
Preview: Monster Hunter Stories 3 eleva MUITO a franquia
Jogamos mais de 3 horas de Monster Hunter Stories 3 e afirmamos: é o “Pokémon que deu certo”
Imagem: Capcom
gênero de “monster tamer” tenta ter um fôlego além de Pokémon, mas parece que quase nada chega ao sucesso da franquia da Nintendo. Porém, não quer dizer que não há games melhores e Monster Hunter Stories 3 é um dos que podem facilmente caber nessa descrição.
A série começou modesta lá no 3DS, explorando o tipo de quest mais chato da franquia principal: roubar ovos – mas com um estilo de Pokémon de capturar monstros. A série expandiu para o Nintendo Switch em 2021 e, agora, parece que vai dar o maior salto de toda a franquia.
Se a qualidade que vimos nas mais de 10 horas de preview se mantiver no produto final, Monster Hunter Stories 3 pode não ser somente uma experiência a la Pokémon, mas um JRPG de peso para qualquer fã, melhorando cada um dos pontos já muito bem-consolidados.

Imagem: Vini Munhoz/Flow Games
Monster Hunter Stories 3: Twisted Reflections aprimora tudo, de trama, mecânicas a qualidades de vida, e talvez agora possa ser encarado mais do que como uma boa alternativa de monster tamer, mas sim como um JRPG de alto orçamento e qualidade muito além do que podemos esperar. Confira nosso preview!
Sai protagonista mudo, entra trama mais focada
Se você olhar análises e impressões de Monster Hunter Stories 1 e 2, verá relatos similares sobre a narrativa: ela é bobinha, muitas vezes infantil, e básica o suficiente para engrenar a campanha, que se foca em outras coisas. A história era um pano de fundo e o protagonista era mudo, algo muito protocolar.
Porém, isso mudou radicalmente em Monster Hunter Stories 3. Mesmo que não seja uma trama digna de indicação na The Game Awards, o nível de escrita deu um salto enorme, trazendo temas mais sérios, personagens com históricos mais cativantes para nos importarmos e, principalmente, um protagonista ativo no desenrolar da aventura com personalidade e falas próprias.

Imagem: Vini Munhoz/Flow Games
Na campanha, vemos dois reinos afetados pela crostalização, um fenômeno que altera a natureza e o ecossistema de monstros, fazendo com que a fauna se torne extremamente agressiva e destrua a possibilidade do convívio com as feras. E, nesse cenário, o reino de Vermeil está sofrendo muito mais que Azuria, criando uma quase necessidade de invasão e guerra para lutar pela sobrevivência, causando conflitos políticos. Tudo isso é somado com um mistério envolvendo o protagonista, sua mãe e gêmeos Rathalos raros.
Além disso, o enredo não cai novamente no repeteco de nos colocar no papel de um recém-formado montador que deve passar pelos rituais de iniciação. O protagonista já é mais maduro e experiente logo de começo a narrativa parte de algo já em andamento, criando a interessante dinâmica de explicar aos poucos os objetivos futuros, mas também eventos passados que estamos alheios. Eu realmente gostei do que vi até agora e fui fisgado para descobrir o desfecho.
Também gostaria de citar algo que pode ser uma dúvida para muitos: é necessário jogar os games anteriores ou essa é uma história independente? Felizmente, você pode começar diretamente por Monster Hunter Stories 3 e não perder nada, embora o universo seja compartilhado e antigos personagens possam dar as caras.

Imagem: Vini Munhoz/Flow Games
Não quero dar muitos detalhes para evitar spoilers, mas Monster Hunter Stories 3 realmente dá um passo além do que vinha fazendo nos jogos anteriores e cria algo bem mais atrativo de acompanhar, saindo um pouco da sombra de ter uma história apenas por ter.
Outro ponto de destaque são os personagens coadjuvantes, que além de terem mais espaço, também têm sidequests próprias (chamadas de Arcos) que expandem suas tramas pessoais. As missões são curtinhas e nem sempre tão divertidas, mas ainda bacanas para entender mais sobre eles.

Imagem: Vini Munhoz/Flow Games
Similar mecanicamente, mas com novidades
Se você já jogou algum outro spin-off da série no passado, deve saber que Monster Hunter Stories 3 utiliza um sistema de pedra, papel e tesoura com ataques rápidos, técnicos e fortes e uma estrutura de dano elemental similar ao que vemos na franquia principal.
Esse alicerce se mantém aqui e, embora simples e não muito diferente do que vimos lá no Nintendo 3DS em 2016, o terceiro game traz algumas camadas extras legais – algumas recorrentes da sequência de 2021 e outras novas. Entre elas está a expansão de atacar partes dos monstros.

Imagem: Vini Munhoz/Flow Games
Essa mecânica existe desde o primeiro, mas aqui ganha um peso estratégico maior. Além de quebrar cada parte dar bônus de dano, materiais extras e até mesmo esgotar a barra de alma de serpe, uma espécie de barra de vigor que retira a agressividade do adversário, ela também é atrelada a um sistema de risco e recompensa.
Com os novos monstros invasores da história, há partes cristalizadas que, se quebradas, removem alguns ataques muito poderosos dos monstros. Contudo, existe uma hora certa para isso: caso você ataque uma serpe durante sua fúria, ele vai ter uma ação extra de retaliação, então é necessário ter cautela. Essas novidades são bem positivas e trazem uma dinâmica maior.
Outra adição de Monster Hunter Stories 3 é a Espada Longa como uma nova arma viável, garantindo um novo sistema de gameplay. É possível ter até 3 armas diferentes com você durante as lutas (Espadão, Espada Longa, Martelo, Berrante de Caça, Arco ou Lançarma) e você pode trocá-las para cada situação, seja para dano elemental ou tipo de dano diferente, como concussivo, cortante ou perfurante.

Imagem: Vini Munhoz/Flow Games
Eu gostei bastante da Espada Longa e ela é uma excelente adição que requer um planejamento da barra espiritual, oferecendo ataques fora de turno de acordo com as ações dos seus companheiros.
Porém, quanto mais jogamos, mais camadas aparecem. Uma das novidades de Monster Hunter Stories 3 é o ataque sincronizado, quase como um All Out Attack de Persona 5, que todos os personagens atacam em conjunto quando um monstro cai de fadiga, causando uma boa dose de dano extra – e recompensando quem foca nas partes de cada criatura e causa fadiga da barra de alma.
Eu poderia passar um bom tempo apenas citando mecânicas, mas esse não seria um preview muito atrativo de ler. O grande resumo é que, embora Monster Hunter Stories 3 se pareça bastante com seus antecessores, ele é muito mais robusto e cheio de novidades do que aparenta no sistema de combate.
Durante as 10 horas que testei de Monster Hunter Stories 3, a variedade de monstros para enfrentar (ou adicionar à sua equipe) foi muito satisfatória, as animações dos golpes são extremamente bem-dirigidas e legais de ver na tela, e há muitas habilidades, armaduras e armas diferentes para conquistar. Há até mesmo especiais para cada monstro e especiais combinados com os seus companheiros.

Imagem: Vini Munhoz/Flow Games
Realmente fiquei surpreso com o nível de qualidade técnica. O que começou como um monster tamer da série Monster Hunter se transformou em um grande e robusto JRPG capaz de deixar muitos títulos famosos no chinelo.
As minhas únicas reclamações são pequenas, mas que ainda incomodam. Eu realmente gostaria de poder controlar as ações dos meus companheiros em Monster Hunter Stories 3, que às vezes tomam decisões que eu sei estarem erradas, mas não posso ter agência sobre elas. A IA é bem competente, mas às vezes entra no caminho da estratégia.
Além disso, gostaria de ver uma forma mais fácil de saber qual tipo de ataque o monstro inimigo vai realizar em Monster Hunter Stories 3. Por fim, também achei que a barra de montaria, para ter ataques conjuntos com o meu monstie, demora bem mais do que nos títulos anteriores e acaba deixando um pouco a desejar.




Finalmente algumas qualidades de vida aguardadas
Me perdoem por tecer comparações novamente a títulos anteriores, mas me parece algo necessário para o terceiro jogo da série. Se você jogou algum dos títulos anteriores, sabe que algumas ações básicas, como trocar de monsties para explorar o ambiente ou roubar ovos poderia ser algo penoso, lento e burocrático, mas isso foi corrigido em Monster Hunter Stories 3.
Desde o começo, já temos ao nosso dispor o mundo aberto (na verdade, regiões abertas) para aventurar e a exploração foi melhorada exponencialmente. Uma das novidades, por exemplo, é a opção de trocar em tempo real o seu monstie através de um menu radial.

Imagem: Vini Munhoz/Flow Games
Isso permite, por exemplo, voar com um Rathalos e cair com um Plesioth para nadar nos lagos em uma fração de segundos. Isso parece bobeira, mas incentivou muito a navegação do mapa, que foi aumentada em doses cavalares e possui bem menos barreiras naturais. Tudo é mais fluido, gostoso e divertido – e confesso que explorei por um tempo bem maior do que deveria por essa única melhoria.
O Ritual de Legado, que permite fundir genes de monsties, também foi aprimorado e não mais solta o monstro na natureza. Roubar ovos? Agora é mais fácil, mais rápido e com um limite maior, permitindo que você tenha uma evolução menos descomplicada.

Imagem: Vini Munhoz/Flow Games
E para que acumular tantos monstros em Monster Hunter Stories 3? Porque agora temos um sistema chamado de Restauração de Ecologia, que resolve desbalanceamentos no ecossistema. Ou, traduzindo, aumentamos o nível dos monstros que surgem no mapa, garantindo criaturas ainda mais fortes para a party se você se dedicar.
A viagem rápida de Monster Hunter Stories 3 fica ao alcance de um botão para facilitar a travessia pelo mapa, há torres de observação para você mesmo colocar pontos de interesse para visitar, diversas tocas de monstros para roubar ovos e muito mais. Até mesmo as sidequests são mais fáceis de ver onde podem ser aceitas e onde estão os objetivos.



Absolutamente lindo e bem animado
Não tem como dizer de outra forma: Monster Hunter Stories 3 é um deleite visual. É a combinação pefeita de gráficos mais modernos com um estilo anime que brilha os olhos, tornando, novamente, o salto gráfico entre o título anterior gigantesco.
Agora, a Capcom optou pela RE Engine para impulsionar o game, deixando de lado a antiga MT Framework e resultando em algo mais fluído, bonito e com cara de nova geração – mas também mais pesado, mesmo que até o preset Baixo seja muito bonito. Contudo, belos visuais e uma boa parte técnica são apenas ferramentas para criar uma experiência agradável e a Capcom soube dirigir tudo com maestria.

Imagem: Vini Munhoz/Flow Games
Se você jogar 10 minutos da demonstração de Monster Hunter Stories 3 vai saber exatamente do que estou falando. O mundo aberto é convidativo e vistoso, as batalhas possuem animações de outro patamar para cada ataque e golpe especial, as cutscenes são muito bem-feitas e gritam alto orçamento.
Se comparado com qualquer Pokémon moderno, Monster Hunter Stories 3 faz com que eles se pareçam jogos mobile de baixo valor. Para ser justo, o nível é tão alto aqui que até mesmo bons JRPGs parecem algo barato em comparação.
A apresentação visual e bons gráficos não fazem um jogo excelente por si só, mas como tudo aqui é positivo, certamente esse deslumbre ajuda a alavancar a experiência e nos cativar a continuar.
E, só para não passar batido, Monster Hunter Stories 3 roda muito bem no PC. No meu setup high end, com uma GeForce RTX 5090 e um i7 13700K, passar dos 200 fps é muito fácil com tudo no Ultra e DLAA, mas há muitas opções gráficas, como DLSS e presets diferentes.

Imagem: Vini Munhoz/Flow Games
Em um hardware mais modesto, como o ROG Xbox Ally X (que é forte, mas muito menos parrudo que um notebook gamer ou um desktop), consegui uma taxa de 70 fps com tudo no Baixo e escala de resolução em 70% (e mesmo assim a qualidade visual ainda era muito boa).
Monster Hunter Stories 3 promete ser um jogão
Eu já achava que Monster Hunter Stories 2 era um avanço grande da fórmula e que a partir dali teríamos apenas iterações com histórias e monstros diferentes. Mas eu estava errado: Monster Hunter Stories 3 eleva cada sistema, mecânica, visual e apresentação.
É muito satisfatório quando uma franquia já muito competente se torna ainda melhor e é justamente isso que Monster Hunter Stories 3 vem desenhando. Claro, foram apenas 10 horas e até uma parte específica da campanha que pudemos jogar, mas tudo parece muito promissor e mal espero para jogar mais.

Imagem: Vini Munhoz/Flow Games
Monster Hunter Stories 3: Twisted Reflection chega ao PC, PS5, Xbox Series e Switch 2 no dia 13 de março.











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