
Review: Gears of War E-Day é um Triplo A de “A” maiúsculo
Gears of War E-Day é maior exclusivo da geração do Xbox e, talvez, o melhor da série; veja nosso review
Imagem: Xbox
The Coalition tinha uma missão difícil quando assumiu a franquia Gears na década passada e, embora tenha feito um trabalho razoável, não esteve à altura da trilogia épica original. Por conta disso, Gears of War E-Day poderia ser uma maneira de resgatar não somente a qualidade do passado, mas como o clima melancólico que marcou a série.
Se você está por fora, Gears of War E-Day se passa exatamente durante o Emergency Day, dia em que a invasão Locust ocorreu no planeta Sera. Em outras palavras, havia um terreno fértil para cultivar a sensação de agonia, desespero e falta de esperança que os três primeiros games trouxeram.
Felizmente, a The Coalition finalmente afinou suas ferramentas e as engrenagens da guerra foram lubrificadas: Gears of War E-Day não só está à altura de seu legado, como também pode ser o melhor da franquia, nos lembrando que não só de violência e brucutus enormes vive a série, mas também de uma sensação amarga e desoladora.
O que eu encontrei em minhas quase 17 horas de jogatina foi uma campanha extremamente sólida, que toca as notas corretas e sabe dosar perfeitamente linearidade atmosférica com liberdade de exploração e conteúdo empolgante.
E, para deixar uma coisa clara, tivemos acesso somente à campanha de Gears of War E-Day e nossas impressões dos demais modos chegarão depois. Dito isso, confira o nosso review completo de Gears of War E-Day!
A melancolia e ação se misturam na trama novamente
Eu amo a trilogia de Gears of War da Epic Games. Se você não é fã ou não acompanha a franquia, talvez pense que a série seja um grande cenário para ação desenfreada, um Doom em terceira pessoa, mas se engana: o cerne dos títulos circula entorno de uma sensação desesperadora e melancólica, como se cada batalha fosse o último respiro de um clima de pouca esperança.
Gears of War E-Day tem uma oportunidade de ouro para trazer essa atmosfera de volta por não ter que criar sequências de uma trilogia encerrada perfeitamente. Servindo como uma trama prequel, acompanhamos os eventos do Emergency Day, dia da invasão Locust no planeta Sera, e quando tudo desanda de vez.
Toda a campanha se passa nos três primeiros dias de invasão à cidade de Kalona e logo após o fim da guerra contra a URI, outra coalizão de nações que lutavam pela Emulsão, matéria-prima que serve como energia para a sobrevivência humana em um planeta com recursos quase esgotados.

Imagem: Flow Games/Vini Munhoz
Essa sensação de os soldados da CGO ainda se recuperando dos traumas de guerra, da perda de amigos (como Carlos, irmão de Dom e amigo de Marcus Fenix) e exaustão mental, se deparando com mais uma guerra pela frente, é sufocante, além de dar abertura para vermos um lado mais humano e frágil (mas não meloso ou sentimental) dos personagens. E esse é um dos motivos pelos quais Gears of War E-Day acerta tanto.
É muito intrigante ver essa nova ótica dos eventos, com Marcus e Dom mais novos e cometendo mais erros, a humanidade tentando entender o que está acontecendo e como a vida está prestes a mudar. Gears of War E-Day é extremamente atmosférico e conta uma jornada com as mudanças que ocorrem ao longo de três dias.
É fascinante acompanhar os eventos da primeira noite, com forças policiais e ambulâncias circulando a cidade, ver como a delegacia de Kalona caiu por uma ameaça até então desconhecida e como a paisagem se transforma conforme a invasão acontece.

Imagem: Flow Games/Vini Munhoz
É curioso que a The Coalition conseguiu inserir até alguns leves momentos de terror, sempre trazendo uma nova perspectiva para inimigos que os fãs já conhecem tão bem. A escrita é realmente muito bem-feita e os eventos são sempre regados de novidades, ação e uma dose soturna de acontecimentos sombrios.
O legal é que Gears of War E-Day funciona bem tanto para veteranos quanto para novatos. Teremos cenas em que vemos como Marcus Fenix ganhou sua cicatriz, como a Lancer surgiu e até referências a Adam Fenix e outras figuras, mas elas são mais bônus do que elementos essenciais para o entendimento da trama.
Mesmo sem Baird e Cole, ainda há carisma de sobra e um excelente ângulo para explorar antigos personagens e membros inéditos do esquadrão, como Lucas Reyes e Mags Carter, ambos com excelentes panos de fundo e com um bom tempo de desenvolvimento para completar seus arcos pessoais.

Imagem: Flow Games/Vini Munhoz
Gears of War E-Day consegue dosar muito bem seus momentos de tensão, ansiedade, ação e calmaria, entregando uma excelente trama que enriquece um dos momentos mais importantes da franquia sem se parecer com um jogo vazio: já sabemos que Marcus e Dom sobrevivem, já que se trata de um prequel, mas a história ainda é contada de uma forma inédita e impactante.
Para coroar a experiência, o jogo está 100% legendado e dublado em português do Brasil. As vozes são excelentes para cada papel e gostei muito da localização, mas vale pontuar que encontrei alguns poucos bugs, seja de um diálogo não sendo executado ou legendas com falas em inglês (ou até com abreviações). Imagino que isso deva ser corrigido até o lançamento, mas vale a citação.
Eu realmente gostei muito do que a The Coalition fez em Gears of War E-Day, mesmo que não seja uma trama que inove demais ou traga os maiores momentos que você terá em um videogame. A campanha é extremamente sólida, bem-feita e que não só entende como fazer um bom ritmo, como também encapsula o sentimento dos originais, mas ainda com surpresas no gameplay.

Imagem: Flow Games/Vini Munhoz
Estrutura aberta é harmoniosa com as seções lineares
De uma forma geral, Gears of War trazia cenários interessantes que premiavam o pensamento tático para flanquear adversários (ou ser flanqueado), mas ainda era um jogo de corredores e de seções sob trilhos em alguns momentos. Gears 5 tentou inovar a fórmula até conseguiu de certa maneira, mas ainda não estava no ponto certo. Gears of War E-Day encontra o ponto perfeito.
Zerar a campanha me levou quase 17 horas, sempre procurando atividades paralelas e colecionáveis, e achei um tempo muito satisfatório. A The Coalition dosou muito bem as seções lineares e extremamente atmosféricas, que passam o sentimento exato do que a cena necessita, com momentos abertos e que recompensam a exploração.

Imagem: Flow Games/Vini Munhoz
Em tempos de jogos mais lineares, é bom ver boas ideias dando frutos e Kalona é uma cidade muito bem-feita para trazer conteúdo secundário, servindo como uma espécie de “bairro aberto”. Na verdade, “bairros abertos”, já que há múltiplas áreas mais amplas e até revisitamos algumas delas com o cenário transformado.
O mais legal é que esse conteúdo secundário de Gears of War E-Day não parece forçado, já que faz sentido que os soldados da reserva se juntem para ajudar a população como podem. Você verá cidadãos ilhados em edifícios, outros esquadrões que precisam de suporte e por aí vai.
As missões são relativamente simples, com defesa de objetivos ou eliminar um determinado número de alvos, mas o combate de Gears of War E-Day é tão bom que esse tipo de conteúdo agrega bastante, nos passando a imersão necessária para a situação do Emergency Day. Elas poderiam ser mais variadas e distintas? Sim, mas ainda contam histórias legais.

Imagem: Flow Games/Vini Munhoz
E claro, há colecionáveis e até um novo tipo de recurso: a caixa rígida, que traz melhorias de equipamento que comentarei em breve. Nos segmentos lineares é necessário explorar e encontrar cada canto para descobri-los, mas nos cenários mais amplos podemos consultar o mapa para procurar por itens perdíveis ou missões paralelas, que só de curiosidade, são 17 missões e 140 colecionáveis.
Novamente, o que temos aqui não é nada revolucionário nem o melhor bairro aberto que você vai ver, mas tudo é tão bem-feito e orna tão bem no contexto da trama, que cai como uma luva. E é legal ver os desdobramentos e organização militar em Kalona, é interessante ver os prédios desmoronando conforme exploramos e é ainda mais impactante ver a moral dos personagens mudando conforme avançamos.
Os segmentos de Gears of War E-Day são todos de qualidade alta, independente do estilo adotado, e também adorei as seções nos helicópteros ou andar sem muita liberdade nas ruas caóticas de Kalona. O novo jogo da The Coalition realmente equilibra muito bem e entrega uma campanha AAA de altíssimo calibre, mas sem encher linguiça ou perder a mão no ritmo.

Imagem: Flow Games/Vini Munhoz
Gameplay incremental que acerta no alvo
A série Gears of War remodelou e inspirou como jogos de tiro em terceira pessoa funcionam após estrear o sistema de cobertura e o estilo de gunplay brutal. E mesmo hoje, cinco jogos à frente e três gerações depois, esse sistema de gameplay continua contemporâneo. Por conta disso, Gears of War E-Day faz ajustes e incrementos pontuais certeiros.
Um deles é que o level design é um pouco mais verticalizado agora, com mais estruturas para escalar e inimigos que se posicionam em torres, prédios e mais. Eu realmente gostei dessa expansão vertical, que traz batalhas mais intensas e dinâmicas.

Imagem: Flow Games/Vini Munhoz
É bem artesanal a forma que a The Coalition prepara as arenas e traz boas experiências para aproveitar ao máximo o sistema de combate do game. Frequentemente há Boomers, os grandalhões com lança-granadas, acompanhados de hordas de Wretches, os locusts pequenos que atacam corpo a corpo, nos obrigando a sair de coberturas e ficarmos vulneráveis a ataques.
Gears of War E-Day traz batalhas atrás de batalhas interessantes, das opcionais às mandatórias. Adorei ver alguns inimigos repaginados para esse conceito de invasão e cidade sitiada, como os Reavers, que funcionam como artilharia e se enterram no chão, disparando morteiros; ou que tal os Brumaks, que surgem como chefões em seções bem mais cinematográficas?
Em termos de novidades mecânicas, Gears of War E-Day traz um botão que serve para pulo, separando alguns comandos do botão de cobertura; além disso, é possível escorregar após correr, algo especialmente útil contra alguns inimigos mais cascudos, como Reavers quando pousam ou para desviar de ataques pesados de Brumaks.

Imagem: Flow Games/Vini Munhoz
É legal ter ações separadas e isso traz um dinamismo maior, algo que funciona de forma harmoniosa na campanha sem ser um grande exagero – mas imagino que a novidade seja maior para o modo Versus, que não testamos na versão final. Outra novidade é a cobertura em pontos bem pequenos, forçando os personagens a se deitarem e trazendo um “último recurso” em áreas mais difíceis, que eu adorei.
As novas armas também são muito divertidas. Gears of War E-Day traz a escopeta de ácido, o lança-granadas dos CGO, metralhadoras Locusts inéditas, granadas novas e mais, sempre variando com o arsenal antigo. E o mais legal é que toda arma é válida, já que existe um sistema de personalização.
Chamada de Caixa de Suprimentos, há pontos de abastecimento que permitem repor munição e também mudar o seu layout, seja de armas que vai levar ou de modificadores. Achou a Lancer MK1 muito lenta e o magazine pequeno? Eventualmente, você terá modificadores que podem contornar esses pontos – essas são as Caixas Rígidas que achamos no mapa aberto.

Imagem: Flow Games/Vini Munhoz
Há um leque realmente gigantesco de modificadores de armas em Gears of War E-Day e adorei brincar com cada um deles, especialmente quando há combos com as habilidades especiais. Sim, agora podemos equipar também skills bem interessantes, como injetores de adrenalina ou drones de reconhecimento, e há mods que combinam com armas.
Eu particularmente adorei ter a Longshot de carregador estendido e a habilidade que eu não precisava recarregar o tiro se eu matasse inimigos marcados pelo drone, por exemplo. Imagino que essas modificações serão ainda mais divertidas na dificuldade Insana, que pretendo aproveitar com amigos assim que o jogo for lançado.
E ah, caso não saiba, Gears of War E-Day permite multiplayer de sofá para até duas pessoas no Xbox Series, além de multiplayer cooperativo de quatro pessoas no modo online, algo bem positivo para a série.

Imagem: Flow Games/Vini Munhoz
Se há um único ponto que não gostei tanto foi a IA aliada. A inteligência artificial dos Locusts continua tão refinada, se não melhor, do que já conhecemos, mas senti que os aliados muitas vezes tomam decisões ruins ou ignoram marcadores de ping deixados pelo jogador – além de frequentemente ignorarem quando você cai em combate do lado deles.
Ao menos as quedas dos NPCs controlados por bots não contam para o limite de quatro quedas para cada sessão de batalha, o que poderia ser frustrante (mas se você ou jogadores humanos online caírem, essas quedas ainda são contabilizadas).

Imagem: Flow Games/Vini Munhoz
A The Coalition acerta em cheio para criar uma experiência singleplayer de alto calibre, sempre tomando cuidado com o ritmo de novidades. A cada novo capítulo há armas novas, inimigos inéditos (na franquia e no próprio jogo) e até modificadores de armas, alinhando com o que mencionei sobre as áreas abertas.
Gears of War E-Day é divertidíssimo de jogar, tem fator replay e traz uma belíssima campanha que é ainda mais divertida com amigos. Quanto mais eu falo, mais ele parece tomar o posto de primeiro lugar da franquia.

Imagem: Flow Games/Vini Munhoz
Extremamente lindo, mas pesado, talvez mal-otimizado e com alguns bugs
Aqui vai a faca de dois gumes de Gears of War E-Day: a apresentação visual. Ela é brilhante, ela é fantástica e ela é lindíssima. A The Coalition sempre trabalhou em conjunto com a Epic Games para atingir o ápice de inovação tecnológica e uso de recursos avançados – e dessa vez não foi diferente.
Não vou chover no molhado porque já expliquei alguns desses impactos: ambientação impecável e uma atmosfera que captura perfeitamente o clima desolador que o prequel merecia. Texturas de excelente qualidade, ray tracing em todos os pontos possíveis e até o uso do MegaLights no PC, tecnologia que permite um uso ainda maior de fontes de luz e mais dinamismo em cena.

Imagem: Flow Games/Vini Munhoz
Gears of War E-Day é lindíssimo, sempre utilizando muito bem os ambientes urbanos, animações de prédios desabando e outras seções scriptadas, mas também traz uma ótima destruição dinâmica de cenários e até momentos diferentes, como florestas e outros biomas em certas partes da campanha.
Porém, o custo é alto. Esse talvez seja o primeiro jogo na geração que o meu PC realmente sofreu para rodar. Com uma GeForce RTX 5090, um i7-13700K e 32 GB de RAM DDR5, não consegui ter performance estável em 60 fps em 1440p e tudo no Extremo (ou no Ultra, que seja).
O que salvou a performance e a instabilidade de Gears of War E-Day foi o DLSS, especialmente com geração de quadros. Ter o DLSS convencional no Qualidade, Equilibrado ou Performance pouco impactou a minha experiência, já que o gargalo foi processador: esse é um jogo MUITO pesado na CPU e constantemente minha GPU estava com menos de 70% de uso.

Imagem: Flow Games/Vini Munhoz
Já havíamos relatado isso no Beta e no preview de campanha, o até Digital Foundry citou que um Ryzen 7 9800X3D teve gargalos, e as coisas até melhoraram um pouco, mas não muito. Além disso, por ser um jogo na Unreal Engine 5, pode esperar por um longo processo de compilação de sombreadores e stutterings eventuais na jogatina, seja de shaders ou de travessia do mundo.
Eu testei a experiência no ROG Xbox Ally X e até que é possível escalar as coisas para baixo. Por lá, é possível ter algo próximo de 30 a 35 fps em 1440p com preset Baixo para Médio, mas não sei como o jogo pode escalar em outros hardwares mais modestos.


Além disso, tive minha parcela de bugs: missões que não começavam, momentos em que o botão para coletar armas e munições parou de funcionar, alguns poucos travamentos no cenário (fiquei preso entre uma caixa e uma parede) e coisas do tipo. Além disso, toda vez que eu abria o mapa, a geração de quadros parou de funcionar, o que me gerava uma etapa extra para fazê-la funcionar novamente.
Esses bugs de Gears of War E-Day não foram muito frequentes e a maioria não impediu meu progresso, mas imagino que alguns deles me trariam frustrações em dificuldades mais altas. Temos algo polido aqui, mas ainda restam arestas para aparar.

Imagem: Flow Games/Vini Munhoz
Gears of War E-Day vale a pena?
Eu tinha expectativas altas por Gears of War E-Day, que tinha tudo para dar certo e resgatar a glória do passado. E, de fato, temos em mãos um Triplo A com “A maiúsculo” mesmo, oferecendo uma campanha excelente, ação requintada, clima melancólico resgatado dos originais e uma qualidade de altíssimo orçamento.
As seções abertas ornam perfeitamente com os momentos lineares, há um grande fator replay, ação de qualidade singular, história extremamente cativante, clima atmosférico absurdo e muitos outros pontos positivos, como gráficos de ponta e grande incentivo à exploração.
Gears of War E-Day é o grande exclusivo que o Xbox merecia. Não do ano, mas talvez da geração, que só não cravo porque ainda há Fable para vermos. Há arestas para aparar e a otimização não é das melhores, mas ainda temos um jogaço em mãos que, se não é o melhor da franquia, divide o pódio.
Gears of War E-Day foi gentilmente cedido pelo Xbox para a realização desta análise.

Gears of War E-Day
Publisher: Xbox
Desenvolvedora: The Coalition
Plataformas: PC e Xbox Series
Lançamento: 06/10/2026
Tempo de review: 18 horas
Gears of War E-Day une excelente história, missões lineares e estrutura aberta que funcionam de forma muito harmoniosa, além de gameplay absurdamente bom e gráficos fantásticos
Prós
- História muito bem contada e com personagens cativantes
- Captura o sentimento melancólico dos originais
- Estrutura linear e aberta são muito bem-feitas
- Gameplay continua acertando e traz bons incrementos
- Ótimo ritmo de novidades (armas, inimigos e mods)
- Excelente direção de arte e ambicioso tecnicamente
Contras
- Missões paralelas poderiam ser mais variadas
- IA aliada às vezes não contribui à experiência
- Bem pesado de rodar e com alguns bugs











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