
Review: Verity traz suspense de roer os dedos, mas há ressalvas
Será que Verity honra com a grande história apresentada nos livros? Veja a nossa análise!
Imagem: reprodução
pós uma adaptação marcada por polêmicas nos bastidores com o filme “É Assim que Acaba", eis que temos outro romance best-seller de Collen Hoover sendo adaptado para as telonas.
Neste thriller psicológico sedutor acompanhamos a história da renomada autora Verity Crawford, interpretada por Anne Hathaway e Lowen Ashleigh vivida por Dakota Johnson, uma escritora de baixa popularidade que aceita a proposta de trabalhar como ghostwritter de Verity.
Após sua mudança para a casa dos Crawford, Lowen, que até então, só sabia que Verity havia sofrido um acidente, se depara com a autora totalmente presa a uma cadeira de rodas, sem se mexer ou falar.
Dando início ao trabalho acordado, Lowen descobre anotações autobiográficas perturbadoras de Verity, com confissões perversas, inquietantes e obsessivas sobre o marido dela, Jeremy Crawford (Josh Hartnett).
Conforme avança na leitura, Lowen fica com mais dificuldade de distinguir a ficção da realidade.
Considerando que adaptações de livros costumam cortar vários detalhes da obra original, será que Verity conseguiu entregar um filme que realmente agrade os fãs e atrair novos leitores? É o que você vai descobrir na nossa análise a seguir!
Verity acerta na atmosfera de tensão
Sob a perspectiva de alguém que não leu o livro, Verity é um filme que acerta em cheio na tensão constante. No entanto, há cenas com diálogos que tentam ‘suavizar’ e até tirar um riso do público perante a trama perturbadora da protagonista.
A causa disso pode ser o tom adotado pelo cineasta Michael Showalter, conhecido por seu histórico de comédias românticas como ‘Uma Ideia de Você’, ‘Alerta de Spoiler’ e Doentes de Amor. Showalter não chega a exagerar, porém é perceptível que ele tente desviar um pouco o suspense.
A narrativa decorre de forma até que rápida, sem muita enrolação. Entretanto, um dos pontos altos de Verity é a ambientação na mansão dos Crawford. A casa parece até um personagem à parte, dominada por tons frios, um silêncio incômodo e uma atmosfera sombria – tal qual retratada no livro.

Imagem: Sony Pictures
Nas cenas da mansão dos Crawford, a câmera adota uma perspectiva mais paranóica da protagonista pela visão de Lowen. Em várias partes, há planos mais abertos e enquadramento nos corredores, dando a sensação de estar sendo vigiado.
Verity também traz uma atuação razoável de seus protagonistas, sobretudo Verity. A escolha de Anne Hathaway para este papel caiu como uma luva. Não consigo imaginar outra atriz para assumir uma personagem como esta.
O trabalho corporal para simular o estado vegetativo contrastando com o olhar ‘perdido’ – entrega um dos melhores momentos de suspense do longa.
Infelizmente, não posso dizer o mesmo de Dakota Johnson, que faltou ser mais expressiva, porém teve uma atuação razoavelmente boa. Enquanto isso, Josh Hartnett também traz uma interpretação bem morna durante boa parte do filme, exceto pelo final.
Adaptação peca em algumas mudanças e deixa alguns detalhes de fora
Diferente do livro, onde o leitor lê as páginas perturbadoras do manuscrito de Verity, o filme traz de forma resumida o conteúdo, com recursos visuais e narrações para transmitir a crudeza do texto.
Entretanto, a retirada de uma das gêmeas do livro deixou os fãs bastante preocupados. Mesmo que o diretor tenha explicado o corte, a ausência de uma delas diminui um pouco a relevância que elas tinham para a atmosfera de tensão criada na obra original.

Imagem: Sony Pictures
E aqui acho que foi onde o roteiro pecou, principalmente considerando o relacionamento de Verity com as filhas. Sem dar spoiler, mas as motivações das ações dela no decorrer da trama são bem relevantes. No filme, não acho que isso fica muito explícito apenas com uma delas.
Embora não tenha tanto impacto no desenrolar da trama, as partes de sonambulismo de Lowen também foram retiradas do filme.
À medida que a história avança, a química entre Lowen e Jeremy começa a ficar mais intensa e é um dos pontos fortes que sustenta o tom dramático no ápice da tensão. Outro detalhe é que os conteúdos sórdidos e chocantes do manuscrito presente no livro ficaram de fora, muito também por conta da classificação indicativa do filme.
E aí, vale a pena ver Verity?
Em resumo, o filme de Verity respeita o núcleo principal do livro de manter a ambiguidade do final. O público é confrontado da mesma maneira com as duas versões dos fatos.
Porém, o longa pesa para o lado mais espetacular da coisa, o que pode incomodar os fãs mais puristas que desejam um equilíbrio da incerteza.
Pelo conjunto da obra, Verity cumpre seu papel como um thriller psicológico afiado, eficiente em criar desconforto e tensão – o que deve agradar o público que procura uma história que realmente prenda a atenção e faça sua mente explodir. E aqui devo destacar que Verity foi o livro mais rápido que li na vida, então o filme com certeza deve atiçar a curiosidade daqueles que querem saber todos os detalhes.
Mesmo deixando os detalhes mais sombrios da literatura, o filme entrega uma experiência que honra o debate central da trama, mas as mudanças no roteiro podem gerar discussões entre os fãs.
Verity entra em cartaz nesta quarta-feira (30) em cinemas de todo o Brasil.
O Flow Games foi gentilmente convidado pelo time da Sony Pictures Brasil para assistir ao filme antecipadamente.

Verity
Publisher: Sony Pictures
Desenvolvedora: Amazon MGM Studios
Plataformas: Cinema
Lançamento: 30/09/2026
Tempo de review: 2 horas
Apesar das mudanças no roteiro, Verity cumpre seu papel ao entregar uma história de suspense e tensão presente no livro
Prós
- Mantém o suspense e a atmosfera de tensão
- Boas atuações (com destaque para Anne Hathaway)
- Ambientação dos cenários, principalmente a casa
Contras
- Partes relevantes do livro que foram cortadas
- Mudanças no roteiro











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