
Review: Silent Hill Townfall é evolução visceral do terror da franquia
Silent Hill Townfall eleva nível de terror com estreia da câmera em 1ª pessoa
Imagem: Konami
pós Silent Hill f, a Konami segue em sua empreitada de lançar experiências independentes da franquia. Apesar de ser uma novata na série, Silent Hill Townfall me chamou bastante a atenção.
Desenvolvido pela Screen Burn Interactive e co-publicado pela Annapurna Interactive, o jogo traz uma nova cidade para explorar e, pela primeira vez, a experiência é vivida inteiramente em primeira pessoa.
Embora essa perspectiva não seja a favorito dos fãs, posso adiantar que tudo faz sentido. Poucos jogos me fizeram tremer nas bases como Townfall. Ficou curioso? Então, confira o nosso review completo a seguir!

Imagem: Flow Games/ Thais Bassani
Bem-vindos à Silent Hill Townfall, bem-vindos à St. Amélia
Silent Hill Townfall apresenta mais um spin-off independente da franquia principal. Aqui, acompanhamos Simon Ordell, um homem chamado de volta por uma voz misteriosa para “acertar as coisas” em uma vila pacata e isolada coberta por uma névoa densa, na Ilha costeira de St. Amélia, na Escócia.
O jogo inicia com o protagonista acordando à beira mar na ilha, sem saber exatamente como foi parar lá. Em seu braço há uma pulseira hospitalar e uma bolsa de soro intravenoso, item que parece que o conecta com os acontecimentos daquela comunidade.
Ao entramos em St. Amélia, vemos uma cidade completamente abandonada, mas repleta de horrores escondidos. À medida que exploramos o lugar, vemos pistas e placas memoriais de um evento trágico ocorrido em 1996.


É possível ouvir gritos e vozes em alto falantes, indicando algo como um protesto acontecendo há poucos metros dali. Mas, ao chegar na praça principal, vemos tudo vazio. Simon pode estar alucinando? Ou forças obscuras estão manipulando o lugar? É difícil dizer.
Ainda no começo do jogo, somos transportados para um lugar sinistro e escuro onde no fim chegamos a um quarto de hotel, momento em que é apresentado nossa ferramenta principal nessa jornada: a CRTV. Substituindo o tradicional rádio de Silent Hill, a CRTV traz uma televisão portátil que é usada para sintonizar frequências instáveis.
Em Townfall, ela está integrada totalmente ao gameplay pois podemos rastrear inimigos através das paredes e névoa, resolver puzzles, encontrar pistas e até descobrir mais detalhes sobre a história.

Imagem: Flow Games/ Thais Bassani
Durante a jornada, temos a missão de encontrar Zoe, mulher que descobrimos ser uma enfermeira, em busca de respostas sobre o que aconteceu em St. Amélia.
A trama fica ainda mais obscura quando outro personagem surge, um homem misterioso chamado Richard que implora pela ajuda de Simon para lidar com uma questão mal resolvida. Não vou entrar em muitos detalhes sobre a história para não dar spoilers, mas confesso que criei muitas teorias ao longo do jogo, e no final me surpreendi com as reviravoltas.
Desde o início a narrativa se mostrou bastante interessante e intrigante. Cada pista, documento e mensagem encontrada nos contam aos poucos a verdade por trás da tragédia em St. Amélia.
Além de toda névoa, característica principal da série, a atmosfera do jogo se mostrou muito mais aterrorizante. Pois, em certos momentos, o jogo é tomado por uma luz vermelha, referindo-se a um mundo alternativo à la Stranger Things. Esse detalhe contribuíu bastante para a sensação de desconforto e inquietude.
Além disso, os cenários extremamente escuros e os ruídos ao redor, principalmente dos inimigos tornam a experiência apavorante.
A Konami já confirmou: Townfall manterá a tradição da franquia e terá 5 finais. Sendo eles, três da campanha principal e outros dois secretos. Assim como os títulos anteriores, o desfecho da história dependerá do seu comportamento ao longo do jogo.
Townfall tem combate frenético mas prioriza o stealth
Silent Hill Townfall traz um combate mais rápido e frenético, porém prioriza uma movimentação mais stealth. Embora você encontre armas brancas para se defender como tábuas e canos, incluindo armas de fogo, os recursos são quebráveis e escassos, fazendo com que a melhor estratégia seja se esconder e evitar os inimigos para sobreviver e avançar.
Para isso, há garrafas e tijolos para usar como distrações, ou até apelar para o barulho, ligando TVs e rádios para chamar a atenção dos inimigos e passar por eles sem ser visto.

Imagem: Flow Games/ Thais Bassani
Entretanto, caso seja avistado é possível se esconder em pequenos armários, galpões e portas entreabertas espalhadas pelo mapa, podendo ficar até o perigo passar.
O jogador pode traçar a melhor estratégia, porém é melhor pensar duas vezes antes de querer confrontar as criaturas diretamente, pois além de ser arriscado e barulhento, pode atrair ainda mais inimigos. Entretanto, caso seja corajoso o suficiente para combater as ameaças esteja ciente de que os monstros não morrem tão facilmente.
Há uma variedade razoável de inimigos, que vão desde criaturas meio humanas com tentátulos saindo do peito até monstros bizarros aterrorizantes (e rápidos). Após diversos mini infartos, o ritmo do gameplay fica um pouco mais ‘tranquilo’ quando se domina o combate (mas não por muito tempo).
Quando você começa a se acostumar com um tipo de inimigo, o jogo vai lá e apresenta uma outra criatura para você lidar.

Imagem: Flow Games/ Thais Bassani
Puzzles desafiadores são destaque da jornada
Por outro lado, os quebra-cabeças também apresentam sua dose de desafio. Com dois níveis de dificuldade, há uns que podem ser resolvidos mais facilmente, e outros que o jogador terá que investigar com um pouco mais de atenção, e aí vale ficar atento (literalmente) em tudo, pois até mesmo vídeos na CRTV trará respostas.
Mas já adianto que os desenvolvedores não brincaram em serviço, pois há quebra-cabeças meio ‘complexos’ de entender de primeira, mesmo que a opção com dicas esteja ativada. Quem já está acostumado em jogos assim, deve ter mais facilidade nessa parte. Confesso que fiquei travada por horas para resolver alguns deles.
Em resumo, achei que o jogo traz uma variedade interessante de puzzles e alguns até bem criativos. Os desenvolvedores souberam equilibrar principalmente para quem é novato na franquia. E o mais legal é que a resolução deles são parte da história, tornando-os ainda mais interessantes de solucionar.
Silent Hill Townfall eleva nível de terror em primeira pessoa
Embora a perspectiva em primeira pessoa não seja a favorita dos fãs, Silent Hill Townfall traz uma experiência memorável para quem ama terror. O combate contra os inimigos se torna mais visceral, porém com campo de visão limitado.
De certa forma, isso adiciona uma intensidade maior as batalhas, fazendo com que Simon possa ser derrotado mais facilmente.
A diferença é que enquanto nos títulos anteriores estávamos apenas “assistindo” a sofrida história do protagonista, agora vivemos todo o horror na pele de Simon. Acho isso bastante positivo, pois traz ainda mais imersão à experiência.

Imagem: Flow Games/ Thais Bassani
Por outro lado, a adição da câmera em primeira pessoa pode ser uma boa oportunidade de atrair um público novo à franquia, assim como em RE, por exemplo.
Durante a jornada, o backtracking é uma parte importante, pois o jogo te motiva a revisitar determinadas áreas para a resolução de algum puzzle. Aqui, a exploração e quebra-cabeças andam juntos. A estrutura do mapa é bem similar a de Resident Evil também.
Outro detalhe que chamou bastante a atenção foi o sistema de combinação de itens, mais uma característica que vemos de RE. E isso é algo muito bem-vindo, pois itens encontrados pelo cenário podem ser combinados como álcool e gaze, bolsa de sangue e outros compostos. No caso da bolsa de sangue, é um item interessante, pois funciona como uma sobrevida para Simon.
Se equipado, ele tem uma segunda chance caso seja atacado e a sua vida estiver baixa, por exemplo. Além disso, o sistema de save foi outra sacada bacana do estúdio. O salvamento do seu progresso é feito pelos telefones. Lá, é possível discar para alguns números, onde cada um apresenta uma mensagem diferente e um deles você realiza o save.
É uma mecânica diferente e que incentiva ao jogador a descobrir segredos e detalhes da lore.
Design de som é o ápice da experiência
O design de áudio 3D construído para Silent Hill Townfall é simplesmente algo fantástico. Ao se unir com o áudio de fundo e a trilha sonora, esses elementos trabalham praticamente em harmonia, criando toda a tensão e atmosfera de terror, sem precisar apelar para jumpscares fáceis.
Por vezes, esse detalhe até interfere no nosso imaginário durante o jogo. A dica é jogar com um fone de ouvido de boa qualidade e sentir a potência de Townfall.
Jogando no PS5, a equipe caprichou ao incluir interações que desfrutam dos recursos do DualSense. Seja o peso da arma ao atirar, sentir os passos dos inimigos, e a interação com a CRTV, a experiência fica ainda mais realista.
Boa otimização e visuais apavorantemente lindos
Ainda na linha do realismo, Silent Hill Townfall possui cenários que impressionam. Embora muitos jogos feitos na Unreal Engine 5 falhem na otimização, aqui posso dizer que os desenvolvedores fizeram um belo trabalho na parte técnica.
Por mais que seja difícil acreditar, o jogo me pareceu bem otimizado. Depois de várias horas jogando, tive pouquíssimas vezes em que senti uma queda de fps por alguns segundos em certas partes, mesmo priorizando o modo desempenho. Mas nada que comprometesse a jogabilidade.
Ao explorar a cidade, somos contemplados com um nível de detalhes sem igual na criação de cada construção que dá vida ao local.

Imagem: Flow Games/ Thais Bassani
Ótima localização em PT-BR e opções de acessibilidade
Embora não tenha dublagem em português, Townfall inclui uma ótima localização PT-BR com legendas. O jogo também traz opções de exibição que permitem deixar a experiência a sua maneira, seja com as barras pretas ativadas para algo mais cinematográfico, e até ampliar o campo de visão do protagonista.
Além disso, o game oferece boas opções de acessibilidade com legendas descritivas para eventos sonoros que não são diálogos, tamanho das legendas e mais.
Silent Hill Townfall vale a pena?
Dos vários jogos de terror que joguei na vida, Silent Hill Townfall foi um dos poucos que me proporcionaram algo extremamente tenso e apavorante. O jogo acertou em cheio ao entregar uma experiência de terror psicológico com bastante competência que faz você encarar o medo de frente.
O tempo todo você se sente desconfortável e com a terrível sensação de que algo vai acontecer, e isso é mais do que um elogio para jogo do gênero. A história é intrigante e com mistérios envolventes, o gameplay dinâmico e puzzles desafiadores muito bem desenhados e alinhados à história.

Imagem: Flow Games/ Thais Bassani
Há também um bom fator replay, especialmente pelos múltiplos finais. Em resumo, Silent Hill Townfall é mais um jogo altamente recomendado para quem é fã da série. Mesmo sem os personagens clássicos, nem qualquer referência, o título consegue se reinventar e manter a essência da franquia sob uma nova perspectiva.
Então, corra mergulhar nessa jornada quando o jogo for lançado em 24 de setembro de 2026 para PS5 e PC.
Uma chave de Silent Hill Townfall foi cedida pela Konami para a realização desta análise.

Silent Hill Townfall
Publisher: Konami e Annapurna Interactive
Desenvolvedora: Screen Burn Interactive
Plataformas: PS5 e PC
Lançamento: 24/09/2026
Tempo de review: 25 horas
Silent Hill Townfall chega para mostrar que o terror psicológico da franquia pode se reinventar sem perder sua essência
Prós
- Atmosfera de terror intensa
- Design de áudio e trilha sonora
- Interação e recursos do DualSense
- História intrigante e envolvente
- Ótimos gráficos contribuem para o realismo do jogo
- Primeira pessoa traz uma novidade para a franquia
Contras
- Pouca variedade de armas
- Puzzles podem ser meio complexos para novatos











Comentários