
Tomodachi Life: Living the Dream é um ótimo jogo sobre nada
Tomodachi Life: Living the Dream usa a trivialidade a seu favor para uma vida virtual de baixo estresse
uinze minutos em Tomodachi Life foram suficientes para que eu pudesse constatar que estava diante de uma experiência análoga à da minha série de televisão favorita. Por mais maluco que isso possa soar, Seinfeld, a popular série dos anos 1990, e Tomodachi Life, franquia esquisita da Nintendo, compartilham a mesma essência: ambos falam sobre nada.
Ainda que Seinfeld seja uma série pautada pelo banal, tal como Tomodachi Life se ancora no cotidiano, o vazio proposital dessas duas obras é justamente o elemento que define seu charme. A título de curiosidade, Seinfeld rendeu nove temporadas dedicadas a situações triviais do dia a dia, mesmo sem ter um assunto central que as conduza.
Tomodachi Life: Living the Dream, por sua vez, também tem o dom de transformar o corriqueiro em matéria-prima. A vida pacata que o jogador leva no exclusivo do Nintendo Switch é recheada de interações aleatórias, imprevisíveis e genuinamente engraçadas entre os Miis, podendo se estender por tanto tempo quanto uma trajetória de nove temporadas.
Tomodachi Life: o papel de espectador
Quando digo que Tomodachi Life: Living the Dream é um jogo sobre nada, acredite: não é em tom pejorativo. Há exatos 13 anos, em Tomodachi Life de 3DS, eu não compreendia muito bem sua proposta, talvez meu gosto por videogames ainda não estivesse amadurecido o suficiente para aproveitar experiências cujo foco não era o combate.
O novo Tomodachi Life me fez enxergar videogame sob outro viés: o de espectador. Sim, você naturalmente terá a liberdade de construir uma ilha, de cuidar dos seus Miis à sua maneira e até de forçar relações entre eles, literalmente os arrastando para que interajam, do mesmo jeito que sua mãe fazia quando você era pequeno e não gostava de sair do quarto para cumprimentar as visitas.
No entanto, você não tem controle direto sobre os Miis, que agem de forma independente, como se fossem bichinhos virtuais. Eles têm necessidades que se moldam a partir das características que você escolheu, mas tudo é na base da tentativa e erro, o que reforça a ideia de experimentação. Quer saber a comida favorita de um Mii? Então prove todas as opções do cardápio e descubra.

Imagem: Flow Games/Victor Teixeira
São os Miis que comandam
Um dos personagens que criei, por exemplo, que carinhosamente me chama de “cachorrão” quando o vejo, ama alface, por alguma razão, e torce o nariz para chocolate. Esse mesmo Mii também ama falar sobre atividades físicas, mas, curiosamente, não ficou muito satisfeito quando ganhou de presente um DVD com técnicas de exercícios. É sempre muito bacana ver o desdobramento da personalidade de um Mii que você imaginava ser algo completamente diferente.
Assim como no jogo anterior de 3DS, é possível montar Miis com traços comportamentais únicos, mas senti falta de um sistema que fosse ainda mais flexível (ou seja, menos “certinho”) e que permitisse criá-los com temperamentos detestáveis e explosivos. Eu bem que gostaria de ter visto algum personagem se rebelar contra mim.
Tomodachi Life é um jogo sobre criar estímulos para que os protagonistas se envolvam, sem que você tenha necessariamente poder de influência sobre essas relações. Mesmo tendo optado por dar forma a bonecos com perfis variados, um deles se apaixonou pela Mii com quem menos tinha pontos em comum. A graça é essa: quem decide são eles, não você. O que você faz, como coadjuvante, é criar o palco ideal para que essas interações aconteçam da maneira mais hilária possível.
Tomodachi Life é sobre criar estímulos para que os Miis se envolvam, sem que você tenha necessariamente poder de influência sobre as relações

Imagem: Flow Games/Victor Teixeira
Progresso no marasmo
À medida que você evolui a barra de felicidade dos bonecos, sua ilha também sobe de nível e, a partir daí, novos estabelecimentos ficam disponíveis para enriquecer a personalidade dos Miis e projetar suas próprias decorações. O sistema de progressão, tanto dos personagens quanto da ilha, é bem-vindo e dá propósito à aventura em meio ao marasmo, criando um incentivo para repetir tarefas cotidianas.
Além de apetrechos decorativos e cosméticos, podemos investir grana também em itens que servem para dar mais, digamos, humanidade às criações cabeçudas, de gestos a hobbies. Diferentemente de Animal Crossing: New Horizons, aqui não há um “Serasa ambulante” como o Tom Nook para nos lembrar o tempo todo de que temos dívidas a pagar.
O mundo de Tomodachi Life é um pouco menos capitalista nesse sentido e quer que você aproveite o momento, sendo uma experiência mais relaxante e, por consequência, menos exigente. Dinheiro, por exemplo, não é problema: seus Miis fazem doações diárias à ilha, e você gera renda por executar ações básicas, até mesmo por alimentá-los.

Imagem: Flow Games/Victor Teixeira
Não só isso: há uma batelada de itens, milhares se somarmos tudo, para você desbloquear e deixar seu cantinho com a sua cara. É uma pena que a dona Nintendo tenha limitado o compartilhamento de conteúdo e impossibilitado os jogadores de dividirem suas capturas com amigos pelos meios tradicionais, isto é, pelo sistema nativo do console.
É uma decisão, no mínimo, curiosa, já que muitos dos recursos que o título traz parecem ter sido pensados para viralizar em um TikTok da vida. Afinal, os Miis por si só são uma fábrica de memes. Somando isso ao fato de que não há legendas em português (e você precisa do idioma para poder pautar os assuntos dos Miis), Living the Dream esbarra em problemas que seriam facilmente contornáveis.
Veredito
Tomodachi Life: Living the Dream é o metaverso que deu certo. Mesmo sendo um jogo sem grandes objetivos, como expliquei no início da análise, ele usa a trivialidade a seu favor para proporcionar uma vida leve e de baixíssimo estresse, com foco em gerenciamento. Não importa o quão difícil esteja seu dia: o simples ato de tornar um Mii feliz já é suficiente para melhorar até o mais amargo dos humores.

Print que tirei de um dos Miis em Tomodachi Life. Não, espera…
Analisado no Nintendo Switch 2.
Uma cópia de Tomodachi Life: Living the Dream foi gentilmente cedida pela Nintendo para o propósito desta análise.
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Tomodachi Life: Living the Dream
Publisher: Nintendo
Desenvolvedora: Nintendo
Plataformas: Nintendo Switch
Lançamento: 16/04/2026
Tempo de review: 24 horas
Tomodachi Life: Living the Dream é o metaverso que deu certo
Prós
- Um jogo sobre nada: relaxante e com muita personalidade
- Infinidade de itens cosméticos e de decoração
- Proporciona momentos dignos de meme
- Sistemas de progressão dão propósito ao marasmo
- Menos pressão financeira do que Animal Crossing
Contras
- Sem textos em português
- Compartilhamento limitado de conteúdo
- Faltou mais flexibilidade no criador de caráter











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