertidos.
Estruturalmente, Pragmata tem 6 mapas separados que podem ser acessados por um HUB central chamado de Abrigo. Pense nos cenários como espécies de “dungeons”, não necessariamente fases lineares. Há um caminho relativamente linear para seguir, mas há desvios de rotas e até alguns pontos que têm um sabor metroidvania.

Imagem: Flow Games/Vini Munhoz
São mapas contidos, mas recheados de colecionáveis, recursos e mais para desbloquear, algo que é extremamente proveitoso. Embora sejam cenários modestos, eles são densos em conteúdo, além de recompensar com novos diálogos de Diana e Hugh que são muito legais.
Parte desses colecionáveis de Pragmata são as moedas Cabin, que podem ser trocadas por cartelas de bingo no Abrigo e rendem desafios específicos para colocar em prática as habilidades mais refinadas do jogador. Eles são extremamente divertidos, especialmente para concluir as missões extras atreladas a cada um – como não receber dano ou fazer em um tempo ainda menor.
Além disso, assim que você terminar Pragmata, o modo Sinal Perdido é desbloqueado. Ele recarrega o seu save antes da batalha final e libera um sétimo mapa para aproveitar, mas ele tem apenas 10 desafios – e, para liberá-los, você precisa fazer 100% de cada área.

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Essa adição é bem legal e adiciona não só um incentivo para explorar tudo do game, mas também longevidade à campanha. Eu só gostaria que ele trouxesse um extra além de recursos, como novas armas e roupas para os personagens. A realidade é que eu esperava que, dessa forma, ganharia um final diferente.
A exploração de Pragmata é bem satisfatória e é difícil apontar elementos negativos, mas nenhum jogo é perfeito e aqui também existem tropeços. O primeiro deles, como você já deve ter se questionado, é a duração da campanha. Terminar em 16 horas não é ruim e levar 21 horas é algo positivo em um título moderno, mas fica um gostinho de quero mais.

Imagem: Flow Games/Vini Munhoz
O ritmo do jogo acelera exponencialmente na segunda metade e sinto que os mapas não são tão gostosos de explorar quanto no começo. A cidade de Nova York reconstruída e a área da floresta são fantásticas, mas os demais caem um pouco de qualidade e duração – ainda são ótimos, mas reforçar, mas não tão bons.
Eu sou um grande defensor de que nem todo jogo precisa ser gigantesco e títulos menores sempre terão meu apreço, mas a realidade é que Pragmata parece que poderia ser um pouco maior. O game traz muitas armas, recursos e colecionáveis, mas sinto que há pouco espaço para colocar tudo em uso, talvez um pouco mais de ambição ou mapas maiores (ou talvez mais cenários).
Existe um Novo Jogo+ para aproveitar, incluindo uma nova dificuldade, mas ainda estamos falando da mesma campanha. A rejogabilidade é bacana, mas há um gostinho de quero mais – embora o pacote seja satisfatório. É achar pelo em ovo, mas certamente é algo que um Pragmata 2 poderia oferecer.

Imagem: Flow Games/Vini Munhoz
Comemorem: a RE Engine brilha mais uma vez nos visuais
Após títulos como Monster Hunter Wilds e Dragon’s Dogma 2 serem lançados pela Capcom, ambos títulos que utilizam a RE Engine e tiveram visuais e performance decepcionante, Pragmata é um que vai no sentido contrário e traz uma apresentação visual excelente e muito bem-otimizada.
Pragmata é um dos jogos atuais que são topo de linha em tecnologias gráficas. No PC, plataforma que joguei, o título apresenta ray tracing e até path tracing, que é transformador da mesma forma que Resident Evil Requiem, além do sistema de cabelos por mechas, algo impressionante em Diana (especialmente em segmentos com vento).

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A direção de arte, embora com uma estética limpa e reflexiva, traz uma variedade de cenários diferentes e abusa de superfícies espelhadas, algo que o path tracing faz um ótimo uso. Honestamente, estou até curioso para ver as versões de Switch 2 e Xbox Series S.
Em termos de recursos e performance, Pragmata também se excede no cenário atual. Há DLSS e outros upscalers, multi framegen com o DLSS 4, NVIDIA Reflex e muito mais. Eu testei o jogo em dois setups diferentes: no meu PC high end, com uma GeForce RTX 5090, i7-13700K e 32 GB de RAM e no ROG Xbox Ally X.
No PC, tive taxas de fps próximas de 80 a 90 fps em cenas mais intensas com o DLSS Qualidade, mas ativar a geração de quadros ultrapassou facilmente os 160 fps em 2X (com tudo no Ultra, path tracing e em 1440p). Já no ROG Xbox Ally, ter tudo no mínimo me trouxe taxas de quadros próximas de 60 fps, mas com quedas contantes parra 40 a 45 fps em cenas intensas.

Imagem: Flow Games/Vini Munhoz
Talvez Pragmata seja o tipo de jogo que escale bem para hardwares mais modestos, mas é preciso ter atenção de que ele é um pouco mais pesado que o normal. Nada absurdo, mas há muitos efeitos em tela e ação desenfreada em certos momentos.
Além disso, gostaria de enaltecer o trabalho de sonoplastia. A trilha sonora é muito boa e os efeitos sonoros são espetaculares, algo que garante uma sensação extra de prazer nos tiros, hackeamentos e exploração do cenário. E, além disso, a localização é soberba.
Além de ter legendas em português do Brasil, a Capcom trouxe todos os diálogos dublados e adorei o trabalho. Além de as vozes encaixarem muito bem, a equipe utilizou termos e gírias de forma mais deliberada. Você vai encontrar expressões como “ir de base” ou “resolver um BO” aqui e ali, tornando a experiência mais aclimatada para brasileiros e dando um toque tupiniquim.

Imagem: Flow Games/Vini Munhoz
Pragmata vale a pena?
Por ser uma IP nova e com ideias diferentes, Pragmata não era algo que eu estava aguardando ansiosamente, mas a experiência construída por aqui foi muito divertida, cativante e encantadora. Há espaço para a história interessar e há muita oportunidade para a jogabilidade brilhar.
Embora o título pareça em alguns momentos um compilado de boas ideias da Capcom, elas sintonizam muito bem com um DNA próprio. A genialidade de Pragmata está em oferecer algo diferente na simplicidade: aprenda as mecânicas, se divirta e se encante com a relação de Hugh e Diana.

Imagem: Flow Games/Vini Munhoz
Há pontos de melhoria, claro, mas a campanha é satisfatória e muito gostosa de aproveitar. No final, você pode ter um gostinho de quero mais, mas certamente não terá um sabor amargo. Pelo contrário, Pragmata é um jogo que irradia conforto e videogame puro.
Pragmata foi gentilmente cedido pela NVIDIA para a realização desta análise.

Pragmata
Publisher: Capcom
Desenvolvedora: Capcom
Plataformas: PC, PS5, Xbox Series e Nintendo Switch 2
Lançamento: 17/04/2026
Tempo de review: 22 horas
Pragmata estreia uma nova IP com maestria, reunindo ótimas ideias, gameplay puro e uma trama encantadora.
Prós
- História muito formosa e cativante
- Gameplay puro e extremamente divertido
- Combate é muito satisfatório e traz desafios legais
- Exploração e seções de plataforma muito boas
- Muito conteúdo secundário divertido de fazer
- Graficamente soberbo e bem-otimizado
Contras
- Campanha poderia ser um pouco maior
- Ritmo acelera muito e os mapas finais não são tão bons
- Algumas seções de plataformas são desengonçadas











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