
Review: Zelda Ocarina of Time Remake mantém a magia viva
O Flow Games jogou e zerou Zelda Ocarina of Time Remake e responde: o remake mantém a magia do original? Veja nosso review
Imagem: Nintendo
exer em Zelda Ocarina of Time é tocar nas fundações dos videogames. Afinal, estamos falando de um jogo que criou diversos dos pilares que fundamentaram (e ainda fundamentam) jogos 3D modernos. Além disso, trata-se de um clássico: mexa em algo sutil e a experiência pode ser arruinada por não passar a "sensação" do original. Sem dúvidas, um vespeiro para mexer, mas a Nintendo ainda decidiu pela abordagem moderna.
Favorito de muita gente, o clássico Zelda Ocarina of Time chega ao Switch 2 em uma versão que tinha a missão quase impossível de modernizá-lo sem apagar sua magia. Depois de 45 horas, posso dizer: esta é a forma ideal de jogar uma das aventuras mais importantes da história.
Este review foi realizado pelo nosso querido Phoenix do canal do Flow Games. Confira abaixo a análise completa!
Um mundo familiar, renovado
Desde os primeiros minutos de jogatina, o remake de Zelda Ocarina of Time impressiona pelo visual. Os cenários ganharam detalhes, iluminação refinada e água com reflexos belíssimos, mas sem abandonar o espírito fantasioso e o charme dos personagens. O resultado equilibra realismo e imaginação: parece um jogo novo, mas preserva a memória afetiva do original.

Imagem: Phoenix/Flow Games
As cutscenes reforçam esse impacto com animações expressivas e emocionantes. Rever cenas clássicas com uma abordagem moderna resgatou memórias da infância, trazendo mais uma vez o brilho que um dos jogos mais importantes de todos os tempos teve a uma nova geração, tanto de jogadores quanto de consoles.
Uma das novidades visuais reside em um elemento que pode parecer trivial hoje, mas que o original carecia: um mapa-múndi para guiar o jogador. Esse mapa de Zelda Ocarina of Time Remake foi completamente feito à mão e traz um charme inigualável, recheado de elementos gráficos dinâmicos e com animações, além de ilustrar quais áreas ainda possuem Skulltulas e Pedaços de Coração, os itens colecionáveis do jogo (o que é bem útil).
Além disso, a trilha sonora de Zelda Ocarina of Time Remake, agora orquestrada, também é um dos grandes destaques. Ouvir essas músicas tão conhecidas em novos arranjos, acompanhadas por imagens tão bonitas, torna momentos clássicos ainda mais marcantes. Toda cena é acompanhada por faixas igualmente perfeitas que casam cada momento, novamente resgatando e remixando a magia do original.
A dublagem completa a transformação. Joguei Zelda Ocarina of Time Remake principalmente em português e fiquei muito satisfeito com o trabalho. As vozes dão vida aos personagens e tornam a história mais acessível, especialmente para quem não pôde aproveitar o jogo original em inglês. A localização ajuda a compreender as regras daquele mundo — algo importante em uma aventura que exige atenção às conversas e aos detalhes.

Imagem: Phoenix/Flow Games
Controles mais modernos
Embora Zelda Ocarina of Time ainda seja um jogo influente nos dias atuais, já que traz pilares importantíssimos e conceitos ainda utilizados no game design contemporâneo, é inegável que ele tem sinais de idade (afinal, foi feito para o Nintendo 64, que sequer tinha um segundo analógico, e em uma época que muitos sistemas ainda estavam em modelo experimental).
E o que isso tudo quer dizer? Que o remake necessitava de ajuste, algo que a Nintendo abordou por aqui. A mudança mais evidente na jogabilidade é o pulo livre. Em vez de saltar apenas em situações predefinidas, Link pode pular quando o jogador quiser. Isso altera algumas dinâmicas e exigiu ajustes pontuais no desenho dos cenários, mas também torna o combate mais ágil.
Outra mudança importante é a perspectiva de Zelda Ocarina of Time Remake: agora, a câmera agora fica sob controle do jogador, em terceira pessoa, e substitui as antigas perspectivas fixas. É uma adaptação natural aos padrões atuais, mas feito da maneira certa e de uma forma que achei muito satisfatória. O sistema de mira por alvo também retorna, mais fluido e rápido para alternar entre inimigos.

Imagem: Phoenix/Flow Games
O remake ainda traz melhorias de qualidade de vida que facilitam bastante a jornada. Os itens ficam mais acessíveis por meio de menus rápidos, reduzindo a necessidade de abrir e fechar o inventário — uma diferença especialmente bem-vinda no Templo da Água.
A ocarina tem um menu próprio com as partituras aprendidas, e Zelda Ocarina of Time Remake permite cantarolar as melodias para o controle ou tocá-las em um instrumento compatível, adicionando a “magia Nintendo” e invenções bem fora da caixa que são a cereja do bolo dos pequenos detalhes.
Além disso, um diário de missões registra objetivos, etapas concluídas e conversas anteriores, útil para retomar tarefas sem perder o fio da história. A chamada Tapeçaria do Tempo também é preenchida ao longo da campanha e oferece um belo registro visual do progresso.

Imagem: Phoenix/Flow Games
Em outras palavras, Zelda Ocarina of Time Remake joga no seguro – e ele nem precisa ousar muito, já que a experiência original continua sólida. Com adições pontuais e mudanças sutis nos elementos necessários para uma experiência contemporânea, o título consegue melhorar o que já era uma excelente campanha e oferecer uma porta de entrada ainda mais agradável e gostosa de aproveitar.
A força da fidelidade
Mecanicamente, Zelda Ocarina of Time Remake teve mudanças pontuais e com o intuito de modernização para novas audiências (ou até para veteranos que esperam algo mais alinhado com títulos modernos). Mas e todo o resto? Podemos esperar uma reimaginação ou um remake um para um?
Novamente, a Nintendo abordou o remake do clássico de uma forma conservadora, o que deve agradar a maioria dos fãs – o que me inclui nesta equação. Se você espera grandes surpresas ou uma grande remixagem do conteúdo de uma forma similar ao que a Capcom realiza em suas obras, não é isso que você vai encontrar: o que temos aqui é fidelidade, algo que particularmente me agradou bastante.
Ainda temos a clássica aventura do herói que conquistou jogadores na década de 90, a mesma mecânica espetacular de viagem no tempo que definiu uma geração, o mesmo sistema de rotina de NPCs que geram diálogos recheados de dicas do mundo e muito mais. Contudo, todos eles tiveram pitadas de tempero para oferecer agrados pontuais de novidades, mas nada radicalmente diferente.

Imagem: Phoenix/Flow Games
Em termos de level design, Zelda Ocarina of Time Remake permanece muito próximo do original. As dungeons, os puzzles, os segredos e os minigames foram preservados; veteranos provavelmente reconhecerão soluções e locais de itens. Muitos coletáveis continuam nas mesmas posições, embora nem tudo pareça idêntico. A exploração, portanto, oferece poucas surpresas para quem já conhece a aventura.
Essa fidelidade, porém, faz sentido. Zelda Ocarina of Time continua brilhando pela variedade de situações criadas por suas mecânicas e o remake entende que não precisava reinventar essa estrutura. Os minigames receberam pequenos refinamentos, e Epona está mais fácil de controlar, mas a essência permanece intacta.

Imagem: Phoenix/Flow Games
Entre as novidades, o Museu dos Monstros cataloga criaturas e chefes enfrentados, apresenta informações sobre eles e permite revisitar algumas batalhas. Há também desafios de chefes para Link criança e adulto. São acréscimos divertidos, embora modestos.
Outro destaque notável é que, embora certos Pedaços de Corações se mantenham no mesmo lugar e sejam obtidos da mesma maneira, uma parcela deles precisa ser encontrado de uma forma completamente diferente, o que inclui, inclusive, utilizar de forma mais atenciosa o sistema de viagem no tempo e as informações obtidas com NPCs. Alguns deles trouxeram espécies de “missões” bem engenhosas e muito divertidas.
O único ponto negativo dessa fidelidade é que, embora tudo que esperamos e amamos esteja por aqui, não há o conteúdo de Master Quest durante a campanha, algo que poderia ser uma ótima adição para o fator de rejogabilidade.
Desempenho e ressalvas
Surpreendentemente, mesmo oferecendo uma apresentação visual fantástica, Zelda Ocarina of Time Remake rodou com excelente desempenho tanto no modo portátil quanto no dock: não encontrei bugs, travamentos ou quedas perceptíveis de quadros. A apresentação técnica é muito estável.
Minha principal ressalva são as telas de carregamento. Algumas transições entre áreas continuam interrompendo o fluxo, inclusive em trajetos frequentes entre Hyrule Field e regiões próximas. Outras partes do mundo são conectadas sem carregamentos, o que torna essa diferença ainda mais estranha.

Imagem: Phoenix/Flow Games
Talvez a decisão ajude no desempenho ou preserve aspectos da estrutura original, mas, na prática, pode incomodar. Não achei que isso atrapalhou a minha experiência, mas sem dúvidas é um dos pontos que o remake poderia ser mais ambicioso.
Além disso, por algum motivo Zelda Ocarina of Time Remake traz apenas um espaço de salvamento (inclusive, para relembrar quem não joga há décadas, o original trazia 3 espaços). E por que isso importa? Se você quiser vivenciar de novo partes da campanha ou algo do tipo, a única opção é apagar o seu progresso inteiro e recomeçar do zero, excluindo toda a sua jornada anterior.

Imagem: Phoenix/Flow Games
Zelda Ocarina of Time Remake vale a pena?
Se você espera por surpresas em Zelda Ocarina of Time, este remake não oferece uma aventura radicalmente diferente. Ele entrega o mesmo Ocarina of Time, atualizado para que novos jogadores possam descobri-lo e antigos fãs o revivam com outra intensidade.
Para quem ansiava por novos puzzles ou uma reformulação profunda, a fidelidade pode decepcionar. Para mim, ela é justamente o acerto: o jogo preserva um design que continua ensinando sobre aventura e exploração.
Esta é a versão definitiva de Zelda Ocarina of Time e uma oportunidade perfeita para conhecer um dos grandes jogos da história. Vale cada centavo e merece ser jogado.

The Legend of Zelda Ocarina of Time Remake
Publisher: Nintendo
Desenvolvedora: Nintendo
Plataformas: Switch 2
Lançamento: 05/11/2026
Tempo de review: 45 horas
Esta é a versão definitiva de Zelda Ocarina of Time e uma oportunidade perfeita para conhecer um dos grandes jogos da história. Vale cada centavo e merece ser jogado.
Prós
- Toda a magia do original está mantida e aprimorada
- Visuais soberbos e cutscenes ainda melhores
- Bem polido, com performance muito estável e sem bugs
- A trilha sonora está melhor do que nunca
- Modernizações e mudanças pontuais que elevam a campanha
- Jornada memorável com ótimo combate e bom level design
Contras
- Telas de loading poderiam não existir
- Há apenas um único espaço de salvamento
- Sem muitas adições e sem modo Master Quest











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