
Review: Street Fighter não dá Perfect, mas diverte
Novo filme de Street Fighter chega em clima total de anos 90
Imagem: Paramount Pictures
s anos 1990 foram iradíssimos, mas também meio bregas. Não é por acaso, então, que o novo filme de Street Fighter tenha escolhido se passar justamente em 1993.
Era uma época em que o Super Nintendo, o Mega Drive, os fliperamas e a MTV estavam no auge das suas popularidades. Uma época mais inocente e divertida que cai como uma luva para a proposta narrativa do longa dirigido por Kitao Sakurai.
Enquanto muitas adaptações cinematográficas de jogos parecem ter vergonha de suas origens em busca de uma grife mais “sombria e realista”, o novo Street Fighter cai de cabeça na galhofa boa e no campy, sem medo de abraçar os elementos e linguagem próprios dos videogames que o inspiram (principalmente Street Fighter 1, 2 e Alpha).
Veja o que achamos do filme na nossa crítica completa a seguir.
Street Fighter vai dividir opiniões (e está tudo bem)

Imagem: reprodução
Não é segredo que o humor é algo profundamente subjetivo, e o que é hilário para alguns pode ser totalmente sem graça para outros. Da mesma forma, a proposta de fazer uma obra mais cartunesca, exagerada e pautada na boa e velha “mentirada” também tem um potencial grande para alienar uma audiência moldada a ver a ficção em tons de cinza.
Se até o Batman e o 007 tiveram que largar a diversão e cores para focar na seriedade, é no mínimo corajoso ver um Street Fighter brincalhão, alegre e escrachado em pleno 2026.
Que fique claro, o longa nunca ri dos jogos e dos jogadores, embora ocasionalmente brinque com eles, e não deles. Na maior parte do tempo, o filme Street Fighter respeita a lore estabelecida e trata o seu mundinho com a seriedade devida, mesmo que esse seja um mundo em que um protótipo de ditador decide montar um torneio do nada e a galera toda aceita isso sem alarde.
Há algumas descaracterizações que chamam atenção, especialmente a Cammy que mais parece com uma Arlequina da vida. Temos também alguns personagens e atuações desperdiçados na tentativa de dar tempo de tela para as dezenas de lutadores da Capcom.
Se você é fã do Honda, por exemplo, não espere ver mais do que uma breve luta com ele. Curte o Zangief? Meia luta e olhe lá. Mas o maior desperdício mesmo é o Guile interpretado por Cody Rhodes. Munido de todo o seu carisma e presença da WWE, o astro faz o que pode nas poucas cenas em que Guile tem a chance de brilhar. Está um pouco fora do tom dos jogos? Até que sim, mas diverte muito e dá vontade de ver mais do Cody em ação.

Imagem: Capcom
Tem até um grande anime dentro do filme!
Pergunte a um fã de Street Fighter qual é a sua adaptação audivisual favorita e são boas as chances de que você acabe ouvindo como resposta o Street Fighter II The Animated Movie, filme de Gisaburo Sugii de 1994, que realmente conta com uma animação incrível e ótimas cenas de luta.
De certa forma, até isso recebe um aceno do novo filme, que optou por estilizar os seus vários flashbacks na forma de animações feitas primorosamente à mão. Inclusive a aventura já começa de forma animada, e que senhora animação!
Quem acompanha aqui o portal do Flow Games sabe que eu estou sempre em dia com os animes da temporada, e mesmo eu fiquei maravilhado com a qualidade da animação, storyboards e fluidez de movimentos das sequências animadas do novo filme, de longe o seu ponto mais alto e que dão um baita gostinho de quero mais.
Sobe o som!
A trilha sonora do jogo Street Fighter 2 é uma das melhores obras no invejável currículo da lendária Yoko Shimomura, e até hoje as suas melodias são associadas aos lutadores e suas fases, mesmo décadas depois.
Foi um prazer ver vários temas da época voltando com releituras magníficas, e aqui elas dividem espaço com uma tracklist bem inspirada de músicas licenciadas, todas no espírito dos anos 1990. Eu saí do cinema com vontade de ouvir o disco do filme, e quem sabe até mesmo deixar ele de fundo nas minhas partidas de Street Fighter 6, aproveitando que o Arjun chegou nesta semana e que preciso dar uma boa treinada com ele ainda.
Falando em treinos, também é cativante o empenho da atriz Callina Liang para viver a nova Chun-li das telonas. Ela aceitou a responsabilidade e fez um treino rigoroso para engrossar as pernas e fazer justiça aos dotes de uma das maiores musas dos videogames. Inclusive o filme tem um fanservice bem inspirado ao redor dela, culminando em uma transição muito inspirada e engraçada que não dava para deixar de lembrar. Quando você assistir, vai lembrar do que eu falei aqui e rir também, é uma das melhores piadas do filme.

Imagem: Instagram 50 Cent
Vale a pena ver Street Fighter?
Se você não tem conexão com a cultura dos anos 1990, dos jogos de luta, de Street Fighter e do antigo cinema de ação com boas doses de cultura otaku, dificilmente encontrará muita coisa de valor no filme, que parece pensado e executado do início ao fim para trazer tudo o que os fãs mais gostam, mas não muito além disso.
Ele me lembra um pouco a experiência dos filmes do Super Mario da Illumination, cujo propósito é intercalar referências, cenas que emulam o gameplay dos jogos e muita nostalgia, colocando os atores e peças em ação para um mise en scène o mais próximo possível da experiência de estar vendo outra pessoa jogar videogame.
Creio que ambos os filmes fazem parte de uma mesma escola e estrutura onde o objetivo é usar o cinema como veículo para transmitir a experiência e sentimentos mais próximos possíveis ao sentimento de ter um joystick nas mãos.
Nesse sentido, se você curte videogames, Street Fighter e o clima dos anos 1990, provavelmente vai se divertir muito nesse filme que é fera!
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Street Fighter
Publisher: Paramount
Desenvolvedora: Kitao Sakurai
Plataformas: Cinema
Lançamento: 15/10/2026
Tempo de review: 2 horas
Street Fighter é galhofa pura do início ao fim, mas não entenda isso com carga pejorativa. Esse é um filme que sabe se divertir e ri COM os videogames, nunca DELES.
Prós
- Alguns atores muito bem escolhidos (Ken, Chun-li, Ryu)
- Respeita e honra os jogos da série
- Trilha sonora mistura bem músicas licenciadas com OST
- Ótimo uso da linguagem dos videogames
- Boas coreografias e estética empolgante
- Sequências de anime incríveis feitas à mão
Contras
- Alguns atores porcamente escolhidos (Bison)
- Trama super rocambolesca e meio sem coesão
- Senso de humor quinta-série pode incomodar alguns











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