
Review: Halo Campaign Evolved mostra que clássicos não envelhecem
Jogamos Halo Campaign Evolved e contamos se o novo remake deste clássico vale a pena
Imagem: Microsoft
ntes de Call of Duty ser o shooter popular e antes de Fortnite ser o sucesso que é, alguns jogos de tiro criaram a fundação dos parâmetros modernos e isso inclui Halo. Por isso e muito mais, Halo Campaign Evolved é um remake que não só reapresenta um dos melhores shooters de todos os tempos, como também moderniza a experiência para torná-la mais palatável em gostos contemporâneos.
Mas seu anúncio foi marcado por uma divisão nos fãs: por conta das muitas mudanças e modernizações que a campanha clássica tem, alguns acharam que a experiência original é perdida de certa forma, enquanto outros acreditam que as melhorias de vida servem seu propósito para mostrar um clássico a uma nova audiência.
Independentemente de toda a discussão, Halo Campaign Evolved traz um modo história muito sólido, gráficos de ponta para a atual geração e muitos modificadores e conteúdo extra para alterar a experiência. Mas será que tudo isso compensa em uma campanha mais curta e sem modo multiplayer?
Confira a nossa análise completa de Halo Campaign Evolved!
A mesma campanha, mas com missões extras
Se você já jogou o Halo original, seja o de 2001 ou Halo Combat Evolved Anniversary (remake de Xbox 360 que também está em The Master Chief Collection), já sabe mais ou menos o que esperar aqui. Inclusive, vale lembrar que Halo Campaign Evolved é o segundo remake do jogo até agora.
Você encontra as mesmas missões, objetivos, marcos da história do original e até duração, com aproximadamente 10 horas, mas também tem leves alterações e cutscenes refeitas do zero. Mas a dúvida que paira é: isso é ruim? Para mim, não, mas há asteriscos que merecem ser comentados.
De qualquer maneira, é um excelente pontapé inicial para quem quer se aventurar na série, já que se trata do primeiro jogo e a história de como tudo começou, não cronologicamente, mas em ordem de lançamento, mostrando como Master Chief encontrou Halo, o anel terraformado que tem um grande papel na guerra entre diferentes raças da galáxia.

Imagem: Flow Games/Vini Munhoz
Caso você esteja por fora, Halo Campaign Evolved traz como novidade a campanha cooperativa com até quatro jogadores e há inclusive crossplay entre plataformas. Por conta dessa adição, a equipe realizou algumas mudanças pontuais na estrutura do cenário e no ritmo da campanha.
No geral, encontros com inimigos são mais variados, a disposição de adversários muda um pouco em posição e quantidade, além de trazer desafios extras em algumas das fases, tudo para acomodar um gameplay com mais pessoas.
Há até mesmo algumas falas adicionais e sequências que não vimos no original, o que inclui a possibilidade de roubar veículos adversários e pilotar um Wraith da Irmandade, algo que não era possível na experiência de 2001. Eu acho isso tudo particularmente bem-vindo e não me considero um purista.

Imagem: Flow Games/Vini Munhoz
Já vou comentar mais sobre outras mudanças da campanha de Halo Campaign Evolved, mas, no geral, o modo história original se mantém relativamente bem e atemporal. Algumas missões envelheceram como vinho, como a da Biblioteca com o Flood ou a seção do pântano, enquanto outras mostram os sinais da idade.
E acho que é justamente nesse ponto que a equipe poderia ousar mais. De certa forma, mesmo com alterações, Halo Campaign Evolved é bem conservador. Talvez conservador até demais. A medida de mexer em algumas estruturas causou debates, mas se é para causar alvoroço, que fosse com o pé no acelerador.
Algumas poucas missões realmente são mais datadas e trazem um level design e até mesmo elementos de game design não tão modernos. O que, honestamente, não é um problema, mas acaba se tornando um pouco inconsistente com a apresentação. Talvez, uma abordagem ainda mais transformadora fosse um caminho melhor, mas nada que atrapalhe a experiência.

Imagem: Flow Games/Vini Munhoz
E, para coroar a ótima campanha, Halo Campaing Evolved traz também três missões extras que servem como prequel da história. Nelas, participamos de uma missão ao lado do Sargento Johnson para acabar com uma nave da Irmandade em um cenário completamente inédito.
Honestamente, a escrita e a trama não são tão afiadas e refinadas quanto o material original, além de o tom no geral ser bem destoante com os eventos que acontecem na sequência – no caso, a campanha de Halo Campaign Evolved. Mas é achar pelo em ovo.

Imagem: Flow Games/Vini Munhoz
As missões extras trazem armas novas, inimigos inéditos e até cenários bem bonitos de acompanharem. Em termos de level design, há um certo nível de reaproveitamento e outros elementos um pouco piores, mas também me diverti bastante nesse extra que dura cerca de duas horas e meia.
Algumas mudanças que podem dividir opiniões
Além de uma campanha levemente revisada e modo cooperativo, Halo Campaign Evolved mexe um pouco na estrutura de gameplay do primeiro jogo. Já adianto: existe um remake bem fiel dentro da Master Chief Collection e ter um novo remake, para mim, é para ser sinônimo de mudanças.
Portanto, as polêmicas e decisões do novo jogo não me afetam – a não ser que elas sejam ruins, é claro. De uma forma geral, Halo Campaign Evolved aparenta mais ser um jogo da série nos dias atuais, deixando algumas mecânicas defasadas para trás.
E o que isso impacta na jogabilidade? Basicamente, elementos como pacotes de vida são extintos. Assim como um Halo moderno, ou um shooter moderno no geral, seu escudo e vida se regeneram com o tempo, basta buscar cobertura entre lutas mais intensas – enquanto no original, apenas o escudo, que se tornou parâmetro para o gênero, regenerava, mas não a vida.

Imagem: Flow Games/Vini Munhoz
Outras mudanças incluem uma interface bem modernizada e condizente com Halos atuais, além de ter dois tipos de granadas equipadas ao mesmo tempo. Entre outras “polêmicas”, temos também o botão de corrida e a mira de armas, ambos inexistentes na campanha original, mas presentes em Halo Campaign Evolved.
Sinceramente, todas essas mudanças eu considero positivas e agregam ao gameplay, já que trazem uma experiência um pouco mais fresca e distinta. Inclusive, gostei do remix de armas de Halo Campaign Evolved e acho que todas as mudanças, incluindo a de novos veículos, oferecem uma experiência mais modernizada – e reforço que ela poderia ser ainda mais.
De qualquer maneira, mesmo com muitos elementos clássicos, Halo Campaign Evolved traz o mesmo gunplay extremamente satisfatório, a IA de inimigos muito rebuscada que coloca jogos modernos no chinelo e um sistema de física muito divertido de aproveitar.

Imagem: Flow Games/Vini Munhoz
Talvez, uma outra abordagem que a desenvolvedora poderia ter adotado é a que vimos em Halo Combat Evolved Anniversary: ao pressionar de um botão, você tem a experiência clássica. Claro, talvez não de forma instantânea, já que isso implicaria em mecânicas, level desgin e mais, mas talvez um modo “Campanha Original”.
A solução foi trazer algo ainda mais diferente: os modificadores de Crânios, que atuam tanto quanto colecionáveis quanto modificadores de gameplay. E, além disso, você tem a “Campanha Remixada”, que faz o uso justamente desses elementos que abordo a seguir.

Imagem: Flow Games/Vini Munhoz
Conteúdo adicional para modificar a campanha
Se você já conhece a franquia Halo de longa data, deve conhecer os Crânios, que são tanto colecionáveis quanto modificadores de gameplay. O primeiro remake teve essa adição e Halo Campaign Evolved também estreia a novidade na campanha do primeiro jogo.

Imagem: Flow Games/Vini Munhoz
Eles são bem difíceis de serem encontrados e acabam agregando no fator replay, tanto para retornar e achá-los quanto para rejogar a história de uma forma diferente.
Contudo, acho que a desenvolvedora perdeu a chance de criar algo que agrade a gregos e troianos por aqui: algumas das novidades mecânicas, como corrida, zoom da arma e mais, deveriam ser habilitáveis desde o começo para que os jogadores escolham como jogar, seja de forma remixada ou mais purista. Esses modificadores existem, mas exigem trabalho e uma segunda jogatina para serem aproveitados.

Imagem: Flow Games/Vini Munhoz
Sem multiplayer? Um desperdício
Outro ponto de debate sobre Halo Campaign Evolved é que, como o nome diz, o que temos aqui é somente a campanha, sem seu modo multiplayer – ao menos o competitivo, já que temos o coop. E eu entendo a ideia, mas também acho uma oportunidade desperdiçada de apresentar o antigo modo PvP a uma nova geração.
Com Halo Campaign Evolved chegando ao PS5, esse poderia ser o primeiro contato de muitos jogadores com o multiplayer da série e ainda se beneficiar da estrutura crossplay já em uso.
Querendo ou não, ter somente o modo campanha rende pouco mais de 10 horas de gameplay. Sim, há um fator replay e modo cooperativo para aproveitar, mas nada que garanta uma sobrevida ao jogo. Seria realmente bem legal se a equipe trouxesse o multiplayer no futuro – embora ele não faça parte do conceito desse remake.

Imagem: Flow Games/Vini Munhoz
Graficamente soberbo e onde o remake mais acerta
Se tem um aspecto que Halo Campaign Evolved acerta em cheio, é a apresentação visual. E não é à toa, já que esse foi o elemento mais destacado entre todas as apresentações até agora. Não só o jogo original ganha nova vida, mas como também marca a estreia da mudança para a Unreal Engine 5.
Embora seja a polêmica Unreal Engine 5, no geral eu acho que o trabalho foi muito caprichado por aqui, especialmente em computadores topo de linha. Visualmente, Halo Campaign Evolved é um espetáculo e diversas seções clássicas se transformam em ambientes muito mais atmosféricos e com maior impacto na experiência.
É fácil ter a memória afetiva e lembrar como bons gráficos da época, mas hoje toda a sensação de grandeza e escala podem minguar perante as limitações técnicas. Halo Campaign Evolved realmente trabalha muito bem em nos aclimatar na experiência original, mas com aspecto de 2026.

Imagem: Flow Games/Vini Munhoz
Eu joguei toda a campanha em uma GeForce RTX 5090, 32 GB de RAM DDR5 e em um Intel i7-13700K. Uma máquina parruda e que deveria rodar qualquer coisa, certamente, mas nem sempre é o caso com a Unreal Engine 5. De uma forma geral, temos uma experiência pesada, mas que parece condizente na maior parte.
O aspecto que mais me incomodou e preocupou em Halo Campaign Evolved é o quão pesado o jogo é na CPU. Em diversos momentos, a RTX 5090 sofreu com gargalos em um i7-13700K, chegando a ficar com apenas 65% de uso em certas situações, mesmo em pontos sem inimigos próximos e em cenários fechados.
O meu processador não é exatamente o mais avançado do momento, mas certamente garante boa performance – tanto que ter gargalos de CPU é algo extremamente raro para mim. Inclusive, é até estranho isso acontecer justamente em Halo Campaign Evolved, um jogo que não é de mundo aberto e nem com tantos elementos.

Imagem: Flow Games/Vini Munhoz
Repeti os testes no ROG Xbox Ally X e, surpreendentemente, talvez tenha sido o primeiro jogo first party da Microsoft que não teve um bom desempenho no PC portátil. Tive que usar as configurações mais baixas possíveis e escala de resolução agressiva para tentar manter 30 fps estáveis, mas também tive gargalos de CPU.
Talvez correções futuras alterem esse panorama pré-lançamento, mas fique esperto: Halo Campaign Evolved é bem mais pesado do que você imagina. Eu geralmente trago métricas de desempenho nos reviews, mas com uma limitação quase constante de CPU, talvez seja um caso diferente.
Mas, se serve de algo, em média estive com 100 fps com tudo no Ultra, DLSS Qualidade e em 1440p – só que, como citei, em quase todas as vezes estive limitado por CPU e inclusive tive quedas abaixo de 60 fps. Algo que ajudou neste aspecto foi o uso de geração de quadros do DLSS 4, que funciona muito bem por aqui.
De qualquer maneira, a apresentação gráfica cumpre seu papel de forma majestosa e talvez seja um dos jogos mais bonitos do Xbox e da geração, agregando bastante à sensação de grandeza e atmosfera alienígena do anel terraformado no meio da galáxia.

Imagem: Flow Games/Vini Munhoz
Isso tudo, claro, em conjunto com a trilha sonora clássica do original. As músicas épicas agregam bastante à experiência de Halo Campaign Evolved e são tão boas quanto você se lembra, só gostaria de ver uma trilha sonora tão boa quanto nas missões extras, mas por lá ela é bem xoxa.
Além disso, vale lembrar um outro ponto negativo: o jogo possui apenas legendas em PT-BR, sem nenhum tipo de dublagem, um downgrade em relação a Infinite e outros títulos da franquia.

Imagem: Flow Games/Vini Munhoz
Halo Campaign Evolved vale a pena?
Halo Campaign Evolved é um daqueles remakes que, embora não modernize tudo, se inspira em um material tão bom que consegue sobreviver ao teste do tempo. Não é à toa que o shooter da Microsoft foi um dos pilares das mecânicas e sistemas modernos.
Adorei a apresentação visual, as novas cutscenes e até o conteúdo novo, além de termos a possibilidade de jogar tudo de maneira cooperativa com até 4 pessoas. Toda a campanha está aqui com leves revisões e garante uma excelente diversão por seu estilo de jogo rápido, dinâmico e muito bem-construído.

Imagem: Flow Games/Vini Munhoz
Contudo, há algumas oportunidades perdidas. Por ser o segundo remake, a equipe poderia ter ousado mais em Halo Campaign Evolved sem a necessidade de alterar elementos da trama, como adição de cenários novos. Além disso, até entendo algumas reclamações de mudanças e elas deveriam ter modificadores desde o início para os fãs mais puristas.
Não ter o multiplayer e algumas carências para torná-lo um jogo 100% moderno podem não trazer a mesma glória e reconhecimento de seu auge em 2001, mas também passa longe de fazer feio. Halo Campaign Evolved é um ótimo shooter e nos relembra de bons tempos em que o gameplay era crucial para um bom jogo.
Halo Campaign Evolved foi gentilmente cedido pelo Xbox para a realização desta análise.

Halo Campaign Evolved
Publisher: Xbox
Desenvolvedora: Halo Studios
Plataformas: PC, Xbox Series e PS5
Lançamento: 23/07/2026
Tempo de review: 15 horas
Halo Campaign Evolved pode não ter a mesma glória de 2001, mas traz uma campanha extremamente sólida e divertida que seria ainda melhor com mais modernizações e um modo multiplayer
Prós
- Campanha muito sólida e divertida
- Uma das melhores mecânicas de gunplay em shooters
- Conteúdo extra é pequeno, mas bem-vindo
- Bom mix de armas novas e antigas
- Algumas novidades pontuais bem boas, incluindo coop
- Visualmente absurdo e um dos mais lindos da geração
Contras
- Sem modo multiplayer
- A equipe poderia ter ousado e modernizado mais
- Um jogo bem pesado de rodar, especialmente na CPU











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