
Review: The Blood of Dawnwalker é ótima estreia para uma IP nova
Se você é fã de The Witcher 3 e gosta de vampiros, The Blood of Dawnwalker é prato cheio, mas há algumas questões
Imagem: Rebel Wolves
strong>The Blood of Dawnwalker é o primeiro jogo desenvolvido pela Rebel Wolves, um novo estúdio polonês fundado por ex-diretores e desenvolvedores principais de The Witcher 3 (incluindo nomes de peso como Konrad Tomaszkiewicz e o roteirista Jakub).
Com uma fundação tão forte, o jogo chega com a responsabilidade de iniciar uma nova e promissora franquia focada em vampiros, entregando uma experiência que lembra muito um “The Witcher 3.5”, mas com identidade própria muito forte. A pergunta chave é: vale a pena?
Venha ver o nosso review completo de The Blood of Dawnwalker abaixo!
Esta análise é de autoria do Guilherme Phoenix.
The Blood of Dawnwalker: mundo rico com contagem regressiva
Na história de The Blood of Dawnwalker, controlamos Cohen, um mero camponês cuja vila foi atacada pela Peste Negra e, em seguida, dominada por Brances, um lorde vampiro da raça Vrakir. Brances passa a cobrar impostos em forma de sangue da população. Quando a família de Cohen tenta resistir, eles são capturados, e Cohen acaba sendo transformado em um Dawnwalker — uma criatura que é humana durante o dia e vampira durante a noite. Sua missão principal é clara e urgente: você tem exatamente 30 dias no jogo para salvar sua família antes que Brances seja coroado e os execute.
Eu realmente achei a história de The Blood of Dawnwalker muito boa, e isso é resultado do mérito da Rebel Wolves em criar um lore, regras para os vampiros e um universo original sem depender de livros pré-existentes, como em The Wicher 3. Os devs conseguiram sair da sombra do bruxão. Mas esse sequer é o tempero especial. Deixo isso para a mecânica de tempo.
O grande diferencial de The Blood of Dawnwalker é a gestão do relógio. O jogo possui apenas uma missão principal (salvar sua família), e todo o resto é considerado missão secundária que consumirá o seu tempo. O sistema divide o dia em duas etapas: 8 espaços de tempo para o dia e 8 espaços de tempo para a noite. Tudo o que você faz custa tempo: missões, conversar com NPCs importantes e até mesmo melhorar suas habilidades.
É preciso balancear isso com perfeição. Se você perder o limite de tempo de algumas missões secundárias, falha nelas automaticamente. A melhor estratégia acaba sendo gastar seus pontos de habilidade durante o dia, já que o combate noturno como vampiro é naturalmente mais vantajoso.

Imagem: Bandai Namco Entertainment
Universo reativo
A reatividade do mundo de The Blood of Dawnwalker é impressionante e as suas escolhas realmente moldam a história. É possível ignorar os lordes, formar alianças inusitadas com outros NPCs (como Alacra, Marati, Aanka e até um vampiro vegetariano chamado Vithio) ou tentar matar Brances logo no prólogo. A liberdade vai ao ponto de permitir que você sugue o sangue de NPCs de missões cruciais, eliminando-os da história e moldando o enredo para essa nova versão do mundo sem esse personagem importante. O jogo conta com múltiplos finais (já presenciei quatro diferentes) e entrega uma narrativa de altíssima qualidade.
Mesmo sendo bem divertido de ver essas ramificações narrativas, elas não importariam tanto se The Blood of Dawnwalker não fosse divertido e bem-feito em gameplay
A temática de vampiros apresentada em The Blood of Dawnwalker é muito bem retratada, com bons personagens, escrita de alta qualidade, roteiro muito bem amarrado e uma ambientação e imersão incrível dentro da campanha. Coen é um ótimo personagem. Há muita responsabilidade vindo do Bruxão, mas a equipe da Rebel Wolves conseguiu fazer um personagem bom, forte, com identidade própria, que consegue tomar decisões e sentir que organicamente se encaixa nas escolhas.
O elenco coadjuvante de The Blood of Dawnwalker também é recheado de personagens bons, como o Vicho, a Lakra, o Crex e o padro Florin, cada um com uma uma linha de missões que leva você para aventuras únicas, todas excelentes – algo que achei muito positivo na experiência. Mas mesmo sendo bem divertido de ver essas ramificações narrativas, elas não importariam tanto se The Blood of Dawnwalker não fosse divertido e bem-feito em gameplay. E ele é?

Imagem: Rebel Wolves
Gameplay traz nuances entre humano e vampiro
Por ser um “penumbro”, um vampiro que consegue manter o seu lado humano e também andar de dia, o gameplay de The Blood of Dawnwalker frequentemente mistura elementos que aproveitam essas duas facetas, seja na exploração ou no combate. O jogo apresenta dois estilos de combate completamente distintos, dependendo do período do dia:
- Combate Humano (Dia): focado no uso de espada, é uma mistura do combate de The Witcher 3 com o sistema direcional de Kingdom Come Deliverance. Exige que você aprenda o ritmo perfeito de ataque, defesa e parry. Existe também o uso de “Bruxarias” (magias), mas o combate corpo a corpo brilha mais. O sistema direcional exige prática, o que torna os combates diurnos um verdadeiro desafio.
- Combate Vampiro (Noite): aqui você usa suas garras. É um combate muito mais rápido, fluido e letal. Você conta com habilidades como o “Pulo das Sombras” (Shadow Leap), que permite teleportar para as costas do inimigo. É consideravelmente mais fácil e divertido do que o combate diurno.
Essas mecânicas também são refletidas na forma de exploração. Apesar de ter um mapa colossal (talvez até grande demais para o limite de 30 dias), fazendo com que missões menores de “salvar NPCs na rua” pareçam perda de tempo, a exploração é fantástica graças ao sistema de locomoção. Não existem cavalos ou veículos; em vez disso, o jogo oferece soluções muito mais criativas: de dia, Cohen usa a “Corrida Mercurial”, movendo-se em supervelocidade (lembrando heróis como o Mercúrio ou o Flash), enquanto de Noite você pode se transformar em um lobo, cruzando o cenário rapidamente de forma fluida e estilosa.
O mapa é dividido em 3 áreas principais além do prólogo, cada uma controlada por um lorde aliado de Brances: Chanti (uma sacerdotisa fanática), Ambrus (um jovem gladiador loiro) e Bakir (um sanguinário senhor da guerra mongol). Você pode atacar as fortalezas deles para enfraquecer Brances antes do confronto final.

Imagem: Rebel Wolves
The Blood of Dawnwalker me conquistou muito pelo gameplay inicialmente, que é refinado e divertido. Talvez parte do motivo é porque jogar de vampiro é extremamente satisfatório e sacia a fantasia ser essa criatura da noite, já que andar pelas paredes e teleportar para lá e para cá é muito bem-feito, além de o combate nos fazer sentir muito poderosos.
As lutas contra chefões em The Blood of Dawnwalker são memoráveis e divertidas. A árvore de habilidades se divide entre poderes vampíricos e humanos e é bem-feita para essas ocasiões. O título te agarra pelo gameplay e te prende por horas só nisso. Porém, ele também tem sua dose de problemas.
Sistemas e mecânicas com arestas para aparar
Um dos defeitos de The Blood of Dawnwalker é a IA dos NPCs. Tive até momentos engraçados de o personagem ficar falando de longe e nunca vir até mim (ou de ficar travado na parede tentando encontrar o caminho para caminhar até o protagonista). Outra decepção foi a maneira de travar mira: achei ruim trocar para o inimigo que eu queria, sempre alternando para aquele que eu não queria e, principalmente, ao usar uma habilidade que muda o alvo. Isso cria entraves e complicações desnecessárias.
Outro ponto negativo de The Blood of Dawnwalker foi o sistema furtivo. Acredito que eles poderiam ter explorado mais esse sistema stealth, mas entendo a filosofia de não querer um “immersive sim”, e sim um RPG de ação. Além disso, senti que o esquema de dia e noite é o ponto mais discutível do game: às vezes funciona bem para diversificar opções de resolução das missões, já que administrar o tempo/estratégia é legal, porém, na maioria das vezes, preferi jogar de noite por ser muito mais forte, deixando o lado “dia” um pouco de escanteio e mal aproveitado.
The Blood of Dawnwalker também acaba criando um desbalanceamento em como gastamos o tempo, o recurso mais limitado da campanha. Eventos aleatórios no mundo (como salvar um NPC) gastam blocos de tempo preciosos, mas dão recompensas baixas que não valem o esforço. As dungeons também não são das melhores e carecem de uma exploração mais refinada. Nesse jogo você vai para catacumbas muito antigas e não há uma grande exploração nelas: é só andar reto, olhar murais, itens e combater inimigos repetidos (algo que também existe por aqui, reciclando entre ursos, lobos e outros).

Imagem: Bandai Namco Entertainment
Um dos pontos altos de The Blood of Dawnwalker é a trilha sonora excelente, composta pela mesma equipe de The Witcher 3, com nomes do calibre de Mikolai Stroinski e Piotr Musiał, garantindo aquela atmosfera épica e sombria. O design de som (vampiros, magias, ambiente) também é impecável. O grande ponto negativo para o público brasileiro é a falta de dublagem em PT-BR. Para um RPG denso e cheio de diálogos, isso faz muita falta, obrigando o jogador a ler legendas o tempo todo durante as gameplays. Felizmente, a localização dos textos está perfeita.
Desempenho técnico e bugs
Como é comum em lançamentos recentes de mundo aberto, The Blood of Dawnwalker é um jogo extremamente pesado e que carece de otimização, algo que pode pesar negativamente na experiência. Joguei num PC High-End (RTX 5090 + AMD 9800X3D) e, ainda assim, presenciei quedas para 60 fps. O uso do DLSS é obrigatório; sem ele, é praticamente injogável no ato de publicação deste review. Felizmente, a desenvolvedora adicionou o Frame Generation logo após o lançamento, o que aliviou bastante o problema.
Felizmente, a direção de arte de The Blood of Dawnwalker é muito boa, trazendo uma coerência da visão artística (gótico, grotesco, barroco) que supera e complementa a fidelidade gráfica pura. Porém, há alguns problemas pontuais. Há muita repetição de NPCs no mundo de The Blood of Dawnwalker, algo que até me confundiu de vez em quando, além de expressões faciais muito abaixo do que esperamos em um título AAA.
Por fim, encontrei alguns bugs durante a campanha, como falhas de iluminação carregando em blocos, alguns crashes raros e NPCs presos em telas de loading infinito, além de uma missão secundária bugada na qual o item necessário ficou inacessível numa torre.

Imagem: Rebel Wolvess
Veredito
The Blood of Dawnwalker é uma estreia de ouro para a Rebel Wolves. Apesar de estar sendo vendido a um preço de jogo “AAA” (o que pode ser questionável dado alguns de seus problemas técnicos e escopo AA), ele entrega uma experiência madura, profunda e extremamente reativa. A fantasia de vampiros é representada de forma magnífica; a história, decisões e ramificações são extremamente bem-feitas, enquanto o combate é divertido e muito refinado de uma forma geral. A mecânica de gerenciamento de tempo é realmente um tempero único que traz um DNA diferente à fórmula de RPG.
Existem pontos que poderiam mais refinados, como repetição de inimigos e balanceamento de algumas atividades, mas The Blood of Dawnwalker ainda é uma estreia muito sólida para uma IP nova – mesmo que existam arestas a serem aparadas. Se você é fã de The Witcher 3 e gosta da temática de vampiros, este é um jogo obrigatório.
The Blood of Dawnwalker foi gentilmente cedido pela Bandai Namco para a realização desta análise.
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The Blood of Dawnwalker
Publisher: Bandai Namco
Desenvolvedora: Rebel Wolves
Plataformas: PS5, Xbox Series X|S e PC
Lançamento: 03/09/2026
Tempo de review: 40 horas
Se você é fã de The Witcher 3 e gosta da temática de vampiros, The Blood of Dawnwalker é um jogo obrigatório, mesmo com algumas arestas a serem aparadas
Prós
- Combate refinado, especialmente como vampiro
- Exploração cheia de nuances
- História bem escrita e criativa
- Mundo inspirado e bem construído
- Trilha sonora marcante
Contras
- Desempenho técnico requer correções
- IA e comportamento errático de alguns NPCs











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