
Review: Screamer encanta e desponta com ideias bem originais
O Screamer é um jogo de corrida com um foco em história, mas que também conquista com sua jogabilidade diferenciada
Imagem: Milestone S.r.l.
reboot da franquia Screamer foi anunciado com bastante surpresa durante o The Game Awards 2024. Já algo que chamou a atenção no título durante seu desenvolvimento foi a grande ênfase em sua história com uma jogabilidade bem diferenciada.
O anúncio do jogo e retorno da franquia foi encarado por mim com bastante entusiasmo, uma vez que joguei bastante e até possuo o CD Screamer 2 original, um jogo que também se diferenciava no PC perante a outros títulos de corrida de rali.
O Flow Games recebeu uma cópia de Screamer para testes e, após acelerar bastante nas pistas, conta o que achou neste review. Confira!
Screamer tem história excelente, apesar de furos
Como dito anteriormente, o Screamer traz um grande foco em sua história, que é contada através do modo principal chamado Torneio. Ela começa nos apresentando ao grupo Green Reapers em busca de vingança por conta da morte de uma companheira deles, que também era sua líder.
Além dos Green Reapers, também acompanhamos a história dos grupos Strike Force Romanda, Jupiter Stormers, Anaconda Corp e Kagawa Kai. Já fora dos grupos, alguns outros personagens importantes são apresentados, como o Mr,A, Gage e o simpático Fermi, um cachorro que sabe pilotar, muito bem por sinal.

Imagem: Alvaro Neto/Flow Games
Cada um dos grupos possui uma história de fundo bem definida com detalhes que se encaixam e realmente nos fazem entender a motivação de cada pessoa estar na disputa do Screamer, nome do torneio, sendo que os pilotos também são chamados de “screamers”.
A história é repleta de reviravoltas e Screamer não economiza no linguajar de muitas cenas, que aliás são um de seus pontos fortes. Para jogar esse título, esteja avisado que você precisa gostar de ler, uma vez que muita parte dele está em texto, mas as cenas com visual de anime para contar outras partes da história são simplesmente soberbas.

Imagem: Alvaro Neto/Flow Games
Os elogios a essa parte de Screamer não param por aí, uma vez que todos os personagens contam com dublagens, até mesmo Fermi. Além da dublagem apresentar uma qualidade excelente, algo bem divertido é que muitos pilotos falam com sotaques ou até mesmo em idiomas que não sejam o inglês.
Dessa forma, é impossível não se encantar, por exemplo, com o italiano de Lavinia Ricci e sua personalidade engraçada ou com o jeito mais bravo de Hina Yamano, que com certeza consegue arrancar boas risadas quando fica enfezada e chama as pessoas para a briga.

Imagem: Alvaro Neto/Flow Games
Apesar de todos esses pontos positivos, a história de Screamer não é perfeita. A minha maior reclamação fica por conta da forma que surgem relações entre certos personagens.
Um caso claro a ser mencionado é o da relação de Gabriel com Noboru. Enquanto Gabriel tem todas as pessoas contra ele por conta de seu passado, ele simplesmente do nada começa uma amizade com Noboru, que está repleto de traumas. O jogo até tenta explicar os motivos que levaram a amizade a surgir, mas ainda assim o sentido não surge e fica difícil entender como essas duas pessoas realmente conversariam.
Mais um exemplo dessas relações estranhas é entre Aisha e Ritsuko, que chegam a compartilhar um trauma do passado. O jogo até dá uma ênfase no que aconteceu e um sentido pode até ser compreendido no fim, mas as revelações importantes demoram muito para surgir.
Outro ponto que também pode incomodar no Screamer é que, ao menos no modo torneio em que as histórias são contadas, nós não temos a opção de escolher quem vamos controlar nas corridas. Por outro lado, eu até achei isso positivo, uma vez que somente assim realmente conhecemos todos os pilotos com suas características diferentes.
Screamer acerta em diversidade de modos
Enquanto o modo torneio é o principal e o grande atrativo de Screamer, diversos outros modos de jogo estão disponíveis. Além do modo multijogador, tanto com partidas locais como online, temos nada menos que 6 tipos de corrida para serem disputadas no modo Arcade.

Imagem: Alvaro Neto/Flow Games
Elas abrangem desde modos mais tradicionais como o Time Attack na disputa de tempos até corridas com desafios de pontos. Nesse último modo, não basta apenas ficar em primeiro lugar, mas tirar seus oponentes das corridas, realizar drifts e outras ações para ganhar mais pontos.
Algo positivo a ser abordado é que, apesar de muito conteúdo ser destravado no modo Torneio do Screamer, todas as corridas que fazemos nos outros modos também ajudam a destravar outros itens, como cosméticos.
Além dos modos de corrida, o Screamer também traz uma galeria bem bacana com artes e trilhas sonoras para serem apreciadas. Já o modo de personalização de carros é que deixa um pouco a desejar.

Imagem: Alvaro Neto/Flow Games
A sua interface é um tanto quanto confusa e não temos muita liberdade para realmente fazer o que quiser com o carro. Não apenas isso, todas as mudanças são somente cosméticas e, não nego, é frustrante não ter um sistema de upgrades real para os carros no Screamer.
Jogabilidade diferenciada com missões chatas
Não apenas com uma história cativante, o Screamer se destaca com uma jogabilidade que é bem diferente de outros jogos de corrida. A sua curva de aprendizado até que é rápida, mas dominar cada um de seus elementos e aperfeiçoá-los é algo que demora, mas que é extremamente recompensador.
Para começar, o Screamer traz em destaque o sistema Twin Stick em que faz a gente pilotar o carro com o analógico da esquerda controlando o drift com o analógico da direita. Apesar de algumas vezes as curvas não saírem perfeitas, esse sistema é bem mais interessante do que o visto em jogos tradicionais.

Imagem: Alvaro Neto/Flow Games
Além disso, outra parte da jogabilidade é a Echo System, um sistema que mistura demais partes do carro. O câmbio dos carros são semi-automáticos, sendo que acertar o tempo da troca da marcha com o L1/LB faz com que a gente acumule boosts e os shields/strikes, que explico a seguir.
Em Screamer não basta apenas correr, mas também atacar ou até mesmo se defender dos adversários. Assim, o Shield, como o próprio nome sugere, pode evitar que sejamos jogados para fora da pista. Já o Strike, além de também poder servir como um turbo, serve para atacar os adversários, mas não funciona tão bem.
Por último, mas não menos importante, caso a gente acumule os boosts necessários, nós também temos o Overdrive. Ele funciona como um grande “nitro” com o diferencial de jogar qualquer adversário para fora da pista. Mas o seu “fim” deixa o carro na cor vermelha fazendo com que qualquer batida seja fatal.

Imagem: Alvaro Neto/Flow Games
Todas essas mecânicas juntas fazem com que as corridas de Screamer, além de intensas sejam bem estratégicas. No entanto, algo a ser ressaltado aqui é que a IA dos inimigos é bem forte e, muitas vezes, parece até mesmo injusta sem cometer erros.
Como se as mecânicas somente não bastassem, cada piloto possui uma habilidade diferente. Assim, enquanto um consegue mais turbos, outro pode ter um strike grátis. E para completar, cada carro do jogo realmente tem uma jogabilidade diferente, ou seja, alguns são melhores para drifits, outros para uma velocidade maior e por aí vai.
Mas para a parte negativa, algumas missões do modo história de Screamer pedem alguns objetivos que deixam as corridas extremamente chatas e frustrantes. Por exemplo, chega em um ponto do jogo que temos que jogar um grupo de corredores para fora da pista e chegar entre os três primeiros colocados, mas nem sempre esse grupo está em uma boa colocação.
Assim, nesses momentos, nós somos meio que obrigados a colocar o pé no freio e não disputar as primeiras posições até conseguir jogar esses pilotos para fora da pista com a mecânica de Strike, que já não é tão funcional.
Screamer vale a pena?
O Screamer é um jogo de corrida que é realmente diferenciado dos outros e que erra em poucos aspectos. Para começo de conversa, a sua história é excelente, bem contada e traz cenas ao estilo anime com uma dublagem de alta qualidade.
Mas não parando somente aí, a jogabilidade de Screamer é realmente única, fazendo que seja até difícil compará-lo com outros jogos de corrida. É verdade que algumas missões são chatas e que a mecânica de Strikes poderia ser melhor, assim como faz falta um sistema de upgrades ou opções cosméticas mais simplificadas.
Mesmo com esses pequenos detalhes, seja para fãs do Screamer original ou apenas de jogos de corrida, esse é um título que realmente merece a atenção dos jogadores.

Screamer
Publisher: Milestone S.r.l.
Desenvolvedora: Milestone S.r.l.
Plataformas: PC, PS5 e Xbox Series X|S
Lançamento: 26/03/2026
Tempo de review: 19 horas
Com uma história bem caprichada e mecânicas que o diferenciam de outros jogos de corrida, o título que marca o reboot da franquia Screamer é excelente
Prós
- História caprichada com belas cenas anime
- Jogabilidade inovadora
- Diversos modos de jogo
Contras
- Algumas missões são entediantes
- Sistema de Strike poderia ser melhor











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