Entrevistas

Falamos com Todd McFarlane sobre a vinda do Spawn a Diablo!

Todd McFarlane fala sobre o passado e o futuro do Spawn nos games e em Diablo

06.10.2026 às 17:48

Desde o dia 29 de setembro, e valendo até o próximo dia 1 de novembro, está rolando em Diablo Immortal uma colaboração lendária com Spawn, o icônico personagem de quadrinhos criado por Todd McFarlane.

Na Blizzcon 2026 nós conhecemos a lenda pessoalmente mas, por pequenos conflitos na agenda, a nossa entrevista ficou para um pouquinho depois da feira, remotamente.

A convite da Blizzard, veja como foi a nossa conversa com Todd McFarlane, e saiba os motivos que levam Spawn e Diablo Immortal a encaixarem muito bem um com o outro!

Todd McFarlane fala tudo sobre o encontro de Diablo Immortal e Spawn

Spawn Diablo Immortal Todd McFarlane

Imagem: Blizzard e Todd McFarlane

Thomas Schulze: É uma honra conversar com você, Todd! Ainda lembro como se fosse ontem daqueles dias, lá em 1997 ou 98, quando eu ficava jogando Diablo depois da aula e vendo o desenho do Spawn na HBO… e morrendo de medo dos dois. Pra mim, esse terror infernal das duas obras sempre teve muito a ver!

Todd McFarlane: Pessoalmente, eu tento ao máximo mostrar a seriedade da situação. Eu nunca fui fã, nem jovem, de filmes com censura mais branda. Porque sempre que a tensão escalava, alguém faria uma piada para aliviar as coisas. Minha personalidade é oposta, eu acho que esse é o momento em que as coisas têm que ficar sérias para valer.

Nem todo mundo gosta disso, e até a minha mulher odeia quando é a minha vez de escolher os filmes, porque ela sabe que eu vou escolher coisas provocativas, dramas reais. Tem gente que acha deprimente, mas eu gosto de ver o reflexo da realidade.

Essa é uma das razões de eu ter concebido o palhaço como eu fiz originalmente. Eu sabia que 98% do que eu faria seria sombrio, mais do que assustador. Eu acho que o terror entra a partir da seriedade das coisas. Tipo “se você mexeu comigo, eu vou mexer com você, e eu não tenho medo. Se você acha que eu vou olhar por trás dos meus ombros, na verdade é o contrário, é você quem vai precisar olhar, especialmente depois da meia noite. Porque se tiver uma sombra se movendo, pode ser eu.”

Na minha cabeça é isso que faz o Batman ser legal também, ele vai caçando fdps depois da meia noite. Eu me identifico muito mais com ele do que com o Superman.

Thomas Schulze: Você é macaco velho no mundo dos videogames, e desde o SNES a gente tem jogos do Spawn e tudo mais. O mercado mudou bastante desde os 16 bits até agora. Como você enxerga essa nova realidade e a inserção do Spawn nesse mercado?

Todd McFarlane: Eu tento ser pragmático sobre as coisas. A Blizzard é a galera dos videogames e conhece bem o seu público, e eu reconheço que 90%, 95% das pessoas que vão jogar talvez não conheçam o Spawn e nunca tenham comprado um gibi. Então eu recomendei ao time de Diablo Immortal que não usassem os gibis como ponto de partida. Ao invés disso, usem o jogo que as pessoas já curtem e puxem o meu personagem lá para dentro.

Eu preciso e espero que o Spawn seja, para eles, um novo personagem para milhões de pessoas que nunca ouviram falar dele, mas que podem achar o Spawn o cara mais legal dos videogames. Esse é o objetivo. Quem sabe daqui a cinco anos alguém pode estar surpreso ao descobrir que o Spawn não era um personagem originalmente criado para Diablo Immortal? Se isso acontecesse seria uma vitória completa, pois significaria que o meu personagem foi naturalmente bem inserido naquele mundo. É sempre bom para os negócios quando você apresenta algo para gente que ainda não conhecia.

Spawn Diablo Immortal Todd McFarlane

Imagem: Blizzard e Todd McFarlane

Thomas Schulze: Se você fosse produzir um novo jogo do Spawn hoje em dia, como seria o seu jogo dos sonhos?

Todd McFarlane: Antes de qualquer coisa eu conversaria muito sobre o assunto. Porque já faz muito tempo desde o último jogo, e temos que ver o que a maioria das pessoas querem de fato. Eu tentaria me educar sobre isso primeiro e, a partir daí, começar.

Porque veja, nos quadrinhos, para nos aprimorarmos, melhoramos o papel e a colorização eletrônica. Nos brinquedos, colocamos mais detalhes e tintas. Nos dois casos a gente tentava adicionar o que eu chamo de “sexy”, tornar tudo mais sexy.

Então eu sei que, se fizéssemos um novo jogo, minha mentalidade seria nessa linha. Há muitos jogos incríveis por aí. vamos ver se temos o tempo e orçamento para nos equiparar a isso, e então adicionar 5% de sexy a isso para nos diferenciar. Porque qualquer coisa que você consiga melhorar em 5%, as pessoas te darão 50% de crédito! As pessoas consideram algo novo mesmo sem ser, é só algo bonito.

O maior exemplo pra mim é o iPhone. Quando Steve Jobs mostrou o iPhone, tudo que ele fazia, dezenas de outros fones faziam também, a Apple estava até atrasada nesse jogo! Mas quando ele te fez tocar uma tela melhor e dar zoom com os dedos, era um diferencial e todo mundo ficou louco pelo iPhone. Ele acrescentou uns 3%, mas as pessoas ficaram malucas de empolgadas!

Thomas Schulze: E nesse trabalho com a Blizzard, foi gratificante levar o Spawn para novos territórios?

Todd McFarlane: Uma das vantagens que eu tenho é que, na maioria dos casos, uma marca costuma ser de posse de uma grande corporação, e o seu criador original ou vendeu ou até já morreu. Normalmente os responsáveis não são mentes criativas, mas no meu caso o dono é o criador, que também calha de ser o artista.

E eu já passei por situações na vida de estar em um trabalho e não estar me divertindo, então eu sei como é ter que lidar com limitações e imposições. Então normalmente, ao trabalhar com outras mentes criativas, eu consigo projetar o que eu gostaria ou não que estivesse acontecendo do outro lado. Se alguém me dissesse “aqui estão todos os personagens do Diablo Immortal, use-os nos seus gibis como bem entender”, eu ficaria muito empolgado de tentar descobrir coisas legais para fazer.

Nós artistas gostamos de criar, temos que fazer as coisas acontecerem, então eu queria deixar a Blizzard feliz, porque artistas felizes normalmente alcançam resultados melhores.

Thomas Schulze: Ok, o Spawn está indo para Diablo Immortal, mas se você fosse escrever uma HQ com personagens do jogo, com quem gostaria de trabalhar?

Todd McFarlane: Não sei se eu estou velho e prático demais, mas eu não penso mais em termos de ir atrás do meu favorito, necessariamente. Ao invés disso, eu estudaria os seus personagens, quem eles são, quais são as suas motivações, e quais encaixariam melhor e fariam mais sentido na história.

A parte difícil de ser tanto artista quanto CEO é essa: alguma vezes, o que eu gosto como artista não é do melhor interesse do CEO, e vice-versa. Eu não faria algo só porque eu sou o Todd, eu gosto disso ou daquilo e a companhia é minha, sabe? Eu estudaria tudo e faria parecido com a Blizzard: teria conversas espertas para, depois disso, fazer a melhor escolha bem pensada para agradar todo mundo.

Thomas Schulze: Alguma mensagem final para os jogadores brasileiros?

Todd McFarlane: Para todos os jogadores de Diablo e Diablo Immortal, saibam que o Spawn é um personagem bem legal com uma capa vermelha irada. Ele está no jogo, e quem sabe pesquisando por esse cara você descubra algo interessante, e eu ficarei muito grato por isso!

O que você achou do nosso papo com o Todd McFarlane? Comente a seguir!

Quer encontrar os melhores preços de games na internet? Conheça o Low Games! Descontos em jogos, acessórios, consoles, Gift Cards e muito mais para todas as marcas! Visite: https://www.lowgames.com.br/

Comentários
Inscreva-se
Notificar de
guest
0 Comentários
Mais antigo
Mais novo Mais votado
Inline Feedbacks
Ver todos os comentários