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Phil Spencer: “Xbox não tenta vender mais que Sony e Nintendo”

“Fazer grandes jogos não vai reverter, mesmo se Starfield for um jogo 11/10, as pessoas não vão vender os seus PS5”

04.05.2023 às 13:22

Durante uma longa entrevista no programa Kinda Funny Games, Phil Spencer colocou a cara a tapas para responder diversas perguntas espinhosas sobre Redfall, a atual situação do Xbox na indústria e problemas que fãs e o mercado podem enxergar. Em um dos momentos, o chefão da divisão Xbox diz que o modelo de negócios do Xbox atualmente não é vencer a Nintendo ou o PlayStation em termos de vendas de consoles.

No fim do programa, um dos apresentadores diz que algumas pessoas da comunidade acham que a marca deixou um pouco os consoles de lado para favorecer o PC e nuvem, e questiona: o console Xbox ainda é o foco? Há planos para interface, conquistas e outros recursos? Em resposta, Spencer diz que a empresa sempre trabalha para tornar a experiência a melhor possível, mas que as coisas são diferentes no lado verde.

O que eu vou dizer pode ser disruptivo. Nós temos uma visão diferente, jogar os games que quiser, onde quiser e com quem quiser. Jogar no console, no PC ou na nuvem, todos fazem parte da nossa comunidade. Nós não estamos no mercado de vender mais videogames que a Sony ou a Nintendo. Não há uma grande solução ou vitória para nós.

Vale reforçar um ponto nesta fala: isso não quer dizer que a Microsoft lucre menos do que os concorrentes, apenas que vende menos consoles; o modelo de negócios citado é, justamente, os meios de faturar, e há uma gama muito maior do que apenas venda de videogames de mesa (como serviços, comissão de vendas de games na loja digital, serviços de nuvem etc). Spencer continuou, com bastante transparência, explicando a forma como a marca Xbox abocanha uma fatia de mercado:

Isso vai chatear muitas pessoas, mas a verdade é que quando você está em terceiro lugar na indústria, com as top 2 marcas acima de nós muito fortes e, em certos casos, fazendo acordos que dificultam as coisas para o Xbox (e isso está na nossa conta e não é culpa de mais ninguém), eu vejo comentários por aí que se nós fizéssemos grandes games, haveria uma reviravolta. E isso não é verdade, se nós fizermos jogos incríveis, não veremos a posição dos consoles mudar de forma drástica.

 

Grandes jogos não farão o Xbox decolar: “nós perdemos a pior geração com o Xbox One”

Ao decorrer do programa, o próprio Phil Spencer diz estar meio “azedo” e menos otimista do que o comum, algo que ocasionou em falas bem abertas sobre o mercado e a posição do Xbox. Contrariando bastante a opinião de diversos fãs por aí, o executivo acredita que jogos exclusivos e de peso não vão reverter a correnteza. E, parte disso, é pelo baixo sucesso do Xbox One. Você pode conferir o trecho completo a partir dos 34:57 do vídeo abaixo:

Nós perdemos a pior geração que havia para perder na era do Xbox One, em que todo mundo construiu sua biblioteca de games digitais. Mas essa ideia de que a gente só focar em grandes títulos em nossos consoles e vamos vencer a corrida dos consoles não é a realidade da maioria das pessoas, 90% do público que entra em uma loja para comprar um videogame já é membro de um dos três ecossistemas.

Um dos pontos discutidos, é que a atual geração é uma continuidade da anterior pela primeira vez. Spencer diz:

A biblioteca digital está lá, essa é a primeira geração que os grandes jogos que as pessoas estão jogando são games que são da geração passada, títulos como Fortnite, Roblox e Minecraft. Eu vejo muitas pessoas que queriam de volta a era dos cartuchos, dos CDs, em que toda geração de videogames era um novo começo e você poderia mudar a distribuição de consoles [consumidores trocando para videogames de outras marcas], isso não é mais o mundo que estamos hoje.

Phil Spencer foi além e comentou sobre o próximo grande jogo do Xbox: “não há um mundo em que Starfield seja um nota 11/10 e as pessoas comecem a vender seus PS5, isso não vai acontecer”, acrescenta. E, para contornar isso, a Microsoft escuta os criadores, que querem seus jogos em múltiplos aparelhos, algo que viabiliza o modelo de negócios de nuvem, PC e consoles.

O chefão da divisão Xbox reforça que o console ainda é o cerne da companhia e continuará a prestar um grande suporte. Entretanto, ele reforça: “não vai funcionar nós sermos uma versão verde melhor do que o lado azul faz, não há vitória para o Xbox em ficar na cola de outra empresa. Nós precisamos fazer as nossas próprias coisas, com o Game Pass, xCloud e muito mais”.

Fonte: Kinda Funny Games

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LUCAS
LUCAS
1 ano atrás

Muito interessante essa visão dele.

Roger
Roger
1 ano atrás

Até hoje as consequências sobre seus erros do Xbox one assombram o lado verde

ArcraftPS
ArcraftPS
1 ano atrás

O pioneirismo é importante, Phil ajudou a moldar a forma como jogamos hoje em dia, porém, algo se perdeu no meio do caminho. Por muitos anos a MS não recriminou ou condenou a famigerada “console wars”. Quando a coisa começou a ficar mais séria, com investimentos mais parrudos e Game Pass começou a chamar atenção como um ativo promissor da divisão Xbox, Phil percebeu que eles haviam passado de pedra à vidro. Hoje, o maior problema do Xbox, foi não ter fincado estruturas sólidas quando isso era possível. Em E3 anteriores, deixaram Sony e a Nintendo nadar de braçada em uma época onde as experiências, além de serem sensoriais com participação do público em eventos, se perpetuavam com um “amplo investimento” nas suas novas IPs e fomentando as que fizeram sucessos, sem falar que o mercado de games não era saturado e a expectativa de novos produtos não era disruptiva como é hoje. Existe qualidade no que a Xbox faz, mas buscar a excelência, é mais trabalhoso, custoso e mesmo assim não é garantia de que você se tornará o maior no segmento. Quem sabe as bases que o GP vem implantando agora, não darão resultado daqui a alguns anos?