
Review: Fire Emblem Fortune’s Weave pode retornar à glória
Estamos com Fire Emblem Fortune’s Weave em mãos e a franquia pode estar de volta no caminho certo
Imagem: Nintendo
viso: esse review de Fire Emblem Fortune’s Weave está em andamento, pois traz uma campanha bem longa e ainda há muito para testar. Quando terminarmos a história, atualizaremos esta análise e vamos inserir uma nota definitiva.
Fire Emblem Engage veio logo após um dos maiores sucessos da franquia, Three Houses, e tinha uma sombra enorme com expectativas igualmente grandes. E, embora esteja longe de ser um jogo ruim, talvez tenha ido para um caminho mais simples e diferente do que a franquia parecia rumar (mas aplausos para o combate). Justamente por isso, Fire Emblem Fortune’s Weave paira com uma nuvem de dúvidas.
E a resposta curta talvez seja simples: Fire Emblem Fortune’s Weave parece permear entre o combate mais cativante e presente de Engage, enquanto oferece o gerenciamento de tempo e tom mais sério de Three Houses.

Imagem: Nintendo
Com cerca de 35 horas de jogatina até o momento, confesso que o novo jogo da franquia me fisgou bem mais do que imaginei, trazendo um emaranhado de histórias interconectadas e mecânicas divertidas, mas também alguns tropeços de game design datado e a falta de legendas PT-BR.
Curioso com Fire Emblem Fortune’s Weave? Confira o nosso review em andamento abaixo!
Nem uma, nem duas: quatro campanhas distintas (ou, quem sabe, cinco)
Esse review é completamente livre de spoilers, mas se você andou acompanhando os trailers (e até o Direct exclusivo) de Fire Emblem Fortune’s Weave, sabe que há um diferencial bem único dessa vez: temos diversos personagens e um gancho temporal que dá liga à campanha – ou será que devo dizer “campanhas”, no plural?
Se distanciando do enredo bem simplificado (e bem dicotômico e maniqueísta) que vimos em Engage, Fire Emblem Fortune’s Weave começa de uma forma diferente e com mais nuances, nos mostrando um futuro em que o mal imperou e o mundo já rumou ao seu apocalipse.
Nesse cenário decadente, controlamos o nosso primeiro protagonista e o único silencioso de toda a campanha (que podemos, inclusive, moldar): uma espécie de entidade que se alia à deusa Fortuna para manipular alguns poucos eventos passados e impedir o fim do mundo.


Esse pontapé inicial já é suficientemente cativante em Fire Emblem Fortune’s Weave, mas é o quarteto de protagonistas que realmente faz a experiência brilhar. Podemos escolher qualquer uma das campanhas e remoldar eventos passados para ter heróis capazes de enfrentar Balor, o rei do Submundo, quando a hora chegar.
A gama de personagens é realmente diversa e muito bem-feita. Sai de cena o clássico herói iluminado e puro, entram o grupo de desajustados e de moral cinzenta (e principalmente humanos).
Até o momento, terminei a Parte 1 de Dietrich, que poderia facilmente ser um vilão em qualquer outro jogo com sua psicopatia por batalhas e mortes, além de ter jogado algumas boas horas da campanha de Leda, uma dançarina com sede de vingança com uma apresentação muito interessante.
Ainda preciso conhecer melhor Cai e Theodore, mas de suas participações eventuais nas histórias que já joguei, tudo indica que o nível de escrita deve se manter impecável e muito instigante. Eu realmente adorei o quão distintos cada protagonista é – e o quão incrivelmente falhos eles são.

Imagem: Flow Games/Vini Munhoz
Sabemos o fim da jornada: todos os quatro se tornarão Flame Lords of Dagda, campeões lendários que participaram do Heroic Games, uma espécie de jogos de gladiador em que o vencedor teria um desejo atendido pelo imperador do reino, mas todos falharam de alguma forma e o mundo encontrou seu fim.
O arco dos personagens apresentados até o momento em Fire Emblem Fortune’s Weave é realmente cativante, com grandes evoluções e pontos de vista distintos. Ao que tudo indica, todas as quatro campanhas se interligam e acabam trazendo o sistema de “rotas” que vimos em Three Houses, algo que acho bem positivo – e que deveria ser um dos pilares da franquia daqui em diante.
Você pode escolher qual jogar e, inclusive, parar quando quiser para começar outra, retornando ao presente e começando outra jornada para o passado. A escolha é sua e você pode jogar como quiser. Fire Emblem Fortune’s Weave possui uma campanha de 3 partes e eu já poderia jogar a Parte 2 de Dietrich, mas ainda não sei se devo continuar sem ter interferido no destino dos demais protagonistas.

Imagem: Flow Games/Vini Munhoz
Sem dúvidas esse talvez seja um dos apelos mais fortes de Fire Emblem Fortune’s Weave: eu quero ver a história de cada um desses protagonistas. Muito. Quero descobrir e desvendar todos os eventos que, em um primeiro momento, são confusos: o jogo realmente me compeliu a esperar por novidades.
Pontos da trama parecem já depender de um conhecimento prévio que nunca tivemos, como conversas de vilões que citam eventos e personagens que nunca conhecemos – e que talvez vejamos em outra campanha. É como juntar as peças do quebra-cabeça.
Até o momento, Fire Emblem Fortune’s Weave trouxe uma campanha principal extremamente satisfatória e mal posso esperar para gastar mais dezenas de horas para entender o panorama geral desse emaranhado de destinos.

Imagem: Flow Games/Vini Munhoz
Missões secundárias não acompanham a qualidade em grande parte
A campanha principal de Fire Emblem Fortune’s Weave é fantástica. Talvez palavras não façam jus, mas ela é potencialmente uma das melhores de toda a franquia, com diálogos bem-escritos, dezenas de personagens interessantes e até cutscenes belíssimas. Entretanto, o conteúdo secundário que orbita a jornada passa longe do mesmo nível de qualidade.
Fire Emblem Fortune’s Weave traz um sistema de sidequests um tanto datado e que parecem estar uma ou duas décadas desalinhado com o restante da apresentação. Fetch quests de buscar itens do outro lado do mapa? Check. Missões bobas para matar bandidos que não agregam em nada ao universo? Check. O que você imaginar desse tipo, pode apostar que tem.

Imagem: Flow Games/Vini Munhoz
Eu terminei a Parte 1 da campanha de Dietrich com 26 horas, mas sinto que quase uma dezena delas foi realizando atividades bem bobinhas. Elas não são ofensivas e nem chegam a ser um tédio insuportável, mas são claramente abaixo do que há de melhor (o que inclui diálogos sem vozes e personagens genéricos).
E por que fazer tudo isso se, como o nome diz, é secundário? Já vou entrar no âmbito de gameplay, mas como todo título da série (ou um game de estratégia com alta dosagens de elementos de RPG), precisamos aumentar o nível, obter recursos e mais. Portanto, de uma forma ou de outra você vai se aventurar nessas tarefas.
Porém, nem tudo está perdido e há ouro para garimpar. Como sempre, as histórias de suporte entre personagens de Fire Emblem Fortune’s Weave continuam bem legais e é mais um tipo de arco de evolução para acompanhar. E esse jogo tem muitos, mas muitos, personagens para interagir e aprimorar o seu relacionamento.

Imagem: Flow Games/Vini Munhoz
Além disso, existe um tipo diferente de missão secundária chamada de Paralogue. Se você é veterano da franquia, deve saber que são missões pessoais de companheiros de personagens importantes do universo, mas fico feliz de relatar que elas continuam muito boas.
Inclusive, Fire Emblem Fortune’s Weave adiciona uma pitada extra de tempero aos Paralogues: de acordo com os tutoriais do jogo, fazer (ou deixar de fazer) histórias paralelas de NPCs importantes pode mudar o rumo da campanha. Como e quando eu não sei, mas certamente é algo curioso para se ter em mente, especialmente pelo sistema de gerenciamento de tempo.
Tudo em Fire Emblem Fortune’s Weave roda entorno do tempo, que é o pilar temático da aventura. Você tem uma quantidade bem limitada de dias para aumentar seu nível, participar de atividades secundárias e coletar recursos – e você pode perder prazo de quests.

Imagem: Flow Games/Vini Munhoz
Inclusive, se cabe uma crítica por aqui é o espaço de save: há apenas um e às vezes pode ser desafiador testar algumas coisas. Caso você perca prazos, incluindo da missão principal, terá que reiniciar o capítulo inteiro novamente.
Para preencher o tempo livre, há o retorno do microgerenciamento de atividades, como participar de treinos, fontes termais, teatro, templo das divindades de Dagda e muito mais. Eu achei o balanço bom dessa vez, sem a quantidade descomunal de Three Houses ou a simplicidade (e muitas vezes entediante) dos mini games de Engage.
Como você pôde notar, nem tudo é ruim e achei alguns aspectos secundários de Fire Emblem Fortune’s Weave bem positivos, eu só gostaria que esse nível alto de diversão e qualidade fosse aplicado em tudo. E, além disso, vale citar que não sei como muitos desses elementos funcionarão na Parte 2 e 3 da campanha.

Imagem: Flow Games/Vini Munhoz
O combate também é uma espada de dois gumes
Como todo Fire Emblem, Fire Emblem Fortune’s Weave não traz a mesma fórmula exata de jogos passados, com mecânicas, sistemas e elementos diferentes – e aqui isso também ocorre. Para adiantar, no geral eu achei o sistema de batalhas muito bom e talvez fique atrás apenas de alguns títulos muito icônicos da série.
Como exemplo, posso citar que as armas voltam a ser quebráveis… mas apenas se você usar os novos Combat Arts, que são golpes especiais que utilizam a durabilidade dos equipamentos. Magias não dependem mais de uso de itens e podem ser recarregadas com descanso de personagens, por exemplo.
O triângulo de fraquezas (espada, machado e lança) também não retorna dessa vez, mas ainda traz nuances sutis de vantagens de armas, como o arco contra unidades aladas, lanças serem fortes contra cavaleiros e magias contra armaduras pesadas.

Imagem: Flow Games/Vini Munhoz
Eu poderia citar muitos outros exemplos, mas o review se tornaria descritivo demais. No geral, o saldo é bem positivo e adorei o sistema de combate de Fire Emblem Fortune’s Weave, mesmo que alguns dos avanços de Engage, possivelmente um dos melhores em lutas, tenham ficado para trás.
As novidades de Blaze Arts são bem interessantes e achei positivo. Como temos um “grande herói” por campanha em Fire Emblem Fortune’s Weave, cada um deles possui um poder especial relacionado a um equipamento que pode ser usado em troca da vida do personagem.
Novos atributos aparecem também de armas especiais, como Blaze e Overblaze (quando utilizamos poderes “amaldiçoados” muitas vezes), além dos Combat Arts, que garantem golpes especiais em troca da durabilidade de armas.

Imagem: Flow Games/Vini Munhoz
Há diversas classes novas, como a Ornius Rider e Charioteer, e algumas delas, inclusive, são liberadas apenas com quests especiais (algumas também com tempo limitado), além de bençãos divinas que permitem voltar turnos ou ganhar vantagens específicas – algo que gostei muito, inclusive.
Ok, mas e na prática? Há novidades, mudanças e um remix de muitos elementos, mas Fire Emblem Fortune’s Weave entrega o que os fãs querem? Eu diria que sim e com louvor – na maior parte, assim como nas quests secundárias.
Veja, as batalhas de campanha são realmente muito bem-feitas: cada arena é diferente, trazendo desafios e mecânicas distintas (como artilharias para arqueiros e magos), algumas batalhas contra chefes grandes, como criaturas marinhas, e muito mais.

Imagem: Flow Games/Vini Munhoz
Todas as grandes missões de Fire Emblem Fortune’s Weave foram legais, diversas e interessantes. Mas assim como o conteúdo secundário, as batalhas do mapa aberto podem ser um tanto desinteressantes. As arenas se repetem bastante, assim como os mesmos inimigos, e acabam se tornando necessárias apenas para aumentar o nível da equipe.
Não quer dizer que não haja alguns casos aleatórios interessantes, como quando a névoa assola o mapa ou a chuva modifica magias e elementos do combate. Há o que aproveitar, só gostaria de ver mais diversidade nas atividades paralelas para tornar a experiência menos repetitiva.

Imagem: Flow Games/Vini Munhoz
Outro ponto que não gostei muito foram os Skirmishes, uma espécie de batalha de RPG por turnos em dungeons que exploramos em terceira pessoa. Elas são bem básicas e também acabam servindo apenas para experiência e recursos.
No geral, Fire Emblem Fortune’s Weave traz o mesmo estilo tático que amamos com algumas cartas na manga e remixes, mas ainda aproveitando probabilidade de ataques, vantagem de terrenos, posicionamento e pensamento estratégico – só gostaria que toda a experiência tivesse uma qualidade mais parelha.

Imagem: Flow Games/Vini Munhoz
Visualmente belo, mas… esperava mais no Switch 2
Fire Emblem Fortune’s Weave traz consigo expectativas altas por ser o primeiro jogo da série no Switch 2, algo que pode implicar em avanços mecânicos, mas também técnicos no que diz respeito aos visuais. E como eles estão? Em suma, é um jogo bonito, mas também pouco ambicioso.
Embora alguns elementos técnicos realmente estejam melhores do que os títulos que vimos no primeiro Switch, não há nada realmente gritante que seja um verdadeiro colírio aos olhos, mas é inegável que o jogo traz uma excelente direção de arte.

Imagem: Flow Games/Vini Munhoz
Entretanto, por mais que a resolução de Fire Emblem Fortune’s Weave seja visivelmente superior e até haja alguns poucos avanços técnicos, há diversas falhas estranhas em um game para um hardware tão mais poderoso: elementos como texturas de baixíssima resolução ocasionalmente e até serrilhado em momentos específicos.
Mas o pior de tudo é outra coisa: o jogo só roda em 30 fps. Justamente por não trazer nenhum grande avanço brilhante na parte técnica, é estranho que a equipe tenha optado por 30 quadros por segundo, destoando bastante de outros títulos do Switch 2 que são mais impressionantes (e com potencialmente resolução maior) e rodam em 60 fps, como o próprio Mario Kart World.
Fire Emblem Fortune’s Weave é um jogo que requer 60 fps? Não, afinal ele funciona por turnos, mas é estranho que essa seja a escolha da Nintendo.

Imagem: Flow Games/Vini Munhoz
Sem legendas em PT-BR
Em um momento em que a Nintendo está trazendo até mesmo The Legend of Zelda Ocarina of Time Remake dublado, o primeiro da franquia a ter vozes em português do Brasil, e diversos jogos localizados, era de se esperar que Fire Emblem Fortune’s Weave ganhasse ao menos legendas em PT-BR.
Mas esse não foi o caso, infelizmente. Diferente de muitos títulos da Nintendo em que o gameplay “fala por si só” e ter legendas não trazem tanto impacto, Fire Emblem Fortune’s Weave é um game muito pesado em texto, seja por história, tutoriais ou até escolhas das atividades.

Imagem: Flow Games/Vini Munhoz
E, para piorar, trata-se de um inglês bem arcaico em certos pontos, com palavras bem específicas que podem confundir até quem está acostumado com a língua inglesa. Se havia um jogo para ter legendas em português do Brasil, certamente era esse.
Legendas são questões de acessibilidade, mas em casos como Fire Emblem Fortune’s Weave seriam necessárias. Não é algo que desconte nota no review da obra (que é o que é independente do idioma), mas certamente fez falta ter o suporte ao nosso idioma.

Imagem: Flow Games/Vini Munhoz
Fire Emblem Fortune’s Weave vale a pena? Por ora, sim
Fire Emblem Fortune’s Weave tem um misto de ideias e sistemas em jogo que são mais ambiciosos do que o último jogo e, talvez, até mais interessantes que as rotas que vimos em Three Houses. Eu realmente gostei muito das campanhas, os eventos correlacionados e como isso pode rumar daqui para frente.
O sistema de combate de Fire Emblem também parece muito acertado e ajustado, pegando elementos do passado com doses homeopáticas enquanto apresenta seu próprio tempero. Sim, há sidequests monótonas e as arenas de batalha opcionais são abaixo da média, mas esse conteúdo parece ser um extra na refeição, não o prato principal.
Estou com mais de 30 horas em Fire Emblem Fortunes’s Weave e, por mais que alguns elementos entre campanhas se repitam, mal posso esperar para continuar a jornada para ver onde ela vai me levar.
Fire Emblem Fortune’s Weave foi gentilmente cedido pela Nintendo para a realização desta análise.

Fire Emblem Fortune's Weave
Por ora, Fire Emblem Fortune's Weave traz o tom mais sério da franquia em diversas campanhas, traz um combate único e divertido, mas também exagera no conteúdo genérico adicional.
Prós
- História principal muito cativante
- Quatro (ou cinco) campanhas conectadas divertidísssimas
- Combate mescla mecânicas antigas com novidades
- Sistema de gerenciamento de tempo é bem interessante
- Arco de personagens secundários são bem-escritos
- Dezenas de personagens recrutáveis
Contras
- Muitas das atividades secundárias têm qualidade pior
- Combate das arenas opcionais pode ser bem repetitivo
- Sem legendas em PT-BR
- Apenas em 30 fps e sem grandes avanços visuais











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