
Review: Dragon Quest 7 Reimagined é uma aula de remake
Com uma história e mundo cativante, Dragon Quest 7 Reimagined respeita o jogo original e é um exemplo de como um remake deve ser feito
Imagem: Square Enix
inha primeira experiência com a franquia Dragon Quest foi com o sétimo título, no PlayStation 1, que na época não me cativou muito por conta de seu ritmo mais cadenciado. Anos depois, a série finalmente me pegou de jeito com Dragon Quest XI, graças à sua história divertida e a um vasto mundo repleto de possibilidades de exploração.
Já o anúncio de Dragon Quest 7 Reimagined me conquistou instantaneamente com seus gráficos vivos e personagens cheios de carisma. Não somente isso, essa também era a chance de eu poder experienciar a história que havia me chamado atenção no passado, mas que não tive paciência para seguir adiante.
A Square Enix enviou antecipadamente o Dragon Quest 7 Reimagined para o Flow Games testar e, apesar de ainda estarmos no começo de 2026, já posso adiantar que estamos diante de um dos melhores JRPGs do ano. Sem mais delongas, confira o review completo deste jogão!
Dragon Quest 7 Reimagined tem história encantadora
A história de Dragon Quest 7 Reimagined começa no reino de Estard com a maior parte de sua população acreditando que não existem outras terras no mundo inteiro. No entanto, não é isso que pensa o nosso protagonista, que prefiro chamar de Hero, e Keifer.
Ambos os personagens são adolescentes que estão em busca de aventura e que acreditam na existência de outros reinos. Sem entrar em detalhes para evitar spoilers, eles encontram um fragmento misterioso que os leva a outro mundo e, após restaurá-lo, querem repetir a dose fazendo outras viagens para locais desconhecidos.

Imagem: Alvaro Neto/Flow Games
Durante a jornada outros personagens se juntam a Keifer e Hero, sendo que este já é um dos pontos em que Dragon Quest 7 Reimagined brilha. Todos os personagens são apresentados de forma natural e sabem como conquistar o jogador com a sua história devidamente apresentada e seus jeitos extremamente carismáticos.
Já um ponto que não me agradou está no fato de boa parte da campanha não dar uma sensação de continuidade para a história. Ao visitar diferentes reinos para restaurá-los, nós vemos as suas histórias e o que aconteceu lá com alguns momentos marcantes, mas demora para sabermos o que realmente está acontecendo no mundo e contra quem estamos lutando.

Imagem: Alvaro Neto/Flow Games
Outro ponto de Dragon Quest 7 Reimagined é que, apesar de ser mais direto em comparação ao jogo do PlayStation 1, o seu ritmo ainda é bem devagar. Apenas como exemplo, parando para explorar cada canto de seu cenário, eu demorei praticamente 2 horas até chegar na primeira batalha. Não somente isso, até mesmo o vilão de verdade demora para ser revelado.
Mais um exemplo de como o ritmo do jogo é devagar é que uma de suas mecânicas principais é revelada somente após aproximadamente 20 horas de jogatina. Enquanto o jogo original levava mais de 80 horas para ser finalizado, eu zerei Dragon Quest 7 Reimagined com aproximadamente 52 horas, isso sem contar os extras.
Algo realmente negativo a ser destacado está no fato de Dragon Quest 7 Reimagined não trazer legendas em português. Além de gostar de colocar “sotaque” nas palavras, o vocabulário em inglês usado no jogo não é dos mais tradicionais. E para piorar, apesar de trazer algumas cinemáticas belas e uma boa dublagem, existem partes do jogo que são praticamente puro texto.
Mundo grande, mas não tão grande
A história de Dragon Quest 7 Reimagined começa em Estard, mas como dito anteriormente, precisamos viajar para outros mundos. De forma geral, comparado com alguns outros JRPGs, o seu mundo não é lá tão grande e é impossível se perder no World Map.
Basicamente, para cada reino que viajamos, nós encontramos apenas uma cidade principal, às vezes um vilarejo e castelo ou torre. Esses mundos não chegam a ser exatamente grandes e é questão de minutos até ter entrado em todas as casas e ter conversado com todos NPCs, que muitas vezes possuem modelos repetidos.

Imagem: Alvaro Neto/Flow Games
As cidades de Dragon Quest 7 Reimagined possuem um visual único e são facilmente diferenciadas umas das outras. É notório que a Square Enix teve o cuidado de deixar cada cenário belo com uma paleta de cores diferenciada, assim como fez com os personagens, para que tudo pareça ter vida.
Apesar de trazer cidades realmente únicas, talvez até para encurtar o tamanho da campanha, Dragon Quest 7 Reimagined acaba sendo abreviado. Diversas cidades e até mesmo reinos que haviam no tanto no título original quanto no remake do 3DS não estão presentes aqui.
Já algo que Dragon Quest 7 Reimagined faz é pegar na mão do jogador e guiá-lo na maior parte do tempo. Por exemplo, antes de explorar uma cidade, apenas de abrir o mapa, o jogo indica onde precisamos ir e até mesmo se tem alguns itens escondidos para serem pegos.
É verdade que, em determinados momentos, o jogo também nos deixa largados para descobrir onde temos que ir, mas isso acontece somente uma ou duas vezes. Para os dias de hoje, eu vejo essa mecânica adicionada como uma melhoria de vida, mas achei que ela simplificou demais a tarefa de eu ter que descobrir para onde ir, com quem falar ou o que fazer.
As dungeons de Dragon Quest 7 Reimagined são bem elaboradas, mas não são muito profundas e contam com um visual bem distinto. Enquanto elas recompensam bem a exploração com salas e baús com equipamentos únicos, o número de puzzles acaba sendo um pouco escasso.

Imagem: Alvaro Neto/Flow Games
Por não ser lá o maior fã de puzzles do universo, eu gostei desta quantidade reduzida, mas é preciso ressaltar que todos os puzzles apresentados foram extremamente fáceis de serem solucionados.
Mecânicas simples que funcionam magistralmente
Assim como nos outros jogos da franquia, Dragon Quest 7 Reimagined preza por um sistema de combate bem simples. No entanto, ele ser simples não quer dizer que ele não seja cativante, muito pelo contrário, todas suas mecânicas se encaixam perfeitamente.
Para começar, o combate é por turnos, assim como em toda série principal de Dragon Quest. Mas diferentemente do título original ou até do que foi visto no remake para 3DS, Dragon Quest 7 Reimagined traz uma mecânica nova chamada Let Loose, que funciona quase que como um limit break da série Final Fantasy.

Imagem: Alvaro Neto/Flow Games
A mecânica Let Loose varia de acordo com a classe escolhida para cada personagem. Por exemplo, a classe Gladiador faz com que a gente perca defesa, mas aumenta o nosso dano de ataque drasticamente.
E por falar em classes, é aqui mais uma vez que Dragon Quest 7 Reimagined mostra que sabe como cativar o jogador. Apesar de não introduzir classes novas, esse remake acerta em cheio ao permitir que a gente tenha duas classes por personagem.
Cada classe do Dragon Quest 7 Reimagined traz suas magias específicas, apesar de haverem algumas repetidas, e influenciam nos status, como vida, ataque, defesa, mana e outros. Farmar a experiência dessas classes, além de prazeroso, é um processo bem rápido.

Imagem: Alvaro Neto/Flow Games
Mas se há algo para ser elogiado neste remake está no fato de poder usar duas classes por personagem, o que nos concede uma boa liberdade para montar a party. Inclusive, todos personagens podem obter todas as classes, sendo que apenas algumas armas são específicas.
E por falar nas armas, o arsenal oferecido pelo Dragon Quest 7 Reimagined acaba sendo bem amplo. Algumas delas, como o bumerangue, até mesmo chegam a adicionar mecânicas passivas, como a de atingir mais de um inimigo por ataque comum.
Ao prezar mais pelo tempo do jogador, algo importante a ser destacado é que os combates não são aleatórios, como eram no original. Agora, nós vemos os monstros caminhando pelo mapa antes de entrar nas batalhas. E não apenas isso, caso estejamos muito mais fortes que o monstro, o jogo pula o combate concedendo um pouco menos de ouro e experiência.

Imagem: Alvaro Neto/Flow Games
Ainda em relação aos combates, Dragon Quest 7 Reimagined traz uma série de melhorias de vida. Além de oferecer uma forma de combate automático opcional, é possível definir como será o comportamento dos outros integrantes do grupo para que eles sejam mais ofensivos, defensivos ou que simplesmente realizem outro papel. E, felizmente, para o personagem que ficar de fora da party, existe o compartilhamento de experiência.
Honestamente, eu adoro essa mecânica em JRPGs mais modernos, mas aqui eu senti um pequeno exagero. Talvez pelo fato de gostar de grindar, eu acabei ficando forte cedo no Dragon Quest 7 Reimagined e, a partir de umas 30h de jogo, eu quase não vi mais batalhas pelos locais que ainda estava explorando.
Mais um ponto a ser ressaltado é que Dragon Quest 7 não é um jogo difícil, ao menos no seu nível normal. Eu não perdi nenhuma batalha e, honestamente, só senti um pouco de dificuldade em uma contra um chefe específico no meio de sua campanha.
Mas para o lado positivo, é possível tanto aumentar o nível de dificuldade das batalhas quanto diminuí-lo ainda mais. Ou seja, além de não ter muitas chances de ficar preso no jogo, é possível moldar o seu desafio.
Dragon Quest 7 Reimagined vale a pena?
Eu confesso que sou um grande fã de JRPGs e que estava esperando ansiosamente pelo lançamento de Dragon Quest 7 Reimagined desde o seu anúncio. Felizmente, as minhas expectativas foram atendidas e Square Enix entregou um grande título nesse começo de 2026.
Apesar de a história poder ser conduzida de uma forma diferente, ela é cativante e nos faz querer jogar sem parar. Os personagens realmente são únicos e até me arrisco a dizer que são uns dos mais marcantes que já joguei da franquia.
O sistema de combate do Dragon Quest 7 Reimagined é bem parecido com o que vemos no resto da franquia, mas o novo jeito de lidar com as classes, que podem ser maximizadas rapidamente, faz com que a gente queira ter tudo.
Dessa forma, eu não tenho como não recomendar o Dragon Quest 7 Reimagined para qualquer fã de JRPG. No entanto, eu já aviso que aqueles que buscam um jogo mais rápido ou moderno podem notar que ele ainda possui algumas características de um título antigo.
Dragon Quest 7 Reimagined foi cedido gentilmente pela Square Enix para a realização desta análise.

Dragon Quest 7 Reimagined
Publisher: Square Enix
Desenvolvedora: Square Enix
Plataformas: PC, Switch 2, Switch, PS5 e Xbox Series X|S
Lançamento: 05/02/2026
Tempo de review: 56 horas
Com uma aventura que ultrapassa 50 horas de conteúdo, Dragon Quest VII Reimagined é belo remake e forte candidato a um dos melhores JRPGs de 2026
Prós
- Campanha com mais de 50h
- Sistema de batalhas e classes impecáveis
- Personagens carismáticos
Contras
- Ritmo devagar em alguns momentos
- Ausência de legendas em PT-BR











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